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Restaurantes e Bares

‘Sucrilhos’ está invadindo confeitarias, sorveterias e bares, mas por quê? Entenda

O cereal matinal que faz parte da infância de muitos brasileiros virou sorvete, café, sobremesa e até drinque

Na Mooi Mooi, o cereal aparece no sabor de sorvete "Cereal Killer", com bastante sucrilhos por cima e batido na massa. Foto: Mel Kolanian/DivulgaçãoNa Mooi Mooi, o cereal aparece no sabor de sorvete "Cereal Killer", com bastante sucrilhos por cima e batido na massa. Foto: Mel Kolanian/Divulgação
Foto do autor Giulia Howard
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Onde comer sorvete soft em SP? Vídeo mostra 3 ótimas opções

Nossos repórteres Giulia Howard e Luigi Di Fiore foram às ruas de São Paulo em busca de ótimos sorvetes de máquina e encontraram de café, matcha e mais. Crédito: Jefferson Alves/Editor/Estadão

A nostalgia está no ar, mas também no copo, na casquinha e onde der na telha. Christina Tosi já tinha cantado a bola em sua confeitaria, a Milk Bar, nos EUA. Lá, os “corn flakes”, “sucrilhos” ou apenas “cereais matinais” ganharam fama no seu sorvete soft de leite infusionado com “cereal radical”.

Hoje, em São Paulo, essa mistura inspirou muitos chefs a incrementarem os flocos doces feitos à base de milho em diversas receitas, da confeitaria à sorveteria e até mesmo bares. Mas por quê? Bom, a nostalgia parece ser a chave!

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Nos drinques, a plataforma Wine-Intelligence aponta justamente isso: “as criações de coquetéis podem reimaginar cereais matinais da infância ou doces clássicos, transformando-os em perfis de sabor modernos e lúdicos. O índice Early Signal Score da WGSN sugere que bebidas com uma proposta mais descontraída apresentam ‘alto potencial’ — ainda em estágios iniciais, mas prontas para crescer”, determinam.

E isso não deixa de ser uma verdade nos doces. Segundo Mel Kolanian, sócia-proprietária da Mooi Mooi, resgatar uma lembrança conhecida e apresentá-la de uma maneira nova é o trunfo da sua receita de sorvete. “Acho interessante justamente essa mistura entre nostalgia e surpresa: a pessoa reconhece aquele sabor, mas experimenta em outro contexto”, revela.

No caso do Ronin, o inusitado entra em cena com tudo, pois o cereal está no “café com leite”, para além do sorvete. Pedro Nóbrega, um dos chefs e sócios da casa, consumia na infância e reconhece esse valor familiar, mas alerta: “a nostalgia é sim um atrativo, desde que o produto seja bom, se não, vira decepção”.

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Já no P’Lek, o bar tailandês irmão do Ping Yang, o sucrilhos vira “para maiores” e cai no copo. Para o chefe de bar da casa, João Piccolo, “o coquetel remete ao leite que fica na cumbuca quando o cereal termina e a gente toma sem colher” - ou seja, nostalgia pura.

P’Lek

No P'Lek, o sabor do cereal toma conta da bebida translúcida para maiores Foto: Keiny Andrade

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O Cereal Milk (R$ 52) do P’Lek é preparado com sucrilhos infusionado no leite, que depois é utilizado na clarificação (filtragem em filtro de café), misturado à vodca, limão e maple. Tudo isso, em uma bebida translúcida que causa espanto em quem consome.

“Os clientes ficam muito surpresos, principalmente porque, pela aparência da bebida, não esperam que ele tenha tanto aroma e sabor do sucrilhos”, revela João Piccolo. E completa: “eu escolhi o cereal por ele ser um ingrediente incomum na coquetelaria. Principalmente pelo astral de café-da-manhã que ele traz”.

Onde é: R. Dr. Melo Alves, 762 - Cerqueira César | @p.lek.bar

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Ronin Café

No copo, o sucrilhos aparece como topping crocante do latte de milho da casa Foto: Fita creative/Divulgação

Na cafeteria badalada que acabou de transferir seu endereço da Barra Funda para a Santa Cecília, o sucrilhos aparece em bebida e em sorvete. O “sucrilhos com leite” (R$ 26) reinventa a queridinha tigela de cereal matinal, mas coloca o sorvete de leite no lugar do líquido, sucrilhos caramelizados e calda de caramelo salgado por cima.

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Uma novidade da nova casa, o corn latte (R$ 25) vem para trazer um sabor do milho bastante presente combinado à crocância açucarada do cereal caramelizado que finaliza a bebida. “A ideia foi introduzir o milho como um todo, para além do doce de leite à base dele, o sucrilhos traz um sensorial de fubá e cuscuz a mais”, diz o chef Pedro Nóbrega.

Onde é: R. das Palmeiras, 420 - Santa Cecilia | @ronincafesp

Mooi Mooi

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Cereal Killer da Mooi Mooi Foto: Mel Kolanian/Divulgação

E nem precisa ir para os Estados Unidos para matar a vontade de sorvete de sucrilhos, na Mooi Mooi, essa combinação de leite com cereal vem em dois formatos: soft, como manda a tradição, com crocantes de waffle caramelizado (R$ 25,50), e no pote de 500 ml (R$ 67) recheado de sorvete de leite infusionado com sucrilhos, corn flakes crunch e ganache de caramelo com flor de sal.

Segundo a sócia-proprietária Mel Kolanian, introduzir o cereal foi um meio de gerar, principalmente, contraste. “No nosso caso, adiciona uma textura crocante que funciona muito bem com a cremosidade e a temperatura do sorvete. Além disso, tem um sabor muito reconhecível, levemente adocicado e tostado, que deixa a sobremesa mais divertida e cria diferentes sensações a cada colherada.”

Onde é: R. Manuel Guedes, 249 - Itaim Bibi; R. dos Pinheiros, 223 - Pinheiros; Av. Paulista, 679 | @mooimooi.br

Cala del Tanit

No This is Not a Tiramisù, o cereal dá ainda mais crocância à sobremesa cafeinada Foto: Ricardo D'Angelo/Divulgação

O “This is not a tiramisù” (R$ 50) é uma das sobremesas que mais saem da cozinha do Cala del Tanit. Bolo de milho com sorvete de café, creme de mascarpone e kellog’s crocantes, traz um belo contraste de texturas.

O chef Oscar Bosch diz que o uso do cereal vem com esse objetivo, mas também é uma forma de “trazer um elemento que, apesar de ser muito cotidiano, pode ganhar uma leitura diferente dentro da sobremesa”.

Onde é: Rua Pais de Araújo, 147 - Itaim Bibi | @caladeltanit

Walnuts

Na Walnuts, o sucrilhos também ficou abaixo de zero no sorvete cremoso e crocante Foto: Mariana Paschoarelli/Divulgação

Na infância, a chef e sócia da Walnuts, Mariana Paschoarelli tomava o seguinte café da manhã: cereal, bastante leite e um pouco de café. Então pensou: por que não transformar isso em sorvete?

“Na nossa receita, assamos e caramelizamos os cereais, para intensificar o sabor, a crocância e dar esse tom de caramelo. E depois fazemos um banho em manteiga de cacau, com uma película bem fininha, para manter a textura e não absorver umidade do sorvete”, conta.

No copo ou na casquinha, o sorvete sai a R$ 18, uma bola, e R$ 25, duas.

Onde é: R. Morgado de Mateus, 160 - Vila Mariana; Rua Luís Góis, 1607 - Mirandópolis | @walnutssorvetes

Então, já podemos chamar de tendência?

O sucrilhos e leite do Ronin Café é uma sobremesa gelada divertida que reinventa o prazer de comer um a tigela de cereal Foto: Fita creative/Divulgação

Oscar Bosch defende que todo o conceito por trás desse fenômeno é sim uma tendência. Explica: “mais do que uma tendência específica do cereal, vejo como parte de um movimento de ressignificar ingredientes que fazem parte do cotidiano e que normalmente não associamos à alta gastronomia, e o cereal é um bom exemplo disso”.

Mel Kolanian concorda e acrescenta: “além disso, o cereal também tem uma vantagem importante: além do sabor, ele acrescenta textura, algo que valorizamos muito quando pensamos na experiência completa de uma sobremesa”.

Dito isso, agora é observar o que mais vem por aí.

Onde provar clássicos de SP com carinha e gostinho de antigamente

Onde provar clássicos de SP com carinha e gostinho de antigamente. Crédito: Jefferson Alves/Estadão

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