Metanol na bebida: perícia revela primeiras pistas como foi a adulteração; saiba os resultados

Análise foi realizada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo

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Foto do autor Gonçalo Junior
Atualização:

O que é metanol? Bebidas alcoólicas adulteradas com a substância causaram mortes em SP

Utilizado na fabricação de tintas e vernizes, produto pode gerar sequelas graves e óbitos quando ingerido. Crédito: Amanda Botelho/Estadão e Motion Array

Perícia realizada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Científica de São Paulo aponta que o metanol foi adicionado em dois grupos de garrafas de bebidas alcoólicas destiladas, apreendidas em fiscalizações na capital paulista. Isso significa que, nestes casos, o produto não foi o resultado da destilação natural, uma das hipóteses cogitadas pelos especialistas.

O instituto não divulgou, até o momento, a quantidade de garrafas analisadas nem os tipos de bebida. Também não foram informados os locais em que as garrafas foram apreendidas.

Análise em laboratório pe utilizada para encontrar indícios de adulteração nas garrafas Foto: SSP-SP/Divulgação

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O Estado de São Paulo registrou, nesta terça-feira, 7, um aumento no número de mortes confirmadas por intoxicação por metanol, além de crescimento na quantidade de casos positivos para o uso da substância.

Novo balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde registra três óbitos (eram duas mortes conforme o último boletim, divulgado na segunda-feira, 6) e 18 confirmações de contaminação por metanol — três casos a mais em relação ao levantamento anterior. São 176 casos no total, com 158 em investigação — incluindo sete óbitos que estão em análise. .

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O metanol é usado como matéria-prima para combustíveis e é impróprio para consumo humano, mas estaria sendo utilizado na falsificação de bebidas alcoólicas. Os casos, que tiveram início em São Paulo, ocorreram após o consumo de bebidas alcoólicas destiladas, como gim, vodca e uísque.

“Pode-se afirmar, até o momento, e de acordo com as concentrações encontradas, que o metanol foi adicionado, não sendo, portanto, produto de destilação natural”, diz trecho da nota emitida pelo órgão.

Desde a última sexta-feira, o Instituto de Criminalística trabalha 24 horas nas perícias das amostras apresentadas pela Polícia Civil, assim como na análise de rótulos e lacres dos recipientes.

Cada uma das garrafas apreendidas passa por uma sequência rigorosa de análises que começa na verificação dos rótulos, selos e lacres e avança até os exames químicos, onde são identificados e quantificados os níveis de metanol.

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Quais são as principais linhas de investigação?

Embora o Instituto de Criminalística não tenha divulgado a quantidade de garrafas analisadas com adição de metanol, os resultados contradizem a principal linha de investigação da polícia.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, afirmou que, naquele momento, as investigações apontavam contaminação durante o processo de adulteração das bebidas.

“A principal suspeita da Polícia Civil é que, durante o processo de adulteração, o etanol que está sendo utilizado nessas instalações clandestinas, seja um etanol de baixa qualidade, contaminado pelo metanol”, afirmou Derrite.

A força-tarefa que fiscaliza bares e distribuidoras desde a semana passada interditou 11 estabelecimentos: 7 na capital, 2 em Osasco, 1 em São Bernardo do Campo e 1 em Barueri. Quase 20 mil amostras de garrafas de bebida alcoólica foram apreendidas para análise.

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Além de ações por parte de governos estaduais, a Polícia Federal também abriu inquérito para investigar os casos.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmou nesta terça-feira, 7, que uma das hipóteses investigadas pela Polícia Federal é de que o metanol utilizado para adulterar bebidas tenha origem em caminhões e tanques abandonados pelo crime organizado após Operação Tank.

Na quinta-feira, 2, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também anunciou um conjunto de ações estratégicas. Uma sala de situação foi criada para monitorar e coordenar a resposta nacional.

O Ministério da Saúde disse que iniciou a distribuição de etanol farmacêutico, antídoto utilizado no tratamento de pacientes intoxicados por metanol, aos Estados que formalizaram pedido de reforço de estoque. / COLABORARAM CAIO POSSATI e PAULA FERREIRA

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