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O que os mapas eleitorais nos contam

Lula x Bolsonaro: os votos das Minas Gerais vão decidir a eleição?

Apoio de Zema é fundamental para a ainda improvável, mas possível, reeleição do atual presidente

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Por Luiz Ugeda
Atualização:

Em Minas Gerais, o Jair Bolsonaro de 2022 (5.239.264 votos) não perdeu apenas para Lula (5.802.571 votos), mas também para o Bolsonaro de 2018 (5.308.047 votos). A hipótese de votos cristalizados, que um olhar desatento poderia propor, deve ser rapidamente afastada após uma análise mais detida. Em que pese os números próximos, é preciso perceber que houve um grande rearranjo eleitoral no Estado que costuma definir eleições nacionais.

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A ferramenta Geografia do Voto, parceria entre o Estadão e a agência Geocracia, permite verificar que, apesar de ter ganho muitos votos na capital (10% a mais), seus votos caíram significativamente em cidades-chave, como Uberaba, Uberlândia e Governador Valadares. Em Juiz de Fora, onde sofreu a facada em 2018, tomou uma surra de Lula (52,6% x 38,4%). Também perdeu para Lula em importantes cidades-pólo onde tinha ganho de Fernando Haddad em 2018, como Montes Claros e Teófilo Otoni.

Votação de Lula e Bolsonaro na eleição presidencial de 2022 em Minas Gerais; petista foi o mais votado no Estado Foto: Estadão

Há cidades ainda que revelam uma disputa acirrada. Em Betim, Lula ganhou de Bolsonaro por apenas 807 votos (106.684 x 105.877 votos). Em São João Del Rei, Bolsonaro ganhou por 106 votos de Lula (24.050 x 23.944 votos). O governador reeleito Romeu Zema avançou em muitos municípios onde Bolsonaro perdeu, tendo, em algumas situações mais que o dobro dos votos de Bolsonaro. Considerando a geografia dos votos mineiros, existem cerca de 800 mil votos (grande parte "Zema-Lula") que o governador poderia repassar a Bolsonaro - basicamente a diferença de votos no Estado entre Bolsonaro (5.239.264 votos) e Zema (6.094.136 votos) no 1º turno.

 Foto: Estadão

Neste cenário, o apoio de Zema é fundamental para a ainda improvável, mas possível, reeleição de Bolsonaro. Afinal, em uma hipótese otimista para a tese de Zema, se conseguir virar um milhão de votos para Bolsonaro em Minas, grande parte deste total valerá por dois, pois significará retirar votos de Lula. Se Bolsonaro se eleger, Zema reeleito será um candidato natural à sucessão presidencial. Se Lula ganhar, Zema, e as Minas Gerais, deverão ser o principal foco de oposição.

Ter as Minas Gerais definindo eleições não é algo novo, mas ter esta liderança exercida pelo partido Novo, registrado em 2015 e que não usa dinheiro público em suas ações, é algo a ser observado. Se prevalecerem os votos da bacia do São Francisco, do Paraíba do Sul e do Jequitinhonha, dá Lula. Se prevalecer da bacia do rio Grande e do Paranaíba, dá Bolsonaro.

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