Um olhar crítico no poder e nos poderosos

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Derrite veio para relatar o PL Antifacção ou piorar as rebordosas de Lula?

Escolha de deputado para relatar projeto do governo foi não só um tapa, mas um soco no estômago do petista

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Foto do autor Eliane Cantanhêde
Atualização:

O que o discurso da soberania fez, a operação contra traficantes no Rio desfez e o presidente Lula enfrenta duas rebordosas que se retroalimentam: sua recuperação de popularidade estancou e sua vantagem despencou num eventual segundo turno contra pelo menos seis adversários, inclusive o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que sai propositalmente dos holofotes.

Guilherme Derrite e Hugo Motta dão coletiva na Câmara sobre PL Antifacção Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

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Esse é o sumo da nova pesquisa Quaest, derrubando a previsão de que, a esta altura, Lula conseguiria ultrapassar uma barreira, com uma aprovação maior do que a desaprovação, o que não aconteceu, e já estaria na animadora condição até de sonhar com uma vitória em primeiro turno. Nada disso. Não houve inversão das curvas de popularidade, a abundância de adversários impede vitória na primeira rodada e até o segundo turno está bem mais apertado.

Quem puxa a pauta nacional puxa as tendências para 2026. Quando assumiu o discurso dos pobres contra os ricos e engatou com o da soberania, Lula saiu do nevoeiro e viu luz no fim do túnel para seu quarto mandato. Mas, quando Cláudio Castro jogou suas polícias contra o tráfico e as comunidades e produziu 121 corpos, o foco foi direta e rapidamente para a segurança, ou melhor, insegurança. O eleitor só quer saber disso.

A diferença entre as bandeiras de Lula e de seus opositores é que pobres versus ricos e soberania são temas importantes, sem dúvida, mas abstratos, enquanto a violência é muito concreta, faz parte do dia-a-dia, todo mundo já sofreu com ela ou conhece alguém que foi roubado, assaltado, sequestrado, estuprado ou... morto.

Sim, segurança tem a ver com vida e morte e as histórias de vítimas trabalhadoras, jovens, pais, mães e bebês são estarrecedoras. A sociedade exige solução e é a direita que prega algo como “vida aos trabalhadores, morte a bandido”.

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As rebordosas de Lula neste momento não ficam só nas pesquisas e nas expectativas eleitorais, vão surgindo de diferentes frentes. A prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Estefanuto, do atual governo, e as investigações sobre negócios escusos na área de educação que chegam à ex-mulher do enteado de Lula, Marcos Cláudio, e ao sócio do filho Fábio Luís, o Lulinha, são álcool na fogueira da oposição contra Lula.

Para piorar, um funcionário da ONU enviou carta ao governo brasileiro reclamando da falta de segurança e da infraestrutura da COP-30, onde as delegações estrangeiras estão sujeitas a invasões de manifestações, um calor infernal, instalações precárias e inacabadas e até falta de água. Como tudo cai no Planalto e na cabeça do presidente, é um vexame para Lula, que esperava colher louros, não críticas, com a COP em Belém.

A capacidade de Eduardo Bolsonaro de salvar e fortalecer Lula, aparentemente, se esgotou. O foco agora está nos problemas e nas negociações da COP, na reaproximação de Brasil e EUA em torno das tarifas, que ganhou impulso nesta quinta-feira, no encontro dos chanceleres Mauro Vieira e Marco Rubio e, principalmente, na segurança e no projeto antifacções.

O exemplo mais gritante de como a recuperação de Lula perdeu tração é justamente a escolha de Guilherme Derrite, secretário de Segurança de Tarcísio e o maior contraponto da esquerda no tema, para relatar o projeto. Para relatar ou para derrubar? Foi não só um tapa, mas um soco no estômago de Lula, tonto e sem rumo na questão que mais interessa aos brasileiros e será central em 2026. Fazer mais uma reunião ministerial, como na quinta-feira, não resolve pesquisa, eleição, projetos no Congresso e, muito menos, crise de segurança.

Opinião por Eliane Cantanhêde

Também é comentarista da Rádio Jornal (PE)