COP-30 tem nova manifestação de indígenas contra projetos na Amazônia

Protesto ocorre um dia após o secretário da ONU cobrar o governo brasileiro sobre reforço na segurança

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Foto do autor Karla Spotorno
Atualização:

Indígenas Mundurukus protestam em frente à COP-30

Presidente da COP-30, André Corrêa do Lago, e CEO da conferência, Ana Toni, negociam com manifestantes. Crédito: Paula Ferreira

ENVIADAS ESPECIAIS A BELÉM - Uma manifestação dos indígenas Mundurukus bloqueou o acesso principal da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), em Belém, no início da manhã desta sexta-feira, 14. Eles protestam contra o plano de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, além de projetos de créditos de carbono. A entrada para a conferência da ONU foi feita por uma entrada lateral.

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Ao menos duas dezenas de carros da Polícia Militar, bombeiros e agentes da Força Nacional estão de guarda. A manifestação ocorreu um dia após o secretário para o Clima das Nações Unidas, Simon Stiell, cobrar do governo brasileiro melhorias no esquema de segurança e na infraestrutura para o evento ambiental, que teve 56 mil inscritos. O Ministério da Casa Civil afirma estar tomando providências.

O principal alvo das queixas é o Plano Nacional de Hidrovias, colocando o Tapajós, o Madeira e o Tocantins como eixos prioritários para navegação de cargas. Para os Munduruku, o decreto “abre a porteira” para novas dragagens, derrocamento de pedrais sagrados e expansão acelerada de portos privados.

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O presidente da COP-30, o embaixador André Corrêa do Lago, falou com os manifestantes indígenas em frente ao espaço onde ocorre a conferência Foto: Wilton JuniorEstadão

Como o Estadão mostrou, há uma série de megaprojetos previstos pelo governo federal na Amazônia, que podem ser acelerados com o novo licenciamento ambiental. A gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem afirmado buscar a qualidade técnica e segurança ambiental desses empreendimentos.

Os manifestantes também protestam contra projetos de crédito de carbono, considerados por eles como uma “venda da floresta”.

Presidente da COP pega indígena no colo durante manifestação FOTO: WILTON JUNIOR/AE Foto: WILTON JUNIOR

O presidente da COP-30, embaixador André Corrêa do Lago, falou com as lideranças indígenas e disse serem “legítimas” as reinvindicações do grupo. “Vamos conversar, vamos dialogar”, afirmou à imprensa logo após ir até o protesto, junto da CEO da conferência, Ana Toni.

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Corrêa do Lago deixou a entrada da Zona Azul de mãos dadas com as lideranças indígenas e foi para um prédio vizinho, onde uma reunião com as lideranças foi realizada.

Lideranças dos mundurukus conversam com André Corrêa do Lago, presidente da COP-30, e ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) Foto: Daleth Oliveira/Amazon Watch

Questionada sobre se a manifestação interfere os trabalhos da COP-30, a CEO, Ana Toni, disse que “de jeito nenhum”. Conforme o Estadão apurou, “algumas coordenações tiveram de ser adiadas ou não aconteceram com todos os grupos presentes”.

Após o protesto, Corrêa do Lago e as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) se reuniram com os manifestantes.

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Indígenas Munduruku protestam diante da Zona Azul da COP-30. FOTO: WILTON JUNIOR/AE Foto: WILTON JUNIOR

Durante a reunião, Guajajara diferenciou o movimento desta sexta-feira da manifestação que ocorreu na terça-feira, quando houve a invasão da Zona Azul.

“Vocês chegaram hoje pacíficos, com documento, chamando para falar e a gente feio falar. É diferente do outro que chegou quebrando tudo sem pedir para falar com ninguém. Eles não estavam pedindo diálogo, eles chegaram já destruindo”, disse.

Na noite de terça-feira, 11, um grupo de indígenas e integrantes do Coletivo Juntos, ligados ao PSOL, tentou acessar a área restrita a credenciados e foram contidos pela segurança.

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Os manifestantes conseguiram ultrapassar o sistema de raio X, mas foram parados por um bloqueio antes de acessarem o local. Dois seguranças ficaram feridos e portas da entrada foram quebradas.

Ao final da reunião com as lideranças indígenas, Corrêa do Lago, Marina Silva e Guajajara falaram com a imprensa. A ministra dos Povos Indígenas afirmou que o protesto é legítimo e disse que informou os indígenas sobre o processo demarcatório de terras de interesse dos Munduruku. “Vamos seguir providenciando para que a gente avance nesses processos até o final ainda deste ano”, disse.

Já a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o Ibama fará uma nova ação de fiscalização no território dos indígenas Munduruku, após denúncias de novos invasores. Sobre a Ferrogrão, Marina disse que “não existe um pedido de licenciamento dentro do Ibama, esse processo está judicializado”, afirmou.

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A ministra disse ainda que vai encaminhar as denúncias e reivindicações ao Ministério de Minas e Energia e ao ministério dos Transportes.

André Corrêa do Lago afirmou que a presidência da COP vai tentar “levar adiante todas as preocupações que eles têm”, disse.

Na saída da reunião, a líder Alessandra Munduruku afirmou que não considera que o objetivo do grupo tenha sido alcançado. “A gente quer falar com o presidente Lula”, disse.

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