
Um dos maiores arquitetos e urbanistas do mundo, o chinês Kongjian Yu e dois documentaristas brasileiros - Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr. - morreram na noite dessa terça-feira, 23, após a aeronave de pequeno porte em que estavam cair no Pantanal de Mato Grosso do Sul, na região de Aquidauana.
O piloto e proprietário do avião Marcelo Pereira de Barros também morreu na tragédia. As causas do acidente ainda estão sendo apuradas.
A aeronave Cessna prefixo PT-BAN tinha registro para serviços aéreos privados, mas não tinha autorização para operar como táxi aéreo, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
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Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), o avião foi fabricado em 1958 e adquirido em 2015 pelo atual proprietário, o piloto Marcelo Pereira de Barros, que morreu no acidente. A aeronave tinha capacidade para um tripulante e três passageiros, mas estava habilitado apenas para operação diurna. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) tinha validade até 9 de dezembro.

Em 2019, a aeronave foi apreendida por causa do transporte irregular de turistas e ficou sem operar até 2024. Na época, as autoridades interditaram 46 aeronaves (a maioria da categoria agrícola) e uma oficina clandestina de manutenção de aviões foi fechada. O Cessna foi liberado após cumprir as exigências da Anac.
Equipes da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, incluindo peritos criminais, estão no local para levantar dados preliminares. A Polícia Civil foi acionada por intermédio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado e da Delegacia de Polícia de Aquidauana sobre esse acidente em uma zona rural do município.
O advogado Djalma Silveira, que defende o piloto Marcelo Pereira de Barros no processo judicial que resultou da apreensão da aeronave, disse que ele nunca usou o avião como táxi aéreo. “Quem conhece o Pantanal sabe a distância e o isolamento das fazendas em épocas de cheia. Os pilotos em geral usam seus aviões para prestar socorro a pessoas ilhadas, vítimas de ataques de animais peçonhentos e outras emergências. Eventualmente os fazendeiros pagam os custos de combustível, mas não é uma situação recorrente.”
Segundo o defensor, Barros estava abrindo a empresa Aero Safari para voos turísticos e tinha mandado imprimir alguns cartões que foram apreendidos pela polícia. “Isso foi usado para abrir o processo contra ele por suposta atuação como táxi aéreo, o que na verdade não ocorreu. Após a apreensão, verificou-se que ele usava uma bateria de automóvel para alimentar um sistema do avião, o que foi corrigido depois.”
Silveira diz que recorreu à Justiça e conseguiu a liberação do avião em 2022. “Como a aeronave tinha ficado mais de dois anos ao relento, foi preciso fazer uma reforma acompanhada pela Anac, e ele só pode voltar a voar em 2024. Agora, com o falecimento dele, a ação que tramita na Justiça será extinta”, diz.

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Chinês participou da Bienal de Arquitetura em SP
Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), Kongjian Yu esteve no dia 18 na abertura da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, na Oca, no Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo.
Na sequência, ele viajou para fazer gravações sobre seu trabalho com um grupo de cineastas. Ele voltava de Campo Grande quando ocorreu o acidente. O arquiteto estava no Brasil desde o início de setembro, quando participou de uma conferência internacional.
Documentarista foi indicado ao Emmy por obra sobre desastre da Chapecoense
Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz era sócio da empresa Olé Produções e assinou a direção da série “Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia” pela Pacha Films.
A produção foi indicada para o Emmy Internacional para WBD/HBO. Ele também esteve à frente da direção da série “To Win or To Win”, que retrata a história do time Al Nassr FC.
Rubens Crispim Jr era dono da Poseídos, produtora audiovisual especializada em filmes de arte. Ele dirigiu o longa “O Bixiga é Nosso!”, que foi o vencedor de Melhor Filme pelo Público na Mostra Competitiva Territórios e Memórias, dentro na Mostra Ecofalante 2024.
Quem são as vítimas:
- Marcelo Pereira de Barros;
- Kongjian Yu;
- Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz;
- Rubens Crispim Jr.





