Influenciador infantil Capitão Hunter é preso em SP por suspeita de estupro de vulnerável

Com cerca de 1 milhão de seguidores, ele também é acusado de produzir conteúdo pornográfico infantil; defesa afirma que o influenciador é inocente

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Foto do autor Rayanderson Guerra
Atualização:

O que é ‘adultização’? Entenda termo usado por Felca em denúncias

Youtuber fez um vídeo sério para alertar pais sobre a exploração de crianças na internet e como o algoritmo ajuda criminosos. Crédito: Larissa Burchard, Júlia Borja e Júlia Pereira

RIO – Policiais civis da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) do Rio prenderam, nesta quarta-feira, 22, o influenciador digital João Paulo Manoel, de 45 anos, conhecido como Capitão Hunter, que produz conteúdo para o público infantil, por suspeita de estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil.

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Procurado pelo Estadão, o advogado do influenciador, Rafael Feltrim, informou que ainda não teve acesso aos autos e que irá tomar as medidas cabíveis. “Ele é absolutamente inocente, até por todo o histórico de auxílio e conscientização familiar em relação a drogas, depressão, falsificação de cartas e auxílio a pessoas PCD. Fomos todos pegos de surpresa”, afirmou.

O influenciador é investigado por crimes contra uma menina e um menino, com quem teve contato por meio de redes sociais e eventos. O homem foi preso em Santo André, em São Paulo, com apoio da Polícia Civil paulista.

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, prendeu nesta quarta-feira (22) o youtuber João Paulo Manoel, de 45 anos, conhecido como Capitão Hunter. Foto: Reprodução/Instagram @capitaohunter

Com cerca de 1 milhão de seguidores em seus perfis, o influenciador produz conteúdo sobre o universo de cartas e jogos Pokémon para um público majoritariamente composto por crianças e adolescentes, segundo a Polícia Civil.

De acordo com as investigações, uma das vítimas é uma menina, de 13 anos, que mora no Rio de Janeiro, conheceu o influenciador em um evento no Norte Shopping center, na zona norte do Rio, em 2023, quando tinha 11 anos.

“Depois disso, eles passaram a ter contato por meio de redes sociais, pois o criminoso prometeu aos pais dela que acompanharia e apoiaria sua trajetória no jogo”, diz a polícia.

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A vítima relatou que o homem passou a pedir conteúdos de cunho sexual, como fotos íntimas, em troca de cartas ou bonecos de pelúcia Pokémon. O homem também enviou diversas fotos inapropriadas dele para a menina.

Youtuber João Paulo Manoel possui cerca de 1 milhão de seguidores em seus perfis e produz conteúdo sobre o universo de cartas e jogos Pokémon. Foto: Reprodução/Instagram @capitaohunter

Segundo a vítima, o influencer chegou a enviar fotos do pênis em duas ocasiões pelo WhatsApp e outras duas vezes pelo Discord, de cueca.

Segundo a polícia, em conversas gravadas pela menina, nas redes sociais, “foi possível confirmar a conduta do influenciador. O mesmo homem teria abordado da mesma maneira um menino, de 11 anos”.

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A Polícia cumpriu mandado pelos crimes de estupro de vulnerável e produção de conteúdo pornográfico infantil. Os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão e realizaram quebra de sigilo de dados. Todos os aparelhos eletrônicos arrecadados serão periciados.

ECA Digital

Os casos de violações graves contra menores de 18 anos no ambiente digital ganharam destaque no início de agosto. O influenciador Felipe Bressanim Pereira — conhecido como Felca — publicou um vídeo no qual denúncia a exploração e o abuso de crianças e adolescentes nas plataformas digitais.

Após a publicação do vídeo, o influenciador Hytalo Santos e o marido Israel Nata Vicente foram presos em São Paulo acusados de tráfico de pessoas e exploração sexual de adolescentes. Os dois eram investigados pelo Ministério Público da Paraíba pela suspeita de explorar menores de idade nas redes sociais por meio de vídeos virais que mostram crianças e adolescentes de forma sexualizada, seminuas e ingerindo bebidas alcoólicas em festas.

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A defesa do casal afirma que ambos são inocentes e “sempre se colocaram à disposição das autoridades”. Consideram também que a decisão de prisão é uma medida “extrema”.

A discussão sobre a “adultização” de menores de 18 anos na internet mobilizou a sociedade e o Congresso Nacional. Após os parlamentares aprovarem o texto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, que busca coibir casos de violações graves contra menores de 18 anos no ambiente virtual.