Ex-delegado geral da polícia civil de SP morre na Praia Grande após ser ser baleado em uma emboscada
Ruy Ferraz Fontes teve seu carro atingido por um ônibus depois de ser alvo de disparo de criminosos. Crédito: Reprodução
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, classificou o ex-delegado-geral do Estado Ruy Ferraz Fontes, morto nesta segunda-feira, 15, em uma emboscada na Praia Grande, como uma “figura emblemática da Polícia Civil e muito atuante no combate ao crime organizado”. Derrite determinou a ida do Batalhão de Choque e de policiais civis para o litoral sul para tentar encontrar os responsáveis pela morte de Fontes.
“Estamos mobilizando o DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) nessa investigação. É algo muito triste. O doutor Ruy era uma figura emblemática da Polícia Civil e muito atuante no combate ao crime organizado. Estava aposentado desde maio de 2023. Vamos priorizar a investigação, mas já determinei a ida do (Batalhão de) Choque para a Baixada para tranquilizar a população”, afirmou ao Estadão o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite.
Nas redes sociais, o secretário anunciou a criação de uma força-tarefa. “Determinei integração de força-tarefa, com prioridade definida pelo governador Tarcísio (de Freitas), para prender os criminosos", escreveu.

Para muitos dos policiais com quem ele conversou, o assassinato de Fontes tem características de “crime de máfia”. A Inteligência Policial não havia detectado nenhuma ameaça nos dias anteriores ao atentado contra o delegado.
O Gaeco de Santos - responsável por ações penais contra o PCC na Baixada Santista - foi designado pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, para acompanhar as investigações. Entre as hipóteses investigadas está uma velha ameaça de morte que teria sido feita por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, contra o delegado quando ele dirigia a Delegacia de Roubo a Bancos, do Deic, na primeira década do século.
Em 2010, depois de deixar a delegacia, a Inteligência Policial conseguiu interceptar um plano do PCC para matar Fontes. Dois homens foram presos em frente ao 69.º DP com um fuzil. Eles estariam de tocaia para matar o policial.
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Histórico de ação contra o PCC
Fontes ficou conhecido por sua atuação contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele chefiou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022, após ser nomeado para o cargo de delegado-geral no então governo João Doria (na época no PSDB).
Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula do PCC, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
Uma das suspeitas da polícia é que a ação tenha sido obra da Sintonia Restrita, o grupo de pistoleiros do PCC responsável no passado por planos para sequestrar o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
‘Terceira grande vingança’
Caso seja confirmada a participação do PCC no crime, esta seria a terceira grande vingança promovida pela facção contra autoridades que combateram o grupo dentro e fora dos presídios.
A primeira do grupo foi o juiz-corregedor Antônio Machado Dias, assassinado em Presidente Prudente, interior de SP, em março de 2003. Rogerio Jeremias de Simone, integrante da cúpula da facção, foi acusado de ser o mandante do crime.
A segunda vítima “excelente” da facção foi o diretor de presídios José Ismael Pedrosa. Ele era o chefe do Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, quando seis detentos fundaram a facção.
Antes, chefiara a antiga Casa de Detenção do Carandiru, onde, em 2 de outubro de 1992, 111 presos foram massacrados por policiais militares. Este teria sido o motivo de seu assassinato: um ato do PCC para angariar simpatia da chamada massa carcerária.





