Rio de Janeiro tem fila de corpos estendidos em uma lona após megaoperação
Conforme o ativista Raull Santiago, ao menos 50 corpos foram retirados por moradores da região de mata do Complexo da Penha durante a madrugada. Crédito: Pedro Kirilos | TV Estadão
A comunidade do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, amanheceu nesta quarta-feira, 29, recolhendo corpos das vítimas da megaoperação policial que ocorreu contra a facção Comando Vermelho.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro diz que há 132 mortos após a megaoperação contra o Comando Vermelho de terça-feira, 28. O último balanço do governo do Rio, até a tarde de terça, contabilizava 64 mortes, incluindo quatro policiais. Com os corpos localizados em área de mata na Serra da Misericórdia desde a madrugada desta quarta, o número aumentou. O Estado, porém, ainda não atualizou o balanço oficial da operação, considerada a mais letal da história do Estado do Rio de Janeiro.
O ativista Raull Santiago, diretor do Instituto Papo Reto, afirmou em uma publicação no Instagram que os corpos foram encontrados em uma área de mata na Serra da Misericórdia.
Ao Estadão, em frente à fila de corpos, moradores relataram o desespero e a dor de encontrar parentes entre as vítimas. “Ninguém nunca viu no Brasil o que está acontecendo aqui”, afirma Jéssica.
“Vou falar o que? Vou falar o que eu estou perguntando para todos. Governador, me responde o que é certo para você? Isso aqui não é certo. Você mandou para fazer essa chacina. Isso aqui não foi operação, isso foi chacina.”

“Você não aguentaria um dia do que o favelado vive. Aqui tem trabalhador, aqui tem guerreiro. Tem bandido, tem? Mas tem bandido melhor do que os de terno e gravata. Vocês matam com a caneta.”
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O depoimento de Jéssica foi aplaudido por demais moradores da comunidade. Durante a entrevista, diversos moradores gritaram: “Toda vida importa”.




