Qual a maneira correta de preparar um chá?
Saiba quando usar técnicas de infusão e decocção para preservar óleos essenciais e extrair fitoquímico, de acordo com cada tipo de planta. Crédito: Estadão
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Se você já passou uma noite terrível depois de comer algo que não caiu bem, saiba que não está sozinho. A intoxicação alimentar — doença causada pelo consumo de alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou toxinas — afeta cerca de 48 milhões de americanos por ano, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). (Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, até 866 milhões de pessoas sofrem de doenças causadas por alimentos contaminados todos os anos, em nível global).
Felizmente, a maioria dos casos de doenças transmitidas por alimentos desaparece rapidamente e, em geral, não exige atendimento médico. Mas pode demorar mais para você voltar a se sentir como antes. E, para algumas pessoas, um episódio de intoxicação alimentar pode levar a problemas de longo prazo, observa o gastroenterologista Alexander Goldowsky, do Beth Israel Deaconess Medical Center, hospital afiliado à Universidade Harvard. “Um paciente pode dizer: ‘Tive um episódio de intoxicação alimentar há algum tempo e me recuperei, mas meu trato gastrointestinal simplesmente nunca voltou ao normal’”, explica.

Quanto tempo leva para se recuperar de uma intoxicação alimentar?
Os sintomas mais característicos da intoxicação alimentar — vômitos, diarreia ou ambos — são a maneira que o organismo encontra de eliminar aquilo que provocou o mal-estar. Em geral, isso é suficiente para dar início ao processo de recuperação. Outros sintomas comuns incluem cólicas abdominais, fadiga, dores no corpo e, às vezes, febre baixa.
“A maioria dos sintomas de uma intoxicação alimentar comum dura cerca de 12 a 48 horas, então você provavelmente começará a se sentir melhor em alguns dias”, afirma Goldowsky. Algumas infecções bacterianas, como as causadas por E. coli, Salmonella ou Campylobacter, podem levar de uma semana a dez dias para desaparecer. Já os sintomas provocados pelo parasita Cyclospora podem durar várias semanas ou mais quando não há tratamento.
Mesmo depois que os principais sintomas desaparecem, você pode continuar sentindo que algo não está “bem como deveria”. Ainda pode haver fadiga, inchaço abdominal ou sensibilidade enquanto o trato digestivo se recupera. Para algumas pessoas, os sintomas digestivos podem persistir por meses ou, em casos raros, até por anos depois que a própria infecção já foi eliminada.
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Por que os sintomas digestivos podem persistir após uma intoxicação alimentar?
A duração dos sintomas depende do microrganismo responsável pela infecção e da gravidade da doença. A idade e as condições do sistema imunológico também são importantes: crianças pequenas, adultos com mais de 65 anos e gestantes são mais vulneráveis a um quadro prolongado, assim como pessoas que tomam corticosteroides, como a prednisona, ou outros medicamentos que suprimem o sistema imunológico.
Às vezes, uma infecção desencadeia uma das seguintes condições de longo prazo:
- Síndrome do intestino irritável pós-infecção (SII-PI)
Pode se manifestar como dor abdominal recorrente acompanhada de diarreia, constipação intestinal ou ambas.
- Dispepsia funcional pós-infecção (DFPI)
Essa forma de indigestão pode provocar inchaço abdominal ou sensação de saciedade muito rápida depois de comer.
Embora esses problemas não sejam comuns, tampouco são raros: uma revisão científica de 2024 constatou que cerca de uma em cada sete pessoas desenvolveu síndrome do intestino irritável pelo menos três meses após uma infecção intestinal, enquanto uma em cada oito desenvolveu dispepsia funcional pós-infecção.
Não está claro o que leva ao desenvolvimento dessas condições, mas alguns especialistas sugerem que elas podem decorrer de alterações duradouras deixadas pela infecção, como inflamação de baixo grau, aumento da permeabilidade da parede intestinal, maior sensibilidade dos nervos do intestino e mudanças no microbioma intestinal. Os antibióticos também podem desestabilizar o equilíbrio entre as bactérias “boas” e “ruins” do trato gastrointestinal. O risco de sintomas prolongados tende a ser maior após uma doença grave ou um tratamento com antibióticos.
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O que comer e beber após uma intoxicação alimentar?
Durante um episódio de intoxicação alimentar, “o mais importante é manter-se hidratado”, afirma Goldowsky. Tome pequenos goles de água, caldo coado ou chá sem cafeína — os de hortelã-pimenta ou camomila podem proporcionar uma sensação especialmente reconfortante. Idosos e pessoas com sintomas graves podem precisar de uma solução de reidratação oral para prevenir a desidratação causada pela intoxicação alimentar.
Quando o apetite voltar, comece a comer “aquilo que você sentir que consegue tolerar”, recomenda Goldowsky. Vá devagar, com pequenas quantidades, para não sobrecarregar o trato digestivo em recuperação.
- Bebidas com cafeína ou muito açúcar.
- Frituras e outros alimentos gordurosos.
- Laticínios.
- Alimentos picantes.
- Alimentos ricos em fibras.
E quanto à clássica dieta BRAT, sigla em inglês para “banana, arroz, purê de maçã e torradas”? Embora possa ser aceitável por um ou dois dias, ela não fornece nutrientes essenciais em quantidade suficiente, afirma Goldowsky. “Já não a recomendamos”, explica. “Em vez disso, nosso foco é ajudar você a retomar sua alimentação habitual assim que for capaz.”
Vale tomar probióticos ou consumir alimentos ricos nesses microrganismos, como iogurte, kefir ou chucrute? “Neste momento, não há boas evidências de que eles ajudem — e, em geral, precisam ser consumidos diariamente por um período prolongado”, afirma Goldowsky. Ainda assim, “se um paciente quiser experimentá-los e isso o ajudar a se sentir melhor, digo que pode tentar”.
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Quando procurar atendimento médico?
De modo geral, pessoas com maior risco de desenvolver complicações de saúde — incluindo idosos, gestantes e qualquer pessoa com o sistema imunológico enfraquecido — devem entrar em contato com um médico ao primeiro sinal de intoxicação alimentar.
Além disso, qualquer pessoa que apresente um dos sintomas a seguir deve procurar um médico imediatamente, afirma Goldowsky:
- Vômitos frequentes, a ponto de não conseguir manter líquidos no organismo.
- Sinais de desidratação: urina escura, boca seca, fraqueza ou tontura ao se levantar.
- Fezes com sangue ou pretas, com aspecto de piche.
- Febre acima de 38,9 °C.
- Sintomas que duram mais de 72 horas.
Dependendo dos sintomas e da causa da infecção, pode ser necessário receber líquidos por via intravenosa (diretamente em uma veia) ou tomar antibióticos ou medicamentos antiparasitários.
A longo prazo, o médico pode adaptar o tratamento aos sintomas apresentados, com medicamentos para diarreia, constipação intestinal, inchaço abdominal ou indigestão. Um nutricionista pode ajudar a identificar os alimentos que desencadeiam os sintomas e planejar uma alimentação nutritiva que leve essas restrições em conta.
Mesmo quando os sintomas persistem, há muito que se pode fazer para favorecer a recuperação, afirma Goldowsky. “Meu objetivo é ajudar as pessoas a chegar a um ponto em que os sintomas não ditem a maneira como elas vivem suas vidas.”
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