Fugitivos de presídio em Mossoró fizeram família refém na noite de sexta e roubaram celulares

Eles se alimentaram, levaram comida e continuaram com a fuga; buscas por Deibson Cabral Nascimento e Rogerio da Silva Mendonça continuam

PUBLICIDADE

Foto do author Leon Ferrari
Foto do author Caio Possati
Por Leon Ferrari e Caio Possati
Atualização:

Os dois presos que escaparam na quinta-feira, 15, da Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima no interior do Rio Grande do Norte, fizeram uma família refém na noite da sexta-feira, 16. Eles se alimentaram, roubaram celulares e comida, e prosseguiram com a fuga.

As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pelo Estadão. Não houve violência contra as vítimas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), que confirmou que o local fica a três quilômetros da prisão de onde a dupla fugiu.

Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça ascenderam no mundo do crime organizado atuando no Acre como 'matadores' do Comando Vermelho  Foto: Reprodução/Iapen-AC

PUBLICIDADE

De acordo com a pasta, os dois fugitivos, que seguem foragidos, se mostraram desorientados e buscavam ter informações da região onde se encontravam. Eles estavam sujos, com odor ruim e descalços, segundo apurou a reportagem.

A desorientação, de acordo com a Senappen, faz as equipes de buscas acreditarem que a recaptura dos criminosos esteja próxima.

  • Essa é a primeira fuga registrada na história da rede penitenciária federal, onde estão líderes de facções como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). São cinco presídios do tipo no País: além de Mossoró, há unidades em Catanduvas (PR), Campo Grande, Porto Velho e Brasília. A primeira delas, no Paraná, foi inaugurada em junho de 2006.
  • Os fugitivos foram identificados como Deibson Cabral Nascimento e Rogerio da Silva Mendonça. Conforme informações preliminares, ambos têm ligação com o CV, uma das facções dominantes no Acre, onde ficaram presos até setembro do ano passado.

Os criminosos foram transferidos para Mossoró após terem participado de uma rebelião no Presídio Antônio Amaro Alves, na região metropolitana de Rio Branco, que resultou na morte de cinco detentos em julho de 2023.

A transferência foi feita a pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre. Além de Deibson e Rogerio, 12 presos foram remanejados nas mesmas circunstâncias.

Publicidade

O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou na quinta-feira, 15, que cerca de 300 policiais trabalham nas buscas pelos fugitivos, entre agentes da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das polícias locais. Estão sendo usados desde drones a helicópteros na tentativa de encontrar os dois criminosos. Até o momento, porém, nenhum deles foi recapturado.

Os policiais trabalham com a hipótese de que os foragidos estejam num perímetro de 15 quilômetros ao redor da Penitenciária Federal de Mossoró. Câmeras externas não registraram a chegada de veículos para resgatar os prisioneiros e também não foram identificados furtos ou roubos de veículos na região, o que reforça a hipótese de que Deibson e Rogério fugiram a pé.

Quem são os fugitivos da prisão de Mossoró?

  • Conhecido como “Deisinho” ou “Tatu”, Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos, é considerado um criminoso da “primeira leva” de batismos (quando um criminoso é aceito como membro da facção) do Comando Vermelho no Acre, no fim de 2013. Ele soma penas de mais de 60 anos, com acusações que se acumulam desde a adolescência
  • Já Rogério da Silva Mendonça, apelidado de “Cabeça de Martelo” ou “Querubin”, entrou posteriormente na facção criminosa, em processo de expansão do crime organizado pela região Norte. Conforme o Ministério Público do Estado do Acre, as investigações ainda não conseguiram precisar quando ele ingressou no CV, mas o criminoso passou a ter papel importante dentro da prisão. Suas penas somam mais de 70 anos /COLABORARAM ÍTALO LO RE E PAULA FERREIRA, COM AGÊNCIA BRASIL
Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.