Justiça italiana adia julgamento sobre extradição de Carla Zambelli

Mudança de data acata pedido da defesa da ex-deputada, que afirma que não teve acesso a documentos sobre a as condições da prisão brasileira em relação a saúde da ex-deputada

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Por Giovanna Massaro (Especial para o Estadão)
Atualização:
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro o julgamento sobre a extradição de Carla Zambelli, ex-deputada brasileira, após pedido de sua defesa, que alegou falta de acesso a documentos sobre condições prisionais no Brasil. Zambelli, cidadã italiana, é acusada de perseguir um jornalista armado em 2022. A defesa questiona se a prisão no Brasil pode atender suas necessidades médicas. Anteriormente, a Itália negou outro pedido de extradição, alegando parcialidade do STF.

A Justiça italiana adiou para o dia 24 de novembro o julgamento sobre a extradição da deputada cassada Carla Zambelli. O julgamento estava marcado para esta terça-feira, 27, para tratar sobre o novo pedido de extradição feito pelo governo brasileiro, relativo à condenação por perseguir à mão armada um jornalista em 2022.

A mudança de data veio após a defesa, composta pelos italianos Pieremilio Sammarco e Alessandro Sammarco, e o brasileiro Eduardo Maurício, realizarem um pedido de adiamento, alegando que não tinham acesso aos documentos enviados pelas autoridades brasileiras sobre as condições da prisão para a garantia da saúde da deputada cassada.

Carla Zambelli, ex-deputada federal e condenada pela invasão do sistema do CNJ Foto: Felipe Rau/Estadão

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Em nota, a defesa brasileira afirmou que a falta de acesso aos documentos impedia a ampla defesa de Zambelli na justiça.

Em postagem realizada na conta da ex-deputada nas redes sociais, seu filho comemorou a decisão. A postagem inclui um vídeo, nos quais os dois advogados italianos explicam a decisão. Eles afirmam que vão analisar nos documentos a “contabilidade das condições de saúde da senhora Zambelli com a estrutura carcerária”.

No vídeo, os advogados também afirmam que devem contestar se a prisão da ‘Colmeia’ (Penitenciária Feminina do DF) é capaz de fornecer terapias médicas para a brasileira, que alega ter fibromialgia e episódios de desmaio, além de produzir uma documentação técnica médica legal.

Zambelli, que também é cidadã italiana, fugiu para o país europeu em maio de 2025. Em maio deste ano, a justiça italiana havia negado outro pedido do Brasil, relativo à condenação da ex-deputada por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Naquela ocasião, a justiça italiana considerou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi parcial no processo.

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Veja a nota completa da defesa da ex-deputada no Brasil:

“Eduardo Maurício, advogado de Carla Zambelli, assevera que a defesa, capitaneada pelos advogados Pieremilio e Alessandro Sammarco, em conjunto com o advogado brasileiro, pediram o adiamento do julgamento, que foi redesignado para 24 de novembro de 2026, uma vez que a defesa não teve acesso à documentação enviada pelo Brasil no que tange à receber Carla no sistema prisional de Colmeia, não sendo possível exercer a ampla defesa e contraditório sobre as questões que envolve a garantia à saúde da ex-deputada.

Maurício ressalta que extraditar Carla ao Brasil seria o mesmo que entregá-la à morte, já que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante.”

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