COP-30: negociação de adaptação climática avança sob pressão de desastres, como o tornado no Paraná

Tema é um dos itens principais da conferência da ONU que busca definição de indicadores para adaptação contra efeitos do aquecimento global

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Foto do autor Paula Ferreira
Atualização:

‘COP-30 em 30′: Presidência da Cúpula encontra solução para lidar com assuntos ‘espinhosos’

‘COP-30 em 30’ é apresentado por Ajinomoto, BNDES, Governo Federal do Brasil, Governo do Pará, Hydro e JBS e patrocinado por Aegea, Agropalma, Ypê e Zurich. Crédito: Carla Menezes | Julia Pereira | TV Estadão

ENVIADA ESPECIAL A BELÉM- Com catástrofes naturais cada vez mais frequentes, a adaptação climática é uma necessidade urgente. Na largada da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), que começou oficialmente na segunda-feira, 10, o tema ocupou as salas de negociação.

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Segundo negociadores ouvidos pelo Estadão, a expectativa é de que até o fim da semana seja fechada a lista de indicadores para compor a meta geral de adaptação. As rodadas serão lideradas pela Alemanha (vice-ministro Jochen Flasbarth) e pela África do Sul (ministro Dion George).

Após o primeiro dia de negociações, países africanos e árabes são vistos como as partes mais sensíveis na negociação e que podem oferecer resistência. Os debates giram em torno de cerca de 100 indicadores para conter a meta global de adaptação. Esses parâmetros abordam temas como saúde, educação, entre outros.

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A presidência da COP fez uma rodada de consultas com os países para identificar entraves e tentar agilizar negociações.

A expectativa dos negociadores brasileiros é que, nesta terça-feira, 11, haja apoios à meta de triplicar recursos para adaptação climática, principalmente por parte dos países da América Latina, que sofrem com o problema. As nações ricas, no entanto, seguem na “retranca”.

O aumento do financiamento tem sido um dos pontos mais sensíveis das conversas entre as delegações.

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“A agenda de adaptação, nesses momentos de disputa, sempre acaba perdendo. É o momento de maior pressão para ser aprovado o quanto antes, ainda mais que não são indicadores mandatórios, mas voluntários ”, explica Fernanda Bortolotto, especialista em política climática da TNC Brasil.

O tema é um dos tópicos presentes na agenda desta COP e é de interesse especial do Brasil, que tem sofrido com catástrofes climáticas como as chuvas recorde do Rio Grande do Sul em 2024, a seca na Amazônia e, mais recentemente, o tornado no Paraná, que deixou seis mortos e um rastro de destruição no fim de semana.

Região de Rio Bonito do Iguaçu foi castigada por um tornado Foto: Ari Dias/AEN

Furacões, secas, enchentes, incêndios. Os eventos extremos estão cada vez mais frequentes e atingem diversos países, transformando o modo de vida das populações. Estudo inédito feito pela TNC mapeou iniciativas feitas pelas comunidades locais na Amazônia e no Cerrado para se adaptar à nova realidade.

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“A Floresta Amazônica atua como regulador natural do clima, armazenando carbono, mantendo a umidade atmosférica e alimentando os rios voadores que distribuem chuvas por grande parte da América do Sul — fundamentais para a agricultura e o abastecimento de água", diz o estudo.

Conservação dos rios na Bacia do Tapajós

Na bacia do Rio Tapajós, ribeirinhos do Movimento dos Pescadores e Pescadoras do Baixo Amazonas (Mopebam) implementaram acordos de pesca nos quais a comunidade define, monitora e fiscaliza as regras da pesca na região. Com isso, os ribeirinhos definem áreas de pesca e quando ela deve ocorrer, garantindo a vida no ecossistema.

Além da autogestão dos recursos naturais, os ribeirinhos promovem o reflorestamento das margens do rio. Os pescadores diversificam a produção por meio de hortas suspensas e turismo local. Isso retira a pressão sobre a pesca e garante que o ecossistema permaneça saudável.

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Pescadores do baixo Amazonas fazem gestão da pesca Foto: DANIEL GUTIERREZ GOVINO

Na Terra do Meio, seca levou povos a diversificarem produção

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Chamada de “Terra do meio” por ficar entre os rios Xingu e Iriri, a região localizada no Pará, sede da COP-30, é um dos exemplos de adaptação climática.

Com o modo de sobrevivência pautado principalmente na extração da castanha-do-pará, a Terra do Meio foi atingida em cheio pela seca que assolou a Amazônia em 2024, prejudicando a colheita do alimento.

Diante do impasse, com o sustento prejudicado, os povos locais iniciaram um processo de diversificação da produção, incluindo alimentos adaptados à seca e ao calor extremo. Assim, os povos tradicionais começaram a plantar mandioca, abóbora, batata-doce, banana, milho e frutíferas nativas.

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Além desses produtos, o artesanato é fonte importante de renda para as comunidades locais, que vendem esses produtos a partir da articulação da “Rede Terra do Meio”.

Produção de artesanato na Terra do Meio é uma das fontes de renda Foto: Priscila Tapajowara

No Oiapoque, indígenas adaptam a roça ao clima

Com a mudança do clima e alteração nos ciclos de chuva, houve a disseminação da praga conhecida como “vassoura de bruxa” nas plantações de mandioca de indígenas do Oiapoque.

A escassez da mandioca, alimento base da cultura indígena, pressionou a segurança alimentar das comunidades locais. Com isso, após demandas dos indígenas, em 2024, o governo do Amapá iniciou um processo de adaptação climática na região, distribuindo sementes de mandioca a cerca de 500 famílias e prestando assistência técnica.

Nesse processo, os povos indígenas compartilharam o conhecimento sobre cultivo e as variedades mais resistentes às mudanças do clima. Com auxílio da Embrapa foi instalada uma câmara para multiplicação de mudas de mandioca livre de pragas.

“O replantio comunitário de variedades adaptadas, aliado à ciência e à gestão coletiva, consolidou-se como exemplo de adaptação climática liderada por povos indígenas”, acrescenta a pesquisa.

Indígenas no Oiapoque combatem praga para salvar plantação Foto: Priscila Tapajowara

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