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Divisão regional marca duas décadas de eleições

A força da esquerda entre o voto nordestino e da direita no voto caipita mostra uma tendência geográfica na política brasileira

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Foto do author Luiz Ugeda

Nos últimos 20 anos, a divisão eleitoral do Brasil ganhou uma marcada característica geográfica. A ferramenta Geografia do Voto, parceria entre o Estadão e a agência Geocracia, mostra que desde a eleição presidencial de 2006 pode-se afirmar que há dois centros de gravidade de onde sua expansão, ou contração, tem determinado o resultado das eleições. O voto caracterizado à esquerda tem o sertão nordestino como base, enquanto o voto marcadamente à direita encontra no interior de São Paulo seu centro de carga.

O voto nordestino mostra o pulsar do polígono das secas. Quando ele expande, alcançando as capitais nordestinas, Tocantins, subindo o Rio Amazonas e descendo para o norte de Minas podendo chegar até a região de Juiz de Fora, os candidatos da esquerda vencem. Lula alcançou mais de 90% de votos em municípios específicos, como ocorreu na região da Serra da Capivara (PI), no primeiro turno de 2022.

O advogado e geógrafo Luiz Ugeda, um dos responsáveis pela ferramenta Geografia do Voto. Foto: Divulgação

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O voto caipira mostra a expansão da opção conservadora como se fluísse pelas vias de transporte a partir do interior paulista, em sentido parecido com os das antigas bandeiras. Ele alcança, por eixos distintos, o sul do País, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Campo Grande e Cuiabá, de onde bifurca pela BR-163 até Santarém e pela BR-364, passando por Rondônia e Acre, até a fronteira do Peru. Bolsonaro alcançou em torno de 65% de votos na região de Campinas (SP) e 70% em Roraima, no primeiro turno de 2022.

Há exceções a este modelo, representados principalmente por Luís Eduardo Magalhães (BA) e por Maceió, que tem reiterado sua posição de capital mais conservadora do Nordeste, e da região de Palmas (PR) e a do Pontal do Paranapanema (SP), que sistematicamente votam à esquerda.

E temos ainda as áreas equivalentes aos “swing states” americanos, que oscilam seu apoio dependendo da eleição. É o caso do Pampa Gaúcho, do Pantanal e de duas regiões mineiras, o Triângulo e o Oeste (Juiz de Fora, Governador Valadares e Teófilo Otoni). Essa característica de Minas – se acompanha o sertão nordestino ou o interior paulista – faz com que muitos analistas afirmem que Minas é o Estado que define eleições.

É altamente provável que o segundo turno de 2022 seja decidido com base em três perguntas: (1) Zema ajuda Bolsonaro a virar os votos no interior mineiro?; (2) Cláudio Castro ajuda Bolsonaro a virar na cidade do Rio e em Niterói?; (3) O interior de São Paulo confirmará a vitória de Tarcísio e ajudará Bolsonaro a virar na Grande São Paulo?

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