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Poroshenko promete plano de cessar-fogo após conversas 'muito duras' com Putin

ALEXEI ANISHCHUK E NATALIA ZINETS - REUTERS

26 Agosto 2014 | 21h 41

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, prometeu trabalhar em um plano de cessar-fogo urgente para encerrar o conflito separatista no leste da Ucrânia, depois de conversas com seu colega russo, Vladimir Putin, que se estenderam noite adentro.

As primeiras negociações entre os dois líderes desde junho foram descritas por Putin como positivas, mas ele disse que não cabe à Rússia detalhar os termos da trégua entre o governo de Kiev e as duas regiões rebeldes da Ucrânia.

"Não discutimos isso substancialmente, e nós, a Rússia, não podemos discutir substancialmente as condições de um cessar-fogo, de acordos entre Kiev, Donetsk e Luhansk. Isso não é assunto nosso, cabe à própria Ucrânia”, declarou ele a repórteres no começo da quarta-feira (horário local).

“Só podemos contribuir para criar uma situação de confiança para um possível, e a meu ver extremamente necessário, processo de negociação.”

Poroshenko, depois de duas horas de conversas em particular que ele descreveu como “muito duras e complexas”, afirmou à imprensa: “Um roteiro será preparado para se chegar assim que possível a um regime de cessar-fogo, que definitivamente precisa ter um caráter bilateral.”

Apesar do tom otimista, não ficou claro como os rebeldes irão reagir à ideia da trégua, o quão cedo ela pode ser acordada e quanto tempo pode durar.

E como Putin insiste que os detalhes são assunto interno de Kiev, não houve sinal de progresso em um ponto da discórdia fundamental: as acusações ucranianas de que Moscou está enviando armas e combatentes para ajudar os separatistas e as firmes negativas da Rússia.

Os dois líderes apertaram as mãos no início das conversas na capital bielorrussa, Minsk, poucas horas depois de Kiev afirmar ter capturado soldados russos em uma “missão especial” em território ucraniano.

Reagindo a um vídeo das tropas detidas, uma fonte do Ministério da Defesa russo declarou a agências de notícias de seu país que os homens cruzaram a fronteira por engano. Mas o porta-voz dos militares ucranianos repudiou a afirmativa, desdenhando da ideia de que “os paraquedistas se perderam como Chapeuzinho Vermelho na floresta”.

A chefe de Política Externa da União Europeia, Catherine Ashton, e líderes de Belarus e Cazaquistão também participaram da reunião em Minsk. Ashton declarou a repórteres sobre o encontro: "Foi cordial, mas positivo. Ficou a sensação de que o ônus é de todos, para ver se podem fazer o melhor para tentar resolver isto.”

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) obtido pela Reuters relata que mais de 2.200 pessoas já morreram nos confrontos.

Putin exortou seu colega ucraniano a não intensificar a ofensiva contra os rebeldes pró-Moscou e ameaçou uma retaliação econômica pela assinatura de um acordo comercial com a União Europeia que afastaria os bens russos do mercado do bloco.

Poroshenko respondeu exigindo que a Rússia interrompa o envio de armamentos para os combatentes separatistas.

(Reportagem adicional de Andrei Makhovsky, Alessandra Prentice, Richard Balmforth, Pavel Polityuk, Thomas Grove e Anton Zverev)