Conclave: Como é eleito o novo papa? Quem são os cotados para suceder Francisco?
Dos 133 votantes, 108 foram escolhidos durante o papado de Francisco. Veja como é o processo da eleição.
ROMA - Todos chegaram a Roma. Os 133 cardeais que votarão no próximo conclave participaram nesta segunda-feira, 5, da 10.ª reunião da congregação gerais, os encontros em que se discute o futuro do catolicismo. Esses encontros, que precedem a escolha do pontífice, foram marcados pelo tema da divisão da Igreja.
Um dia antes, os cardeais brasileiros trataram em suas homilias em Roma da mesma questão, não só para refutar a desunião bem como para dizer que, se o conclave demorar, isso se deve ao fato de os eleitores não se conhecerem, o que torna o resultado da votação mais imprevisível. Foi o que afirmaram o cardeal-arcebispo de Brasília, d. João Cezar Costa e o de Porto Alegre, d. Jaime Spengler.

A informação sobre os cardeais terem tratado das divisões da igreja foi confirmada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. “Muitos desafios foram citados: a transmissão da fé, o cuidado com a criação, a guerra e a fragmentação do mundo. Foi expressa forte preocupação com as divisões internas da Igreja”, afirmou Bruni.
De acordo com ele, não faltaram ainda pronunciamentos dos cardeais sobre a crise das vocações– a falta de novos padres –, sobre a família e a responsabilidade educativa com os filhos. Entre os testemunhos dos cardeais foi citada a Constituição Dei Verbum, alimento para o Povo de Deus, recordando que nas celebrações eucarísticas não se deve esquecer jamais o ”sacramento de Cristo presente nos pobres”.
A Congregação da manhã começou às 9 horas (horário de Roma) com uma oração em comum. Estavam presentes 179 cardiais, dos quais 132 eleitores. Ao todo, houve 26 intervenções – o brasileiro d. Paulo Cezar Costa era um dos que pretendiam se manifestar nas reuniões desta segunda.
Ainda segundo Bruni, os cardeais trataram do papel do Vaticano, mas, sobretudo, sobre a natureza missionária da Igreja, conforme defendido pelo papa Francisco. Ou seja, a Igreja não deve se fechar sobre si mesma e ser apenas uma igreja de sacramentos, sem olhar para o mundo e para suas comunidades, mas acompanhar os homens e as mulheres.
Daí porque temas como a Caritas e seu papel no socorro aos pobres foi tratado como fundamental por um dos cardeais. A presença maciça de jornalistas em Roma impressionou os cardeais, muitos vindos de países distantes, como Sri Lanka, Mongólia e Irã. Para eles, isso seria um símbolo da responsabilidade e da vitalidade da Igreja.
Por fim, os cardeais trataram do perfil do futuro papa: “deve ser uma figura presente, próxima, capaz de fazer a ponte e de guiar, de favorecer o acesso à comunhão a uma humanidade desorientada e marcada pela crise da ordem mundial criada no pós-guerra”. E continuam: “Enfim, deve ser um pastor vizinho à vida concreta das pessoas. Este é um pensamento bem próximo do expresso pelos cardeais brasileiros no dia anterior”.
Por fim, Bruni informou que foi feito o sorteio dos quartos que os cardeais vão ocupar na Casa Santa Marta e na adjacente Santa Marta Velha durante o conclave – eles votarão pela manhã e tarde na Capela Sistina e voltam às duas casas Santa Marta para dormir.
Ao mesmo tempo, a Capela Sistina já está sob a vigilância da Gendarmeria do Vaticano, que atua como força policial. Ainda nesta tarde, às 17 horas, deve acontecer a reunião da segunda congregação do dia em Roma, a 11ª desde a morte do papa Francisco.





