A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo, 25, após uma virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, abre uma nova etapa de desafios políticos, econômicos e institucionais. A vitória garante mais quatro anos ao petista no Palácio do Planalto, mas não afasta as dificuldades que marcaram o terceiro mandato.
Entre os obstáculos estão o fortalecimento da oposição no Congresso, a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), as investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente e as dificuldades para cumprir promessas de campanha em meio às restrições orçamentárias.
Veja 9 análises do Estadão sobre a disputa eleitoral.
Marcelo Godoy: Um governo que recomeça sob a ameaça de uma delação premiada
Marcelo Godoy avalia que Lula iniciará o quarto mandato sob o risco de novos desdobramentos da investigação sobre as relações de seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger, que declarou ter intenção de firmar um acordo de delação premiada.
“Um fantasma ronda o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva: o fantasma da delação da lobista Roberta Luchsinger”, escreve.
O colunista aborda movimentações financeiras investigadas pela Polícia Federal e questiona quais provas a empresária poderá apresentar para sustentar suas acusações. A defesa de Lulinha nega irregularidades, e as declarações de Luchsinger ainda dependem de comprovação. Godoy também aponta a crise do Banco Master e os desafios da segurança pública como potenciais focos de desgaste para o novo governo.
Leia a íntegra da análise de Marcelo Godoy.
Ricardo Corrêa: Soberba de Flávio e reação da militância dão a Lula um novo mandato, que tende a ser mais desafiador
Para Ricardo Corrêa, a postura de Flávio Bolsonaro, que demonstrou confiança excessiva na vitória, e a mobilização da militância petista contribuíram para a virada de Lula no segundo turno. O colunista avalia, porém, que a reeleição não significa um cenário mais favorável ao presidente.
“Mas no quarto mandato, o cenário à espera é bem mais desafiador”, afirma.
Corrêa aponta que Lula enfrentará um Congresso mais hostil, sobretudo no Senado, além de possíveis questionamentos jurídicos relacionados à prorrogação da votação neste domingo. Também destaca as dificuldades fiscais para cumprir promessas de campanha que ainda não têm recursos previstos no Orçamento.
Leia a íntegra da análise de Ricardo Corrêa.
Carolina Brígido: Mesmo com vitória de Lula, ministros do STF ainda correm risco de sofrerem impeachment
Carolina Brígido avalia que a reeleição de Lula não afasta o risco de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a colunista, a decisão de Cristiano Zanin de prorrogar a votação do segundo turno ampliou o confronto político em torno da Corte e provocou críticas de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Com o despacho deste domingo, Zanin se une a Alexandre de Moraes na fila do impeachment”, escreve.
A colunista destaca a reação do senador Rogério Marinho (PL-RN), que criticou a decisão de Zanin, e afirma que a disputa pela presidência do Senado será decisiva para o futuro dos pedidos de afastamento de ministros. Em sua análise, Lula precisará manter a interlocução com o STF para governar, ao mesmo tempo que enfrentará a pressão de parlamentares bolsonaristas sobre a Corte.
Leia a íntegra da análise de Carolina Brígido.
Francisco Leali: Reeleição de Lula é alerta para governo corrigir muita coisa porque o bolsonarismo está logo ali
Para Francisco Leali, a vitória de Lula representa uma nova oportunidade de governo, mas também um alerta sobre os erros que permitiram a Flávio Bolsonaro chegar perto da Presidência. O colunista afirma que o petista precisará rever estratégias políticas e administrativas para responder às expectativas dos eleitores.
“A vitória pode até embaçar os erros, mas é preciso olhar para o outro lado”, escreve.
Leali destaca a importância da mobilização digital no segundo turno e avalia que Lula não poderá depender apenas das realizações de governos anteriores para manter o apoio popular. Segundo o colunista, a proximidade política com integrantes do Supremo envolvidos em questionamentos públicos e as relações de familiares do presidente também exigem atenção no novo mandato. Para ele, o resultado demonstra que o bolsonarismo permanece uma força política relevante.
Leia a íntegra da análise de Francisco Leali.
Raquel Landim: Lula vence e prevalece o medo da volta do bolsonarismo
A colunista Raquel Landim afirma que a eleição presidencial deste ano foi decidida pelas rejeições. “Quando parecia que Flávio venceria, prevaleceu o medo da volta do bolsonarismo. E o brasileiro disse não”. Segundo ela, o cenário indica que será difícil para Lula governar, sobretudo diante de uma possível crise econômica em 2027.
Leia a íntegra da análise de Raquel Landim.
Carlos Pereira: Reeleito, Lula terá a oportunidade de construir um legado que ultrapasse sua liderança pessoal
O colunista Carlos Pereira diz que Lula precisa “corrigir erros, inclusive na política macroeconômica”, para manter seu legado. Poucos líderes tiveram tantas oportunidades de moldar os rumos do Brasil. Lula governou em contextos distintos, atravessando ciclos de crescimento, crises econômicas e grandes escândalos de corrupção. Sua contribuição para a inclusão social é reconhecida. Mas um legado depende também da capacidade de corrigir erros.
Leia a íntegra da análise de Carlos Pereira.
Fabiano Lana: Bolsonarismo perde para si mesmo e militância salva Lula nas eleições
Em sua coluna, Fabiano Lana destaca que a vitória de Lula, conquistada após promessas bilionárias e populismo, implica em um governo diante de um Congresso dividido e uma oposição forte. “Lula ganhou, mas não levou tudo. A sociedade segue cindida e mobilizada. O antipetismo se firma como uma força política descomunal. A oposição será muito mais forte no Congresso e pode inviabilizar seu governo. Mesmo triunfante, o presidente tem uma crise instalada e de grandes proporções para enfrentar”.
Leia a íntegra da análise de Fabiano Lana.
Diogo Schelp: Para fazer jus a vitória surpreendente, Lula precisa incorporar desejo de mudança a novo mandato
Diogo Schelp afirmou que, apesar de ter sido eleito para o quarto mandato, o presidente Lula depende de convencer a população de que é capaz de promover mudanças. “Lula se elegeu apesar desse desejo de mudança, não por causa dele. Se quiser sobreviver politicamente no cargo, precisará incorporá-lo ao seu governo”, afirmou. Segundo o colunista, a mudança de rumo urgente deve começar pela “busca de equilíbrio nas contas públicas”.
Leia a íntegra da análise de Diogo Schelp.
Sergio Denicoli: Janones coloca 5% da população brasileira em um canal de WhatsApp e reelege Lula
O colunista Sergio Denicoli destaca o papel do deputado federal André Janones na virada conquistada por Lula no segundo turno da disputa presidencial. “Mobilização digital e queda da abstenção impulsionam petista à vitória no segundo turno”, disse Denicoli. Segundo ele, Janones “mudou a história das eleições presidenciais”.