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China quer mais 150 mil estrangeiros vivendo no país até 2010

Governo deve lançar medidas para facilitar vida de profissionais qualificados.

Por Marina Wentzel
Atualização:

A China quer incentivar 150 mil profissionais qualificados estrangeiros a se estabelecer no país até 2010, informou nesta sexta-feira o jornal estatal China Daily. Segundo a publicação, o objetivo chinês é atrair profissionais talentosos que possam contribuir para o desenvolvimento e a inovação da economia. Os profissional procurados são das áreas de agricultura, economia energética, tecnologia da informação, desenvolvimento de novos materiais, biotecnologia e serviços financeiros. O diretor do Departamento de Administração Estatal de Assuntos relacionados a Especialistas Estrangeiros (Safea, na sigla em inglês), Ji Yunshi, disse que o país "precisa urgentemente" de talentos internacionais para continuar a se desenvolver. "Nós vamos anunciar mais leis e regulamentos, bem como políticas preferenciais para melhor proteger os direitos e os interesses dos especialistas estrangeiros", afirmou. Recentemente, muitos executivos têm rejeitado convites para trabalhar na China alegando que não se interessam pela oportunidade porque o país é poluído e é difícil aprender mandarim. Ainda assim, de acordo com o China Daily, um número cada vez maior de pessoas tem se deixado seduzir pela oportunidade de trabalhar na economia que mais cresce no mundo. Estima-se que 200 mil novos estrangeiros venham residir no país a cada ano. As medidas a ser anunciadas pela Safea deverão responder às dificuldades enfrentadas pelos estrangeiros no dia-a-dia da vida na China. O esforço do governo atacará problemas como a falta de serviços em inglês, a limitada rede de atendimento médico, a ausência de seguro social e a oferta restrita de escolas internacionais. "Aqui já existe uma rede de apoio a quem vem de fora, que ainda pode melhorar do ponto de vista da facilidade, mas a autenticidade da experiência de se morar na China está justamente em passar um pouco de dificuldade" diz a brasileira Társila Lemos Borges, de 27 anos, que ensina português na Universidade de Pequim. Ela mora na capital chinesa há mais de seis meses, depois de ter passado outros cinco em Nanquim. "Não é óbvio para o estrangeiro como as coisas se organizam na China. É preciso aprender como o país funciona e se organiza", afirma Borges. O governo também anunciou que espera poder oferecer oportunidades a cônjuges acompanhantes de estrangeiros transferidos à China. Atualmente, os vistos de trabalho emitidos pela China (categoria Z) incluem os familiares e acompanhantes dos profissionais recrutados para trabalhar no país, mas isso não é por si só uma solução ao problema da ociosidade dos acompanhantes. A mineira Ana Paula Machado, de 29 anos, está de mudança marcada para Xangai. Ela irá morar no leste da China a partir de janeiro com o marido, que é diretor de marketing em uma multinacional fabricante de bebidas. "Eu gostaria de trabalhar, mas ainda não falo mandarim e por isso tenho menos chances de conseguir um emprego", diz Machado, que é formada em Administração de Empresas e fala inglês. Ela vê com bons olhos a iniciativa do governo chinês de incentivar a criação de vagas de trabalho para os acompanhantes. "Acho importante que queiram facilitar a vida da gente. De complicado, já basta o desafio que é estar num país tão diferente", diz. Atualmente há 984 brasileiros registrados na embaixada em Pequim, mas a estimativa é de que existam bem mais de 1,5 mil brasileiros morando na China. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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