Escolha de Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro surpreendeu aliados durante o anúncio
Senador buscava mulher mas com resistência de partidos do Centrão foi obrigado a fechar chapa pura do PL. Crédito: Estadão
Indicado a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), fez um apelo público nesta quinta-feira, 6, para rebater uma acusação de estupro contra ele: “Estou implorando, façam o exame de DNA, a prova científica”, afirmou em conversa com jornalistas ao ser indagado pela Coluna do Estadão sobre a acusação de estupro.
Como mostrou a Coluna, a Polícia Federal (PF) pediu para abrir um inquérito com o objetivo de investigar Gaspar, com base numa denúncia de supostos estupro e tentativa de suborno. A solicitação foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que em 21 de maio solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) permissão para a realização de diligências preliminares, o que foi autorizado pelo relator do caso, ministro Gilmar Mendes. Não há informação de quando a decisão foi tomada no processo sigiloso.
Gaspar credita o avanço da investigação à sua candidatura a vice-presidente pelo PL nessa quarta-feira, 5. Ele demonstrou uma certa cisma ao afirmar que “Gilmar nem gosta de mim”. Indagado se considerava o caso uma perseguição, disse: “Talvez Gilmar não me olhe com bons olhos, mas está nas mãos da pessoa certa, o decano da Corte”.
Advogados pedem apuração imediata à PGR
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro pediu nesta quinta-feira, 6, à PGR uma apuração imediata do caso. Apresentou um perfil genético do deputado e colocou Gaspar à disposição para fazer um novo exame.
“A honra do deputado precisa da conclusão deste assunto”, disse a advogada Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro.
Gaspar se prontificou à PGR a fazer novo exame
No documento enviado à PGR, Gaspar disse que está à disposição para fazer uma nova coleta de material genético, caso necessário. O deputado ressaltou que é vice na chapa de Flávio Bolsonaro e pediu urgência para a investigação ser arquivada por falta de provas. Solicitou um prazo específico para a apuração ser concluída.
Alfredo Gaspar disse que é vítima de uma falsa acusação, e que o exame de DNA enviado à Procuradoria desmonta a tese central da denúncia feita pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS).
A defesa de Gaspar afirmou à PGR que o material genético enviado foi colhido no âmbito de um processo na Justiça de Alagoas, a pedido do deputado. Esse exame foi autorizado judicialmente e supervisionado pelo Ministério Público estadual. O candidato a vice-presidente pelo PL ainda pediu que outras provas daquela ação judicial sejam compartilhadas com a apuração no âmbito federal.
Gaspar disse ainda que renuncia ao direito de um investigado não produzir provas e afirmou que está tranquilo sobre sua inocência no caso.

Representação contra Gaspar foi apresentada por aliados de Lula em março
A representação original contra Alfredo Gaspar foi protocolada na Polícia Federal pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Os parlamentares afirmam que Gaspar teria cometido estupro de vulnerável contra uma menor de idade e que uma filha teria nascido em decorrência do episódio. A denúncia foi tornada pública durante a sessão de encerramento da CPI do INSS.
Durante a mesma sessão, Alfredo Gaspar rebateu as acusações e apresentou o vídeo de uma jovem – que seria a pessoa citada como sua suposta filha – negando o caso. O deputado afirmou que o episódio relatado envolveu, na verdade, um primo seu. Diante das declarações de Soraya Thronicke e Lindbergh Farias, Gaspar os denunciou por calúnia.
Por enquanto, ambos os procedimentos – a denúncia de estupro contra o deputado e a acusação de calúnia movida por ele contra os parlamentares – estão sendo analisados de forma conjunta, mantendo o foco principal do pedido de investigação sobre Alfredo Gaspar.
Leia também
Representação contra vice de Flávio após acusação de estupro na CPI do INSS está parada no Congresso
Vice de Flávio Bolsonaro processa aliados de Lula após ser acusado de estupro
Escolha de Alfredo Gaspar para vice de Flávio mira fragilidades do governo Lula
No STF, Gaspar pede condenação por calúnia e injúria
“É evidente que Alfredo Gaspar jamais cometeu o crime de estupro a si repugnante e falsamente imputado. Nunca foi nem pode ser taxado de estuprador. É casado há 36 anos com o único amor de sua vida, vivendo sob o signo dos ensinamentos e valores da fé cristã“, afirmou Gaspar ao STF, no processo que moveu contra Lindbergh e Soraya.
“Diante da inequívoca gravidade dos fatos, os parlamentares fizeram aquilo que se espera de qualquer cidadão, especialmente funcionários públicos eleitos para representar o povo brasileiro: formalizaram uma notícia de crime junto à PF que, diante da razoabilidade da acusação, requereu ao STF a instauração de inquérito policial para a apuração dos fatos”, escreveu o petista.








