Primeira semana da COP-30 termina ‘morna’, com poucos avanços no tema mais esperado; entenda

Negociações de adaptação, que envolvem políticas para diminuir impacto de catástrofes e danos do aquecimento global, frustram expectativas

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Atualização:

‘COP-30 em 30’: Marcha pelo Clima vai às ruas neste sábado, um dia após nova manifestação indígena

O quinto dia da COP-30 foi marcado por mais uma manifestação de povos indígenas na entrada da Zona Azul. Crédito: Produção, Roteiro, Imagens: Carla Menezes e Júlia Pereira; Edição: Larissa Kinoshita

ENVIADAS ESPECIAIS A BELÉM - Apesar das expectativas de avanços significativos em temas importantes como adaptação climática, a primeira semana da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) terminou de forma morna em Belém, sem grandes conquistas.

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O principal trunfo da Presidência, obtido ainda no primeiro dia de Cúpula, de evitar uma trava na agenda devido a temas espinhosos, como financiamento climático, segue em aberto, apesar da expectativa de um desfecho ainda nesta semana. Segundo o presidente André Corrêa do Lago, neste domingo, 16, será divulgado um documento com as propostas para dar andamento aos tópicos sensíveis.

“As partes vão decidir como elas querem proceder. Estamos fazendo um exercício movido pelas partes”, disse o presidente da COP-30 na noite de sábado, 15.

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Corrêa do Lago quer que a conferência fique conhecida como a 'COP da adaptação'; justamente esse tema, porém, terminou frustrando as expectativas Foto: Wilton Junior/Estadão

Corrêa do Lago quer que a conferência fique conhecida como a “COP da adaptação”. Justamente esse tema, porém, terminou frustrando as expectativas. Adaptação era um dos itens da agenda em que se esperava que houvesse avanços mais concretos nessa semana técnica, que precede a vinda de ministros para as negociações mais políticas.

Em adaptação, são negociadas políticas para diminuir o impacto das catástrofes e outros danos do aquecimento global. Entre essas políticas estão os parâmetros que devem compor a meta geral de adaptação (GGA, na sigla em inglês) e o financiamento para fazê-la.

Os indicadores vêm sendo discutidos há dois anos e passaram de 9 mil para cerca de cem. A presidência brasileira da COP trabalhava para que o martelo fosse batido e os critérios definidos na largada da conferência.

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O grupo de países africanos, no entanto, teme que os parâmetros estabelecidos sejam de alguma forma vinculados ao financiamento para adaptação às mudanças climáticas. Devido a isso, acredita que a definição de indicadores possa servir como uma “armadilha” para apontar o dedo a esses países e negar transferência de recursos. Desde o começo da semana, o grupo tem dificultado um avanço nas conversas, assim como os países árabes, que costumam utilizar a pauta de adaptação como barganha para ganhar apoio em outras decisões de seu interesse, como na área de mitigação.

Por outro lado, fluem melhor as discussões sobre os indicadores que vão mensurar o avanço da implementação das medidas de adaptação – o que também inclui financiamento para adaptação. Nesse debate, diferentes grupos também se opõem.

De um lado, os países em desenvolvimento não querem que os recursos que eles mesmo destinam para essas medidas sejam contabilizados no US$ 1,3 trilhão necessário para financiamento climático. Isso porque, segundo o Acordo de Paris, a assistência financeira deve vir, principalmente, dos países ricos para os em desenvolvimento.

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A análise de alguns observadores que acompanham as negociações é de que a presidência da COP investiu muita energia nas consultas paralelas de temas espinhosos (financiamento, NDCs, medidas unilaterais de comércio e relatórios de transparência) para evitar uma trava de agenda - o que acabou tendo consequências em outras negociações prioritárias, como a de adaptação.

Apesar da decepção com o tema da adaptação, observadores que acompanham as negociações classificaram essa primeira semana como “típica”. “Acho que é mais incômodo do que preocupação (em relação à adaptação). Por ora, as partes seguem confiando na condução da Presidência, o que é importante para amarrar as coisas no final”, disse o especialista em política internacional e clima do Instituto Climainfo, Bruno Toledo Hisamoto.

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Para Natalie Unterstell, especialista em Mudança do Clima e presidente do Instituto Talanoa, essa primeira semana foi mais animadora que a da COP-29, realizada em Baku, no Azerbaijão. “As partes estão engajadas, estão querendo construir”.

Entre as negociações que avançaram um pouco estão as relacionadas à transição justa. Trata-se de um item em que são discutidas formas de fazer uma transição para uma economia menos poluente garantindo direitos de trabalhadores e comunidades afetadas. Um novo texto sobre o tema foi formulado pelos negociadores e será encaminhado para as discussões de nível mais político, que começam na segunda-feira, 17.

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