A decisão de Donald Trump de tirar os Estados Unidos das negociações sobre as mudanças climáticas foi um dos temas centrais no 16º Diálogo Climático de Petersberg, realizado na semana passada. O presidente da próxima Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), o embaixador André Correa do Lago, e a secretária nacional de mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, participaram do evento, em Berlim.
O Diálogo Climático é um dos poucos eventos internacionais de ministros dessa área e/ou seus principais representantes, reunindo líderes dos países mais vulneráveis e as principais nações industrializadas do G2-0, com exceção dos Estados Unidos. Os debates são preparatórios para a COP-30, que acontece em novembro, em Belém, no Pará – a primeira reunião de cúpula do clima realizada na Amazônia Legal.
“Nessa reunião começou a se desenhar o óbvio: na agenda do clima, o mundo tem um inimigo comum, os Estados Unidos”, afirmou o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, em sua coluna semanal para a Rádio Eldorado, do Grupo Estado.

Além de já ter anunciado a saída do Acordo de Paris, pacto assinado por quase 200 nações para frear o aquecimento global, Trump tem ainda cortado financiamentos para a ciência, sobretudo a relacionada à crise climática. Também na semana passada, em encontro em Pequim, chanceleres da França e da China debateram “parceria forte” entre os países e aliança para “resistir” a Trump.
Em sua coluna na Rádio Eldorado para tratar dos temas mais relevantes da COP-30, Astrini contou que o encontro de Petersberg debateu também a importância do multilateralismo no combate ao aquecimento global e ainda a decisão política de implementar as medidas que já foram acordadas nesse sentido.
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“Eles admitiram que, há muito tempo, o processo vem perdendo credibilidade porque não entrega as respostas necessárias para a crise climática, mas, ao mesmo tempo, reforçaram o espírito de trabalhar juntos e de tirar do papel ações negociadas há anos e, finalmente, implementá-las”, contou Astrini.
“Foi debatida também a necessidade da transição do uso de combustível fóssil, que é responsável por 80% do aquecimento, e começa a se delinear a possibilidade de o assunto ser debatido na COP-30.”





