Notícias e artigos do mundo do Direito: a rotina da Polícia, Ministério Público e Tribunais

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STF nega pedido da PF para prender Weverton Rocha, apontado como ‘sócio oculto’ das fraudes no INSS

Investigadores apontam senador como integrante do núcleo político do esquema, PGR disse que provas não eram sólidas e Mendonça negou prisão dizendo que ato ‘exige cautela’; defesa ainda não se manifestou

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Foto do autor Gustavo Côrtes
Foto do autor Vinícius Valfré
Foto do autor Aguirre Talento
Atualização:

BRASÍLIA — Investigações da Polícia Federal apontam para a atuação do senador Weverton Rocha (PDT-MA) como “sócio oculto” do esquema de descontos associativos ilegais a aposentados do INSS. Ele teria recebido, por meio de intermediários, recursos amealhados pela organização criminosa.

A Polícia Federal deflagrou a quinta fase da Operação Sem Desconto  nesta quinta-feira, 18, e cumpre 16 mandados de prisão preventiva e 52 de busca e apreensão. Um dos principais alvos é o senador Weverton Rocha (PDT - MA), que teve mandado de busca e apreensão na casa em Brasília Foto: WILTON JUNIOR

“O Senador Weverton teria, segundo a peça de representação da Polícia Federal, atuado: como beneficiário final (“sócio oculto”) de operações financeiras estruturadas pela organização criminosa, recebendo recursos ou benefícios por meio de interpostas pessoas, alguns seus assessores parlamentares", diz a decisão que autorizou operação de busca e apreensão contra ele nesta quinta-feira, 18.

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A força-tarefa chegou a pedir sua prisão preventiva, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do processo, negou. O magistrado alegou que prender um parlamentar é uma decisão que tem “efeitos drásticos” e “exige cautela”.

“A decisão judicial que determina a prisão de um parlamentar acarreta efeitos drásticos em uma república, notadamente por inviabilizar o pleno exercício do mandato parlamentar. Por mais que seja possível citada medida, cuida-se de provimento judicial que exige extrema cautela”, disse Mendonça.

O ministrou acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi contrária à decretação da prisão preventiva do senador.

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A PGR entendeu que as provas são “ainda não consolidadas” e que não ficou demonstrado “vínculo direto entre o parlamentar e a execução das condutas ilícitas, nem recebimento de valores ilícitos”.

“Não se afirma inexistência de eventual prática ilícita, mas que, neste momento, os elementos disponíveis são frágeis para sustentá-la”, ponderou.

O senador Weverton Rocha é alvo de operação da PF Foto: Dida Sampaio /Estadão

A Polícia Federal apontou Weverton como integrante do núcleo político do esquema, que viabilizava a continuidade dos ilícitos.

De acordo com as informações policiais mencionadas na decisão de Mendonça, há quatro figuras ligadas ao senador apontadas como integrantes do esquema e que recebiam valores em nome dele.

Seu ex-assessor parlamentar Gustavo Gaspar tinha uma empresa, a GM Gestão, que fazia parcerias com as firmas do lobista Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS, apontado como principal articulador da organização criminosa. Planilhas encontradas sob posse do Careca, indicavam pagamento de R$ 100 mil em favor de “gasparzinho”.

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O agora ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Aldroado Portal, que foi auxiliar de Weverton no Congresso, também é suspeito de atuar em nome do senador.

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As planilhas indicam pagamento de R$ 50 mil para ele, cujo codinome era “Adro”. Portal foi Secretário do Regime Geral de Previdência Social e se tornou o número 2 da pasta após o afastamento do ex-ministro Carlos Lupi, em maio.

O filho de Adroaldo, Eduardo Portal, trabalha no gabinete de Weverton atualmente e também é investigado. Ele fez R$ 249 mil em repasses para o pai. Uma parte, segundo a PF, se dava em dinheiro vivo.

Além dos três, Vanessa Barramacher Tocantins, que ocupa cargo de chefia de gabinete do Ministério da Previdência e é ex-assessora do senador. Ela recebeu também é investigada por ter recebido repasses de Eduardo.

Weverton Rocha é vice-líder do governo Lula no Senado e relator da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, e do projeto de lei que revê a Lei do Impeachment.

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