No Pará, carimbó, brega e Arraial do Pavulagem botam todo mundo para dançar; saiba onde em Belém

Ouvir os ritmos paraenses e até arriscar uns passos é parte da viagem a essa região amazônica. Veja lugares para conhecer a cultura, repleta de influências indígenas e negras

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Foto do autor Nathalia Molina
Atualização:

Museu das Amazônias, em Belém

Como é a nova atração, que valoriza a gente da região e tem só exposições temporárias. Crédito: Nathalia Molina/Estadão

“Terra vai tremer!” O grito no palco do Global Citizen Festival causou imediato furor na plateia do Estádio do Mangueirão, no evento realizado no pré-COP. O público presente, na maioria, moradores de Belém, entendeu a convocação e ecoou a música entoada pelo Arraial do Pavulagem. Embora o brega e o carimbó sejam os ritmos paraenses conhecidos no Brasil todo, o Estado é dono de uma cultura plena de influências indígenas, negras e portuguesas. Entrar em contato com essa riqueza faz parte de uma viagem ao destino.

Arraial do Pavulagem: arrastão cultural passa por diversos pontos de Belém, como o Theatro da Paz Foto: Miguel De Sa/ Adobe Stock

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Escutar Dona Onete cantar a história da garça namoradeira e do urubu malandro no Mercado Ver-O-Peso, ajuda a entender o jogo de conquista que o carimbó coreografa e a relação dos paraenses com rio, peixes e o próprio Veropa, como chamam o ponto de comércio popular. Desde 2014, o carimbó é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Um dos grandes, Pinduca, ou Rei do Carimbó, continua dando o show – fez alguns agora na 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática (COP-30).

Ouvir o Mangueirão cantando naquele evento pela Amazônia me deu a dimensão do que o Instituto Arraial do Pavulagem simboliza para a população com seus cortejos pela cidade. Chamada de arrastão, a iniciativa do Instituto Arraial do Pavulagem foi declarada Manifestação da Cultura Nacional no ano passado. Atrai famílias inteiras para desfilar, com chapéus de fitas azuis, amarelas, vermelhas e verdes.

O brega pop de Gaby Amarantos e da Banda Calypso, de Joelma, até tocam no País todo. O Curió do Bico Doce, de Gonzaga Blantez, ficou famoso no carimbó de Ritinha, personagem de Isis Valverde em A Força do Querer, novela de 2017. Saiba onde conhecer mais sobre ritmos e danças paraenses, como o siriá, na viagem a Belém:

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Carimbó da Feira do Açaí

O encontro aos domingos, a partir das 17h, reúne jovens como o grupo Carimbó Selvagem, que ajuda a perpetuar a tradição paraense. No meio de 2024, diante da reforma feita na região para a COP-30, divulgaram um manifesto pedindo transparência sobre a manutenção do carimbó no quiosque da Feira do Açaí do Mercado Ver-O-Peso. Agora precisa explicar os códigos aos visitantes; uma publicação no perfil do Instagram pede para: não jogar lixo no chão, não fazer xixi na rua, não fumar e não levar bebida para o meio da roda.

Arraial do Pavulagem

O que começou como um boi há 38 anos agora promove arrastões culturais por Belém. Segundo o instituto, cerca de 140 mil pessoas participam dos cortejos em datas específicas pela cidade. Tem trabalhos de sustentabilidade: em 2025, “já recolheu 2,5 toneladas de resíduos recicláveis e promove ações como plantio de mudas, reaproveitamento de materiais e educação ambiental por meio de parcerias”.

Espaço Cultural Apoena

O espaço junta gastronomia típica com música regional. As apresentações vão do carimbó ao brega. Neste domingo, o Clube da Guitarrada comemora lá seus oito anos de existência; veja. A guitarrada também foi declarada Manifestação da Cultura Nacional em julho deste ano.