Ex-juíza que reclamou que magistrados pagam gasolina e café do bolso recebeu R$ 113 mil em dezembro

Declaração ocorreu julgamento da liminar de Dino sobre os ‘penduricalhos’ do Judiciário; em nota, juíza afirmou que o contracheque inclui pagamentos ‘excepcionais’ e não corresponde à sua ‘remuneração ordinária’

PUBLICIDADE

Foto do autor João Pedro Bitencourt
Atualização:

No STF, ex-juíza reclama que magistrados pagam gasolina e café do bolso

Declaração ocorreu julgamento da liminar de Dino sobre os ‘penduricalhos’ do Judiciário; procurada, ela não se manifestou. Crédito: TV Justiça

A juíza do trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, que defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) o pagamento de verbas indenizatórias a magistrados, os chamados “penduricalhos”, recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro, segundo dados da folha do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

PUBLICIDADE

A magistrada, que preside a Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho (ABMT), representou a entidade durante julgamento da liminar do ministro Flávio Dino, do STF, que, segundo ele, pode pôr fim ao “Império dos Penduricalhos”.

Em nota, a juíza afirmou que “os valores recebidos em um mês específico” não correspondem à sua “remuneração ordinária”. “A soma excepcional foi convertida em parâmetro habitual, o que não corresponde à realidade”, disse Cláudia.

Publicidade

A juíza do trabalho aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares recebeu cerca de R$ 113,8 mil líquidos em dezembro. Foto: Divulgação/Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho

Durante sua manifestação, ela afirmou a Dino que juízes enfrentam “muita insegurança jurídica” por não saberem quanto irão receber ao final do mês e que integrantes da carreira precisam arcar com despesas como combustível e café com o próprio salário. Segundo a magistrada, mudanças de entendimento sobre a legalidade de determinadas verbas geram instabilidade financeira na categoria.

“O juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, o carro financiado. Não tem apartamento funcional, não tem plano de saúde, não tem refeitório, não tem água e não tem café”, sustentou. A juíza alega que usou os exemplos de forma “didática”.

Dados do contracheque de dezembro indicam que, classificada como inativa, ela recebeu aproximadamente R$ 113,8 mil líquidos no período. O montante supera o teto constitucional, atualmente atrelado ao subsídio dos ministros do STF, de R$ 46.366,19, mas pode incluir parcelas como 13º salário, férias indenizadas e pagamentos retroativos.

Publicidade

O julgamento em curso na Corte trata da definição sobre quais parcelas devem ou não ser limitadas pelo teto. Parte dos ministros defende a aplicação mais restritiva do limite constitucional, enquanto entidades da magistratura sustentam que valores de caráter indenizatório não podem ser enquadrados como remuneração.

Vale ler também
Coluna do Estadão
Tereza Cristina inicia campanha para presidir Senado e avançar com impeachment de ministros do STF
Vera Rosa
Fuga de Flávio abre disputa pelo comando da oposição e aliados de Lula temem novo 8 de Janeiro
Coluna do Estadão
Flávio sofre ‘perseguição política’ de Moraes, diz Rui Costa Pimenta, presidenciável do PCO