Notícias e artigos do mundo do Direito: a rotina da Polícia, Ministério Público e Tribunais

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Plano para prender e matar Moraes leva Fux a pedir condenação de Mauro Cid e Braga Netto

Com o voto, há maioria para a condenação do ex-ajudante de Bolsonaro e do ex-ministro; ‘A morte violenta de um integrante da Suprema Corte seria um episódio traumático para a estabilidade política do País’, defendeu ministro

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Foto do autor Rayssa Motta
Atualização:

A Operação Copa 2022, plano para monitorar, prender e executar o ministro Alexandre de Moraes, foi o que levou o ministro Luiz Fux a votar para condenar o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, no julgamento da trama golpista. Eles são únicos que não foram poupados pelo ministro. Com o voto, há maioria formada na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) pelas condenações de ambos.

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A proposta do ministro foi de condenação por apenas um dos cinco crimes atribuídos a eles na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) - abolição violenta do Estado democrático de Direito.

Fux argumentou que Braga Netto, “em unidade de desígnios” com Mauro Cid e com o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira, das Forças Especiais do Exército, os “kids pretos”, planejou e financiou o início da execução do atentado contra Moraes.

O voto do ministro foi construído em torno do argumento de que “atos preparatórios” não podem ser punidos criminalmente. Foi com base nesta premissa que Fux defendeu a absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro(PL). No caso da Operação Copa 2022, na avaliação dele, o plano foi colocado em prática e só não se concretizou por circunstâncias que fugiram ao controle dos envolvidos.

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“O intuito criminoso somente não foi alcançado pela eventualidade ter sido abruptamente suspensa uma sessão do plenário desta Corte, prejudicando a preparação dos executores do crime”, argumentou Fux.

Fux defendeu condenação de Braga Netto e Mauro Cid, mas poupou Bolsonaro em voto. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Além disso, segundo a linha de argumentação do ministro, só há tentativa de golpe se houver “perigo real” de ruptura institucional. Para Fux, a execução de um membro do STF seria um “episódio traumático para a estabilidade política do País”.

“Não se sabe quanto tempo seria necessário para curar uma feria dessa ordem em nossa história”, defendeu.

O ministro sustentou que o atentado teria o potencial de causar “intensa comoção social” e colocar em risco a separação dos Poderes.

“A eventual concretização do plano de assassinato causaria também a erosão da confiança da população na resolução institucional de diferenças políticas, engolfando o País em uma onda de conflitos pela descrença na capacidade de união pacífica do nosso povo em torno de propósitos sociais comuns”, previu Fux.

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Mauro Cid é réu confesso. Fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e delatou o plano de golpe. Braga Netto, único réu do núcleo crucial da trama golpista que ficou preso durante toda a instrução do processo, nega ter tomado conhecimento do planejamento de atentado contra Moraes.

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