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ANÁLISE: Efeitos da decisão

O PMDB não é um partido comum, embora seja o exemplar mais notável do tipo mais comum de partido em nosso sistema político: o partido de adesão. Esses são aqueles que aderem a qualquer governo, independentemente de seu matiz ideológico, desde que bem recompensados com cargos e verbas. Como hoje detêm mais da metade do Congresso, são indispensáveis a qualquer administração, razão pela qual estiveram na base de todos os governos desde a redemocratização.

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Por Cláudio Gonçalves Couto

O que torna peculiar o PMDB são atributos que o distinguem dos demais partidos de adesão. O menos notável, mas importante, é quantitativo: é o maior partido de adesão em parlamentares no Congresso, além de ser o mais capilarizado, com diretórios, vereadores e prefeitos em montante superior a todos, espalhados pelos municípios brasileiros.

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O fator mais notável é qualitativo: o PMDB dispõe de lideranças de maior envergadura que os demais partidos de sua espécie, as quais – mesmo quando dadas a práticas não republicanas – dispõem de habilidades institucionais cruciais, sabendo conduzir os órgãos centrais do sistema político de um modo que ultrapassa o mero manejo fisiológico. Renan é um exemplar desse tipo de liderança, assim como Sarney, Temer, Jucá, Moreira Franco. É isto o que torna tão importantes no jogo político essas lideranças, bem como seu partido. Foi a falta dessa habilidade (substituída pelo puro espírito predatório) que levou à desgraça Eduardo Cunha, um político doutra cepa, nem propriamente um típico líder peemedebista.

Ao tornar-se réu, Renan não deixará de desempenhar esse papel institucional crucial, mas o fará debilmente. A eventual eliminação de políticos como ele não necessariamente deixará o País em melhor situação, já que podem ser substituídos não por próceres tão republicanos quanto institucionalmente talhados, mas por predadores puros e simples, daqueles que povoam os partidos de adesão em geral – Cunhas de menor calibre. *É PROFESSOR DE GESTÃO PÚBLICA DA FGV-EAESP

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