Cracolândia: como está o fluxo de usuários de drogas no centro de SP agora?

Em menor nº, grupos se espalham por vias do centro; Prefeitura e Estado dizem oferecer tratamento a dependentes de álcool e outras drogas

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Foto do autor Gonçalo Junior
Atualização:

‘A Cracolândia recebia drogas da favela do Moinho’

Ministério Público aponta favela como fortaleza do PCC no centro; moradores reclamam de "criminalização da pobreza". Crédito: Imagens: Bruno Nogueirão, Gonçalo Junior, Prefeitura de São Paulo e Tiago Queiroz | Edição: Júlia Pereira

Pouco mais de dois meses após o esvaziamento da principal concentração de usuários da Cracolândia, na esquina das ruas dos Gusmões e dos Protestantes, dependentes químicos continuam espalhados em outras vias do centro de São Paulo. Agora, porém, estão em número total menor e também em grupos menores.

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Como o Estadão mostrou, uma das razões do esvaziamento foi o avanço da investigação sobre a ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Favela do Moinho, usada como bunker da facção para armazenar e distribuir drogas.

O início da remoção de moradores do local também prejudicou o fluxo do tráfico na região, uma vez que os bandidos usavam a comunidade de esconderijo.

Ao longo da última semana, a reportagem percorreu diversos locais da cidade. Hoje, a principal aglomeração está nas proximidades da Praça Marechal Deodoro, no sentido da Rua das Palmeiras. Em alguns momentos, eles ficam também sob o Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão.

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Outra concentração começa a se formar nas proximidades da comunidade do Gato, ao lado da Marginal Tietê. Estado e Prefeitura dizem oferecer tratamento para esse público (leia mais abaixo).

Usuários de droga se misturam a moradores de rua sob o Minhocão Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Perto da praça, cerca de 30 dependentes químicos se concentravam com o mesmo comportamento da passagem do fluxo por outros pontos da cidade: pessoas sentadas no gramado usando drogas e música em alto volume. Mas o grupo é bem menor do que havia na Rua dos Protestantes.

Os usuários estão concentrados a uma distância de aproximadamente 70 metros da base da Polícia Militar que foi instalada na Praça Marechal Deodoro em 28 de maio, em um esforço das autoridades de evitar a criação de uma nova Cracolândia no local.

Concentração de usuários de drogas nas proximidades da Praça Marechal Deodoro, no dia 23 de julho  Foto: Gonçalo Junior / Estadão

A base inibe a venda e uso de entorpecentes, mas não afasta totalmente os dependentes químicos.

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“Não existe nenhuma concentração de dependentes químicos e venda a céu aberto que possa se assemelhar ao que já foi um dia uma Cracolândia, em nenhum endereço da região central”, afirmou ao Estadão o vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), indicado pelo governador Tarcísio Freitas (Republicanos) como responsável pelas ações do Estado sobre o assunto.

Para a PM, não se deve falar em migração da concentração de usuários. “Não é possível afirmar que o fluxo foi para este ou aquele ponto. Não houve aumento significativo”, afirma o coronel Emerson Massera, porta-voz da corporação.

A Prefeitura, da gestão Ricardo Nunes (MDB), diz que fazer “trabalho contínuo para oferecer tratamento em saúde e atendimento social às pessoas em situação de vulnerabilidade em razão do uso abusivo de álcool e outras drogas”.

Ramuth afirma que as pessoas em situação de rua também podem ser dependentes químicos. Conforme o último Censo do Município, de 2021, havia 31,9 mil sem-teto nas ruas da capital paulista.

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“As ações de saúde e social e o Hub (centro de atendimento a dependentes químicos do poder público) permanecem abordando e encaminhando para tratamento os moradores em situação de rua que também possuem dependência química de álcool e outras drogas”, diz.

Concentração de usuários de drogas nas proximidades da Praça Marechal Deodoro  Foto: Gonçalo Junior / Estadão

A Prefeitura informa monitorar diariamente 32 ruas na região central com as equipes de saúde.

“Em locais com ocupações momentâneas ou periódicas por pessoas em situação de rua, usuárias ou não de drogas, abordagens de rotina são realizadas por 1,6 mil agentes das áreas de Saúde e Assistência Social”, afirma a gestão municipal.

Conforme o painel de monitoramento da própria Prefeitura, as cenas de uso da região da Luz registraram média de 134 pessoas durante o dia e 113 no período noturno, entre os dias 1º de maio e 28 de julho.

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O número é inferior ao trimestre anterior (março, abril e maio), quando a média foi de 183 pessoas durante o dia e 259 à noite.

Outros locais que ainda registram pequenos grupos de usuários são a Praça Princesa Isabel e a Rua Helvetia. Também estão espalhados pela Avenida Duque de Caxias e a Alameda Glete.

Quando a esquina das ruas dos Gusmões e dos Protestantes esvaziou em poucos dias, no início de maio, o prefeito Nunes chegou a afirmar que estava “surpreso” com a mudança repentina.

Secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando vê a transformação como reflexo da ofensiva das autoridades na Favela do Moinho e à intensificação das forças de segurança para coibir o tráfico de drogas no centro.

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Para Morando, também tem havido entre os dependentes químicos procura maior por tratamento médico.