Foguete brasileiro sobe, mas carga útil se perde no mar

Segundo cálculos da base espacial, a carga útil deve ter caído no mar por volta das 12h40

NATUZA NERY, REUTERS

19 Julho 2007 | 20h01

O Brasil conseguiu lançar o foguete VSB-30, mas perdeu no mar a carga útil do veículo de sondagem com os nove experimentos científicos que levou ao espaço. As equipes de resgate da Aeronáutica tentaram encontrar o módulo durante toda esta tarde, mas desistiram definitivamente da busca ao cair da noite, informou o comando da missão. Segundo cálculos da base espacial, a carga útil deve ter caído no mar por volta das 12h40. Sem sucesso, dois helicópteros da Força Aérea e um navio da Marinha estavam de prontidão para completar a Operação Cumã2. "Não há nenhuma chance de encontrar a carga útil. A maior probabilidade é de que tenha afundado", afirmou à Reuters o coordenador-geral da operação, tenente-coronel Fausto Ivan Barbosa. Esta seria a primeira vez que o Brasil lançaria experimentos ao espaço em um foguete próprio, a partir de um centro militar localizado em território nacional. O objetivo era analisar os experimentos em ambiente de microgravidade. Alguns dos testes, no entanto, ainda podem ser aferidos remotamente, por telemetria. "Alguns deles dependiam de sensores dentro da carga e que foram recebidos por antena", completou. Com o custo de 1,25 milhão de dólares, o VSB-30 fez um vôo de 20 minutos, sendo cerca de 6 minutos e meio em situação de aparente ausência de peso. Um pára-quedas acoplado à carga útil garantiria a queda do módulo sem que o conteúdo submergisse. A hipótese mais provável é de falha nesse aparelho. Dois outros foguetes VSB-30 serão lançados neste ano, informou Barbosa, mas a partir de uma base espacial localizada na Suécia, como ocorreu em 2005 e 2006. Em outubro, o Brasil tentará mais uma vez levar experimentos ao espaço, mas por meio de um foguete de tecnologia inferior ao VSB-30. "FIASCO" Após sete tentativas sem sucesso de lançar o protótipo ao longo da última semana, a base de Alcântara havia anunciado o êxito do lançamento. Apesar de frustrada, a Aeronáutica diz que a missão não foi um "fiasco". "Seria errado falarmos em fiasco. É uma operação muito grande e muito difícil de ser atingida", adicionou o militar. O VSB-30 pesa 2,5 toneladas, foi construído em parceria com a agência espacial alemã, tem 12 metros de comprimento, mas não chega a entrar em órbita. Apenas atinge as camadas exteriores da atmosfera. Alguns dos estudos escolhidos são continuações dos que foram conduzidos pelo astronauta brasileiro Marcos Pontes na Estação Espacial Internacional (ISS), no ano passado. Havia projetos considerados estratégicos, como o desenvolvimento de um sistema nacional de guiagem de foguete brasileiros. DÉCADAS DE ATRASO O Brasil coleciona frustrações nesta área. Em 2003, uma descarga elétrica incinerou o Veículo Lançador de Satélite (VLS) às vésperas de seu lançamento, matando 21 pessoas que trabalhavam na ocasião. Alguns especialistas atribuem as cinco décadas de atraso do Programa Espacial aos parcos investimentos e à militarização do setor. Analistas afirmam que o país poderia superar as atuais dificuldades se a gestão fosse passada às mãos civis.

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