Cooperação inclui retomar Angra 3 e erguer 25 usinas

Acordo com os franceses deve afastar os potenciais competidores, entre eles Alemanha e Estados Unidos

Por Denise Chrispim Marin , Tania Monteiro e BRASÍLIA
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Os planos do governo brasileiro de retomar as obras de Angra 3 e de construir novas usinas nucleares alimentam uma cooperação com a França que tende a afastar definitivamente outros potenciais competidores, como Estados Unidos e Alemanha. A declaração conjunta da segunda visita ao Brasil do presidente francês Nicolas Sarkozy deixou clara a opção brasileira pela França também nesse campo.Ao mesmo tempo em que apontou o desenvolvimento pacífico da cooperação nuclear como um caminho para dinamizar a relação bilateral, o texto chamou a atenção para a necessidade de os dois países elevarem seus fluxos de comércio e investimentos. Essa pendência levará hoje a São Paulo a ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, à frente de representantes de 16 companhias de seu país.Na área nuclear, a declaração conjunta informa a decisão de Sarkozy e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "encorajar" duas iniciativas. A primeira é a negociação em andamento entre o grupo francês Areva e a Eletronuclear sobre a retomada das obras de Angra 3 e a cooperação para a prospecção de urânio. A segunda é a aproximação entre todas as companhias brasileiras e francesas do setor, de olho na construção das novas usinas termonucleares. Nos planos do governo,  deverão ser instaladas até 25 unidades nos próximos 24 anos.A cooperação nas áreas nuclear, de defesa e econômica são apenas três das que foram listadas no Plano de Ação da parceria estratégica Brasil-França, adotado em dezembro de 2008, no Rio de Janeiro, durante a primeira visita oficial de Sarkozy. O plano também cobre a cooperação nos setores aeroespacial, de desenvolvimento sustentável, de educação, de imigração e segurança pública e em terceiros países, além do diálogo sobre temas políticos e de governança internacional. Nos setores técnicos, Sarkozy deixou explícita a intenção de seu governo de transferir tecnologia ao Brasil, como meio de avançar na maior parceria entre os setores produtivos dos dois países e de explorar o mercado ampliado latino-americano. "Hoje, consolidamos definitivamente a nossa parceria estratégica com a França", disse Lula, ao final do encontro com Sarkozy.ALTA VELOCIDADEEm cerimônia fechada, os dois presidentes assistiram à assinatura de seis novos acordos de cooperação nas áreas de defesa, segurança pública, imigração, transportes urbanos e de magistratura e ações no Haiti. No setor de transportes, Lula lembrou do objetivo de seu governo de instalar um trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro - item omitido de seu discurso escrito e que já atrai o interesse de empresas francesas. Antes de voltar a Paris, Sarkozy presenciou o lançamento das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma espécie de metrô de superfície que deverá ligar o aeroporto de Brasília ao centro da cidade até 2014 . Com uma hora e meia de atraso, ele permaneceu no local apenas 10 minutos e não discursou. COLABOROU LEONARDO GOY

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