Após decidir o vice na chapa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) começa nesta quinta-feira, 6, uma nova etapa na campanha que envolve outra disputa: a dos marqueteiros. E seu time admite, nos bastidores, que sai em desvantagem em relação ao seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A pré-campanha de Flávio foi marcada por crises internas e muito fogo amigo. O comando do marketing mudou duas vezes. A troca mais recente ocorreu na quinta-feira, 30, quando o publicitário Duda Lima assumiu a coordenação no lugar de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer.
Agora, seu grupo corre contra o tempo para contratar a equipe de produção. O problema é que, em pleno mês de agosto, quando a campanha começa formalmente, a maioria dos profissionais procurados já está em outros projetos eleitorais.
Uma estrutura nacional de campanha exige frentes completas de atuação em TV, rádio, imprensa, arte, criação e mídia. Sem esse time formado, a produção de peças publicitárias fica paralisada ou, ao menos, em ritmo inadequado.
A comunicação também esbarra na ausência de um plano consistente de mensagem. Não há continuidade, tampouco coerência na imagem apresentada de Flávio para o eleitor.
Do outro lado, o presidente Lula tem um marqueteiro que o acompanha desde a campanha de 2022 e que, ao ser nomeado ministro da Secretaria de Comunicação do Planalto, passou a fazer os ajustes de rota na propaganda à medida que cada problema foi surgindo no governo.
A ideia de “chama o marqueteiro” ganhou outra dimensão na atual gestão petista. Sidonio Palmeira, que é elogiado pelo seu talento na comunicação política inclusive na campanha adversária, está literalmente no andar abaixo do gabinete presidencial.
Lula segue as orientações. E, apesar da rejeição, dos erros do governo e de não ter uma marca no governo atual, tem discurso e diretrizes decididas. Ainda ganhou de presente da oposição a pauta da soberania.
Já Flávio segue sem um mote claro. Por enquanto, só explora fixamente o sobrenome Bolsonaro. E ainda terá de gastar tempo da comunicação para rebater a denúncia de estupro que pesa contra seu vice, o deputado Alfredo Gaspar, que nega a acusação e processar por calúnia os denunciantes - que são adversários políticos, pertencentes à base de Lula.
Flávio ainda precisará marcar uma identidade. Nos últimos meses, o senador alternou o próprio personagem: oscilou entre a busca por um perfil moderado e a postura radical. Também teve idas e vindas entre apresentar um tom mais sério e contido, para driblar questionamentos sobre falta de experiência, ou apelar a dancinhas no padrão TikTok.
Ou seja, haja trabalho para Duda Lima. Ele fez a campanha passada de Jair Bolsonaro. É nome da confiança direta do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Hoje ele conhece o bolsonarismo por dentro e aprendeu com os erros de 2022. Entretanto, pega uma campanha desestruturada. A ponto de nem sequer haver decisão de onde Flávio Bolsonaro fará o grande ato de largada formal da campanha presidencial.








