Episódio dos ônibus pode afetar resultado das eleições?
Colunista Diogo Schelp comenta a possibilidade de judicialização do resultado das eleições caso seja comprovada interferência deliberada no transporte público. Crédito: Estadão
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Moradores de várias regiões de São Paulo relataram dificuldades para pegar ônibus e ir até os locais de votação neste domingo, 25, quando é realizado o 2º turno das eleições. Problemas na oferta de transporte público na capital paulista e em outras cidades motivaram a extensão do prazo de votação até 19 horas no País todo, em decisão inédita da Justiça.
A Prefeitura da capital paulista afirma que houve dificuldades logísticas de mobilizar as equipes rapidamente, diante da determinação judicial no sábado, 24, de oferecer 100% dos ônibus. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) nega falhas. “Nossa frota que está operando é maior do que a demanda. Não temos nenhum registro de falta de ônibus”, disse o prefeito, que chamou os petistas de “irresponsáveis”.
Parte dos eleitores relata ter desistido ou recorrido a aplicativos de transporte para ir aos locais de votação. Além disso, vários grupos nas redes sociais, se organizaram para oferecer caronas solidárias. Motoristas também abordavam espontaneamente passageiros nos pontos de ônibus para levar eleitores até as urnas.
A carona solidária é permitida - é considerada crime quando há intenção de aliciar o eleitor.
A coordenadora de Projetos Alessandra Davanzo, de 45 anos, afirma que ficou duas horas esperando por um ônibus da linha 148P Barra Funda, entre 13h e 14h50, no ponto da Av. Peri Ronchetti, no Jardim Peri, zona norte. “Passaram quatro ônibus com letreiro desligado”, reclama.
A saída foi contratar um veículo por aplicativo para chegar à Escola Municipal Professor José Carlos Dias, na Casa Verde, também na zona norte, que era seu local de votação. “Consegui votar porque fui de aplicativo, mas, para isso, desembolsei R$ 70. Gastei R$ 40 na ida e R$ 30 na volta”, relata.

Alessandra afirma que pessoas que estavam com ela no ponto de ônibus desistiram de votar. “Quando eu estava no ponto, duas pessoas desistiram de ir”, conta.
Na zona oeste, o contador Marcelo Hermógenes de Lima, de 56 anos, afirma ter chegado ao terminal de ônibus no Jardim Helga às 11h48. Ele queria tomar o Terminal Campo Limpo 7052. Mas, como o ônibus não passou, ele andou cerca de um quilômetro a pé até o terminal. Só conseguiu pegar o Terminal Pinheiros por volta das 12h40, para tomar o metrô até o local de votação, no Butantã.
A analista administrativa Andreia Pereira, 53 anos, que mora em frente à estação de metrô Carrão, na zona leste, relatou que no 1º turno utilizou um aplicativo para consultar os horários das linhas 3459-10 e 3462-10, que passam pelo ponto do terminal de ônibus. Na ocasião, afirma que o serviço funcionou normalmente.
Neste domingo, porém, repetiu a busca pelo app, mas os ônibus não passaram. “Fiquei quase uma hora e desisti. Fui de metrô”, relata. Ela iria votar na Escola Estadual Professor Gabriel Ortiz, na Penha, bairro vizinho.
Moradora do Lauzane Paulista, na zona norte, a professora Adriana Ayres Pereira disse que os ônibus demoraram até duas horas para passar na tarde deste domingo, 25. Ela conta que foi ao local de votação normalmente de transporte público, mas, no retorno, por volta das 13h30, não conseguiu retornar.
De acordo com a professora, ela chegou no ponto por volta das 13h30 e outros passageiros relataram estar esperando havia cerca de uma hora um ônibus da linha 1744.
“Depois disso, ainda esperei mais uma hora e só então ele passou. Quando chegou, estava tão lotado que nem todo mundo que estava no ponto conseguiu entrar. Minha neta, eu e outras cinco pessoas ficamos para fora, e então decidi pegar um carro de aplicativo”, conta.
Ela disse que, no período que ficou no ponto, ônibus de outras linhas que circulam na via também não passaram. “O que me deixou mais receosa foi ver veículos da empresa de ônibus passando vazios, com o letreiro mostrando o nome da empresa”, diz.
Diante das dificuldades de transporte público em várias cidades brasileiras, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pediu a extensão do prazo de votação. O pleito foi atendido pelo ministro do STF, Cristiano Zanin.
Em Salvador, a Justiça Eleitoral chegou a determinar a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza. A prefeitura afirma que houve dificuldades operacionais de mobilizar toda a frota, mas também acusa sindicalistas de colarem adesivos do PT nos ônibus, o que teria dificultado a saída dos coletivos das garagens.
O PT também pediu a prisão do secretário de Transportes de São Paulo, Jorge Caldeira, o que foi negado pela Justiça Eleitoral.




