‘Dark Horse’: entenda o filme sobre Bolsonaro e a conexão com Vorcaro
Guia do Adulto Premium, toda semana um assunto triste que você não gostaria de estar sabendo, mas precisa. Crédito: Felipe Pahor/Estadão
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O documentário “A Colisão dos Destinos”, que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve 852 sessões durante as quatro semanas que esteve em cartaz, entre maio e junho deste ano. O média-metragem registrou 5.982 espectadores no período e renda total de R$ 123,9 mil. Os dados são da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e foram obtidos pelo Estadão pela Lei de Acesso à Informação.
“A Colisão dos Destinos” é um segundo filme sobre Bolsonaro além de “Dark Horse”. O documentário é produzido pela Dori Filmes, de propriedade de Doriel Francisco da Silva. Na ficha técnica, ele consta como coautor do roteiro ao lado de William Alves. O deputado Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também são creditados como colaboradores da produção.

A partir da segunda semana de exibição, o documentário só superou a marca de 100 espectadores em um dos 15 dias em que seguiu em cartaz. Em quatro dias, inclusive, não houve público registrado. O Estadão procurou Doriel Francisco para comentar a bilheteria do filme, mas não houve retorno.
“A Colisão dos Destinos” foi lançado em 14 de maio, um dia após o site Intercept Brasil revelar que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar “Dark Horse”. O financiamento do filme pelo dono do Master está na mira da Polícia Federal (PF). Também há a suspeita que recursos públicos tenham ido parar na produção. A PF apura se emendas parlamentares de Mário Frias foram desviadas para o filme. Em outra frente, a Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos da Prefeitura da capital paulista foram repassados à produção.
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Ancine apura custos da obra
Enquanto “Dark Horse” está na mira da PF e da polícia paulista, “A Colisão dos Destinos” é alvo de uma investigação da Ancine. De acordo com a Agência Pública, a Dori Filmes declarou gastos de apenas R$ 4,5 mil com a produção do documentário, valor que “não condiz com os custos de uma obra audiovisual”, segundo a agência. A produtora alegou que não houve gastos com a produção porque “todos os técnicos trabalharam de forma voluntária, como parceiros da obra”.
A reportagem da Pública visitou o endereço informado pela Dori Filmes à Receita Federal e não localizou a sede da empresa. Questionado pelo Estadão sobre a investigação da Ancine, Doriel Francisco não respondeu.
Projetos com recursos públicos
A Dori Filmes declarou que os recursos para a produção de “A Colisão dos Destinos” são de origem privada. Por outro lado, Doriel Francisco integra um projeto bancado com recursos públicos: o documentário “Nós”, sem data de estreia prevista, embora já pré-lançado em Brasília no mês de julho. A produção recebeu R$ 860,8 mil em emendas de Mário Frias, Eduardo Bolsonaro e Marcos Pollon (PL-MS).
Segundo a revista Oeste, o documentário traça um paralelo entre regimes totalitários do século 20 e o cenário político do Brasil. Os recursos foram destinados à Associação Passos da Liberdade, que contratou outras empresas para a produção do filme, entre elas, a Dori Filmes.
Doriel Francisco é autor do roteiro “Heróis Nacionais”, que seria transformado em série pela Academia Nacional de Cultura (ANC), uma organização não governamental (ONG) de Karina da Gama, produtora de “Dark Horse”. O projeto também seria bancado com recursos públicos, a partir de emendas Pix de Marcos Pollon, Carla Zambelli (PL-SP), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Bia Kicis (PL-DF), totalizando 2,6 milhões. A produção, porém, não foi executada. Os recursos chegaram à Secretaria de Cultura do Governo de São Paulo, mas a pasta identificou pendências no projeto apresentado pela ONG e não repassou os valores à entidade.



