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Jornalismo, educação, tecnologia e as combinações disso tudo

Opinião|Tecnologia revolucionária é a que transforma vidas positivamente

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Atualização:
Charlie Chaplin com "máquina para funcionário almoçar mais rapidamente", em cena de "Tempos Modernos" (1936) - Foto: reprodução

Nesse ano, só se falou de inteligência artificial! Nas mais diferentes aplicações, em qualquer lugar, se um produto pelo menos não flertasse com a IA, corria o risco de receber um carimbo de "vencido". Obviamente isso é um exagero, mas, justiça seja feita, as possibilidades que ela descortinou a todos foram equivalentes a tirar uma venda de nossos olhos para um mundo digital incrivelmente poderoso que já estava por aí, mas desconhecíamos.

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Entretanto, apesar de incontáveis artigos, pesquisas e lançamentos que demonstraram como a IA desponta de forma tecnicamente fascinante, nada disso justificaria o destaque sem precedentes que ela ocupou em 2023. O verdadeiro motivo é termos entendido como ela pode transformar nossas vidas de maneira determinante!

Esse é o segredo do sucesso de qualquer tecnologia, desde a invenção da máquina a vapor, na virada do século XVIII. De lá para cá, muitas outras vieram, como o motor elétrico, as vacinas, o automóvel, o telégrafo, o rádio, a TV, o transistor, a penicilina, os computadores, a pílula anticoncepcional, a Internet, os smartphones...

A lista vai muito além disso, mas uma regra se mantém desde sempre: a adoção de cada nova tecnologia revolucionária se dá de forma exponencialmente mais rápida e barata, impactando proporcionalmente mais gente e de maneira mais decisiva. Os primeiros inventos da lista demoraram mais de cem anos para influenciar a vida de um milhão de pessoas; o ChatGPT, símbolo na atual geração da inteligência artificial, chegou a 100 milhões de usuários em apenas quatro meses!

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Isso se dá porque qualquer tecnologia fica cada vez mais barata e acessível com o tempo. Mas há um aspecto cultural decisivo: as pessoas entendem a importância disso para melhorar suas vidas. A desconfiança por vezes exagerada é substituída por um deslumbramento que chega a ser inconsequente.

Quem entende e se apropria desse comportamento colhe grandes vantagens. Isso explica, por exemplo, a genialidade de Steve Jobs: por mais que seus produtos fossem tecnológicos, ele sempre os apresentou como ferramentas para as pessoas fazerem de seu cotidiano algo mais fácil, poderoso e divertido. Nunca vendeu computadores, tocadores de música ou celulares: ao invés disso, ele tocava a vida das pessoas, e isso as encantava!

Aproveitando-me do encurtamento exponencial dos intervalos entre os lançamentos de cada uma dessas tecnologias marcantes, tive o privilégio de me apropriar de muitas delas em seu início, nos últimos 35 anos. A primeira, em 1987, quando fiquei online em uma rede fechada primitiva pela primeira vez, no início da minha adolescência, foi como se um raio tivesse me atingido!

Eu não sabia bem o que era aquilo, mas sabia que nunca mais sairia daquele "lugar", e isso me levou a fazer Engenharia antes de Jornalismo. Essa combinação de carreiras me permitiu trabalhar com a Internet comercial desde quando ela nasceu, em 1995. E o mesmo se deu com os produtos digitais e os smartphones. Lembro também de, lá pelo ano 2000, chegar a meus amigos e dizer: "existe um negócio novo que vocês têm que usar; seu nome é Google!"

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Em todos esses casos, eu senti aquela fagulha de 1987: "isso vai mudar o mundo e eu preciso estar nesse lugar!" Agora, em 2023, eu a senti de novo, com a inteligência artificial. Por isso, desde o começo do ano eu digo a todos: "vocês precisam usar isso!"

Não se enganem: a IA está apenas começando! Ela mudará muito e rapidamente de agora em diante, e nossas vidas irão junto. Haverá pedras no caminho, por isso nosso trabalho é nos apropriarmos disso, para que esse trajeto seja suave e muito proveitoso, fugindo das armadilhas!


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Opinião por Paulo Silvestre

É jornalista, consultor e palestrante de customer experience, mídia, cultura e transformação digital. É professor da Universidade Mackenzie e da PUC–SP, e articulista do Estadão. Foi executivo na AOL, Editora Abril, Estadão, Saraiva e Samsung. Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP, é LinkedIn Top Voice desde 2016.

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