Repórter do Estadão fala do clima em Roma, após morte do papa Francisco
A jornalista Luísa Laval acompanha a movimentação em frente à Basílica de São Pedro.
ROMA - Após o anúncio da morte do papa Francisco, nesta segunda-feira, 21, fiéis de várias partes do mundo que estão em Roma dirigiram-se à Praça São Pedro para prestar as últimas homenagens ao pontífice. De acordo com informações divulgadas pelo Vaticano, a expectativa é de que o corpo chegue à Basílica de São Pedro na quarta-feira, 23, para o velório.

Para a brasileira Larissa Nóbrega, doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi uma grande sorte ter visto o papa no domingo, 20, pela última vez. “É o momento de agradecer por tudo o que ele fez pela Igreja e pela humanidade nesses últimos 12 anos”, diz ela, que viajou à Roma para acompanhar o jubileu e também um congresso universitário internacional.
Durante a missa de Páscoa, no domingo, Francisco desejou “felicidades” e abençoou, pela última vez, os milhares de fiéis ali reunidos “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Visivelmente debilitado, o pontífice argentino acenou da varanda à multidão.
"Ter visto o papa, ontem, pela última vez, foi uma grande sorte", diz turista brasileira
Larissa Nóbrega, doutoranda em Filosofia, fala sobre a morte do papa Francisco.
A coordenadora escolar Esther Miranda, do Rio de Janeiro, também conseguiu acompanhar a benção do papa durante a missa de Páscoa, no domingo. “Foi um momento emocionante de verdade”, disse.
Nesta segunda-feira, ao receber a notícia da morte do pontífice, ela disse ter ficado muito impactada, já que a missa de domingo ganhou ares “de uma grande despedida”. “O papa sempre teve a capacidade de unir pessoas de todas as nações. A gente sempre sentiu isso.” Ela destaca sobretudo a presença de jovens nesses momentos.
A aparição do papa na Praça São Pedro no domingo, 20, também foi interpretada como uma despedida pela gastrônoma brasileira Daniela Siqueira, que mora em Roma. Para ela, o momento simbolizou a força do pontífice, apesar de todas as suas limitações. “Foi muito bonito ver que, apesar de sua doença e suas dificuldades, ele demonstrou que vale a pena viver e entregar a vida pelos demais”, disse.
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A designer Cecília Alves e a estudante de arquitetura Gabrielly Lourenço ficaram igualmente surpresas ao ver o papa no domingo. As amigas contam que, devido às condições de saúde do pontífice, não tinham muitas expectativas de vê-lo na missa de Páscoa.
“Aí ele apareceu, e ficamos muito emocionadas. A gente viu que ele deu tudo de si”, lembra Gabrielly. Elas comentam que a fragilidade de Francisco era nítida. “Ele podia ter ficado descansando, mas quis estar presente”, ressalta Cecília.
A professora de Filosofia Maria Aparecida Ferrari, brasileira que mora há mais de 30 anos em Roma, também foi à Praça São Pedro nesta segunda-feira. Nas últimas três décadas, três papas passaram pelo Vaticano: Papa João Paulo II, Bento XVI e Francisco. “Cada vez é algo inédito”, comentou ela. “Ao mesmo tempo, tem algo em comum, que é a sensação de unidade e de família na Igreja, e o grande desejo de acompanhar o papa que se foi e rezar já pelo próximo que será eleito.”
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É a terceira vez que Maria Aparecida Ferrari, que mora na Itália há 30 anos, acompanha esse momento.
A professora espanhola Angelica Barahona, que está estudando em Roma, foi à Praça assim que soube do falecimento do papa. “Vim à Basílica com a intenção de rezar pelo papa”, contou. “Francisco para mim é o papa que me ensinou que a Igreja é casa.”




