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Morre o historiador Jacob Gorender

Por LIZ BATISTA
Atualização:

Morreu nesta terça-feira, aos 90 anos, um dos maiores historiadores do País, Jacob Gorender. Ele estava internado no Hospital São Camilo e o enterro será realizado no cemitério israelita do Butantã. Autor de clássicos da historiografia brasileira, como "O Escravismo Colonial", de 1978, e "A Burguesia Brasileira", de 1981, Gorender participou de acontecimentos marcantes da história do Brasil. Nascido em 20 de janeiro de 1923, em Salvador, numa família modesta de imigrantes judeus russos, ingressou na faculdade de Direito em 1941. Iniciou ali o contato com a militância do PCB. No ano seguinte, tornou-se membro do partido. Aos 20 anos, alistou-se como voluntário na Força Expedicionária Brasileira (FEB) e partiu para a Europa para combater na Segunda Guerra Mundial. Na volta ao Brasil em 1945, retomou a militância pelo PCB, onde permaneceu até 1968, quando deixou a filiação. Sem nunca abandonar a militância de esquerda, fundou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).Com o recrudescimento do Regime Militar em 1969, o partido ampliou as ações de guerrilha e os membros mergulharam na clandestinidade. Durante seis anos, Gorender viveu em 30 esconderijos diferentes. Em 1970, foi preso pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury e levado ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Lá, foi torturado e levado ao Presídio Tiradentes. Em 1987, Gorender somou o repertório teórico à experiência na militância e na luta armada e lançou "Combate nas Trevas: Esquerda Brasileira: das ilusões Perdidas à Luta Armada".

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