PUBLICIDADE

Presidente da Funai manda apurar compra de 19 toneladas de bisteca para indígenas na Amazônia

Estadão revelou que governo Bolsonaro comprou 19 toneladas de bisteca bovina congelada para indígenas na Amazônia, mas carne não foi entregue nas aldeias.

Foto do author Daniel  Weterman
Por Daniel Weterman
Atualização:

BRASÍLIA - A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, mandou apurar a compra de 19 toneladas de bisteca que não forem entregues para indígenas do Vale do Javari (AM). Em reportagem publicada neste domingo, 14, o Estadão revelou que a carne deveria abastecer indígenas e servidores do órgão na região com o maior número de povos isolados do País. O produto, entretanto, não chegou a ser incluído nas cestas básicas distribuídas às famílias.

O sumiço da carne virou um dos assuntos comentados nas redes sociais. A pergunta “Cadê a bisteca?” viralizou entre os internautas e representantes de entidades do setor.

Bushe Matis, coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja): "Nós não recebemos alimentação. Fazer a aquisição e enviar para a aldeia não existe.” Foto: WILTON JUNIOR

PUBLICIDADE

Os contratos de compra foram assinados no governo de Jair Bolsonaro. O de maior valor continua em vigor no atual governo. Os gastos bancaram a aquisição de carne congelada, apesar de os indígenas não possuírem geladeira ou outra forma de armazenar o alimento. Dois fornecedores ficam em Manaus, a mais de 1 mil quilômetros das aldeias.

A presidente da Funai acionou a área técnica do órgão para apurar o que aconteceu com a bisteca. “Eu vou apurar as informações, pois se trata de atos da gestão anterior e para tanto preciso que se apure junto aos departamentos competentes internos na Funai”, afirmou Joenia ao Estadão após a publicação da reportagem. A Funai ainda não deu explicações oficiais.

O sumiço das bistecas foi confirmado à reportagem pelos indígenas que deveriam receber o produto e por um comerciante que deveria enviá-lo. Até a funcionária da Funai que assinou o contrato de compra fala em desperdício de dinheiro público. Ela alega que seguia ordens de seus superiores.

“Nem tudo que constitui a cesta básica contempla uma alimentação específica desses indígenas. Era um desperdício, realmente, do dinheiro público”, admitiu Mislene Metchacuna Martins Mendes, atual diretora de administração e gestão da Funai. “Parte dos alimentos chegava sem condições para consumo, mas a ordem era entregar”, disse ela.

Lideranças do Vale do Javari disseram à reportagem que a entrega não ocorreu. “Nós não recebemos alimentação. Fazer a aquisição e enviar para a aldeia não existe”, afirmou o coordenador da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bushe Matis.

Publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.