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Ucrânia alerta Europa sobre corte de gás da Rússia; Moscou nega

NATALIA ZINETS - REUTERS

27 Agosto 2014 | 19h 17

A Ucrânia alertou a Europa nesta quarta-feira que a Rússia pode cortar o fornecimento de gás para o continente no inverno, mas o governo russo respondeu que o abastecimento será mantido apesar dos embates políticos.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseny Yatseniuk, disse que Kiev sabia dos planos russos para interromper o fluxo de gás durante o inverno europeu, no fim do ano, comentário que foi prontamente negado pelo ministro russo da Energia, Alexander Novak.

"A situação do setor de energia (da Ucrânia) é difícil. Sabemos dos planos da Rússia de bloquear o tráfego (de gás) até para países da União Europeia neste inverno, e é por isso que suas empresas (da UE) receberam a ordem de armazenar gás na Europa o máximo possível”, declarou Yatseniuk em uma reunião de governo, sem revelar como sabia dos planos russos.

A Rússia já chegou a interromper o envio de gás para a Ucrânia, importante rota de passagem do gás para a UE, três vezes na década passada – em 2006, 2009 e desde junho deste ano, por causa da discórdia sobre preços com Kiev.

A estatal russa Gazprom disse em mais de uma ocasião que é uma fornecedora confiável para a UE, seu maior mercado, e que o fluxo de gás para o continente foi interrompido em 2006 e 2009 tão somente porque a Ucrânia se apropriou de parte do gás destinado aos europeus para dar conta de sua demanda interna no inverno.

Uma fonte do ministério russo afirmou ser mais provável a Ucrânia repetir a prática do que a Rússia cortar o gás. A Gazprom não quis comentar de imediato.

O alerta de Kiev foi feito menos de 24 horas depois de um encontro entre o presidente russo, Vladimir Putin, seu colega ucraniano, Petro Poroshenko, e o principal diplomata europeu do setor de energia, Guenther Oettinger, que incluiu conversas para garantir o suprimento de gás russo durante os meses mais severos do inverno.

Autoridades da UE declararam não acreditar que a Rússia suspenda o fornecimento aos consumidores europeus, mas Oettinger, falando em Ungheni, na Moldávia, disse que “temos um plano B para a pior das hipóteses, mas esperamos não precisar dele”.

(Reportagem adicional de Barbara Lewis, em Bruxelas; e de Luiza Ilie, em Ungheni)