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Aos 5 anos, uma vida de aventura pelo mundo

Alfabetizada fora da escola, Isabelle Nalu leva infância de liberdade e brincadeiras em 3 idiomas

Por Bruna Toni
Atualização:

Poucas pessoas sabem qual é a sensação de pular de uma altura de 3 mil pés. Esse universo fica ainda mais reduzido se pensarmos em alguém que aos 5 anos já subiu em cima de uma prancha e se aventurou sobre as ondas no litoral brasileiro, sendo acompanhada por milhares de pessoas de todo o País. Mas, para Isabelle Nalu, a Belinha do programa Nalu Pelo Mundo, do Multishow, tudo isso é parte da sua rotina.

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Viajando a bordo de um helicóptero com capacidade para, no máximo, quatro pessoas, Belinha passou pelo Caribe, América Central e acaba de pousar em Santa Catarina, depois de conhecer o interior e o litoral brasileiro. Nada surpreendente para quem fez sua primeira viagem com apenas 20 dias de vida. Para enfrentar os desafios, ela conta com o apoio e espírito aventureiro de seus pais, a cinegrafista Fabiana Nigol e o surfista profissional Everaldo Pato.

Quando Isabelle nasceu, em 2007, o casal já se aventurava pelo mundo havia cinco anos. Com uma câmera nas mãos e bons lugares no currículo, Fabiana tomou gosto pelas filmagens e começou a registrar todos os passos em busca das maiores e mais perfeitas ondas. A ideia se transformou em um DVD, que, dois anos mais tarde, acabou rendendo o convite para a participação da série no canal Multishow.

Desde então, a vida nada convencional de Belinha ao lado dos pais é assistida por espectadores curiosos em acompanhar seu crescimento e suas descobertas pelo mundo. Apesar de ter uma rotina um tanto quanto peculiar, seu nascimento foi planejado. "Como já estávamos acostumados a viajar, quando a gente decidiu, depois de cinco anos curtindo a vida, nós programamos mesmo tê-la. A Fabiana engravidou e nós dissemos: 'Tudo bem, mas não vamos mudar nossa vida, ela vai se adaptar a nós'", diz Pato.

A adaptação passou por ter de sair do Havaí, nos Estados Unidos, onde nasceu, antes do primeiro mês de vida, para visitar os avós em Santo André, na Grande São Paulo. Dez dias depois, seguiram viagem até Florianópolis (SC). Em seguida, percorreram mais 4 mil quilômetros de carro até Arica, no Chile, onde "morou" por quase dois meses.

Luxo e conforto passaram longe dos primeiros meses de Belinha. "Mamadeira a gente nem esquentava, dava fria mesmo. Lavávamos na pia do hotel, não tinha como esterilizar. Berço ela nunca teve também, só aqueles de desmontar", contam Fabiana e Pato, sempre de olho na filha, que vai de um lado a outro da sala da casa dos avós maternos dançando, cantando e limpando os móveis que vê pela frente.

O que levaria a maioria dos pais à loucura parece ser o que faz a vida dos três ser completa. "Nas primeiras viagens, a Belinha tomava banho de caneca. Algumas vezes, não tem banheiro onde ficamos, temos de nos acomodar em lugares repletos de bichos. Mas é passageiro e o que importa é que todo mundo esteja feliz", conta Fabiana.

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Filho de pescadores, nascido em Penha (SC), Pato viaja desde os 18 anos, sempre com a prancha debaixo do braço. Conheceu Fabiana no Brasil, mas o gosto pela aventura fez com que os dois passassem os 12 anos de casados viajando.

Esperta, Isabelle sabe do que gosta e do que não gosta. Entre os lugares por onde passou, como Indonésia, Deserto de Atacama, no Chile, Teahupoo, no Taiti, e China, foi de Barbados, no Caribe, que ela diz ter gostado mais. O motivo é simples - a natureza -, mas ela acrescenta um detalhe incomum: a emocionante sensação de nadar ao lado de um filhote de tubarão.

Surfar "ondas médias", como Belinha reforça, também faz parte de seu dia a dia. Acompanhada por Pato e mesmo sozinha, ela já se arrisca em cima de uma prancha. "Surfamos juntos na Pororoca por 5 minutos. Acho que ela foi a primeira menina com essa idade a surfar lá", conta o pai, orgulhoso.

Mesmo sem longas paradas, os pais de Isabele se preocupam com a vida escolar da filha. Aos 5 anos, Belinha sabe ler, escrever e conhece três línguas: português, inglês e espanhol. Em cada lugar por onde passa, frequenta uma escola, ainda que por apenas alguns dias. "Eu ensino a Belinha e, quando a gente viaja, ela fica um pouco em cada escola. Foi assim no Chile, em Florianópolis e Santo André. Acho bacana porque ela acaba fazendo amigos", diz Fabiana.

Quanto ao futuro, o casal ainda não decidiu o que fazer. "Vamos ver se a gente se adapta ao método norte-americano do home school, que no Brasil não é aceito. Mas como ela tem dupla nacionalidade, isso é possível. Mas, agora, o importante para ela não é estudar, é brincar. Claro que ela precisa ser alfabetizada, mas essa experiência é algo maior", revelam os pais.

Para o futuro da família, os pais não têm planos. "Por enquanto nossa filha está feliz, e é isso que importa. Se um dia ela não quiser mais viajar, vamos pensar em como fazer para que todos estejam bem", conta a mãe.

Amigos ao redor do mundo não faltam nem disposição para viajar e viver novas aventuras. Ansiosa para saber quando subiria novamente no helicóptero, ela pergunta aos pais qual será o próximo destino do trio, entre uma pequena sessão de ioga, sentada sozinha, no chão da sala, e uma exibição da dança que aprendeu na escola. A ansiedade é justificável: da próxima vez que for surfar, ela estará com sua prancha, feita sob medida para seu tamanho, e vontade de desbravar o mundo.

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