Durante sua primeira missa para cardeais na Capela Sistina, nesta sexta-feira, 9, o papa Leão XIV citou Santo Inácio de Antioquia. Mais especificamente uma frase atribuída a ele, quando se encaminhava para o seu martírio: “Então serei verdadeiro discípulo de Jesus, quando o meu corpo for subtraído à vista do mundo.”

De acordo com o Vaticano, o santo, descendente de uma família pagã, não romana, converteu-se ao cristianismo em idade avançada, graças à pregação de São João Evangelista, que havia passado por Antioquia, antiga Síria.
Inácio tornou-se bispo de Alexandria, por volta do ano 69, como sucessor de Santo Evódio, mas, sobretudo, do apóstolo Pedro, que havia fundado a Igreja.
No entanto, durante seu episcopado, o imperador Trajano perseguiu diversas pessoas, incluindo o bispo, que se recusava em negar a sua fé em Cristo. Por causa disso, foi preso e transportado para Roma, onde no ano 107 teve seu corpo despedaçado no Coliseu. Sua própria imagem remete a esse momento.
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Durante a viagem até Roma, porém, Inácio escreveu sete cartas que muitos consideram uma apresentação sobre o centro da fé cristã. A que mais simboliza isso é a quarta carta, dirigida à Igreja de Roma, na qual ele pedia aos fiéis não impedirem seu martírio, de forma que ele pudesse verdadeiramente morrer por amor a Deus.
“Escrevo a todas as Igrejas e insisto junto a todas que morro de boa vontade por Deus, se vós não me impedirdes. Suplico-vos, não vos transformeis em benevolência inoportuna para mim. Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus”.

Justamente sobre essa carta, o papa Leão XIV disse: "Carta aos Romanos, IV. Referia-se ao ser devorado pelas feras no circo – como aconteceu –; porém, as suas palavras recordam, num sentido mais amplo, um compromisso irrenunciável para quem, na Igreja, exerce um ministério de autoridade: desaparecer para que Cristo permaneça, fazer-se pequeno para que Ele seja conhecido e glorificado, gastar-se até ao limite para que a ninguém falte a oportunidade de o conhecer e amar."
Para a professora Maria Clara Bingemer, do Departamento de Teologia da PUC-Rio, a citação é uma demonstração de como Leão XIV pode agir em seu papado. “Quando o papa cita o Santo Inácio, ele quer ressaltar que a autoridade na Igreja deve ser compreendida como um serviço, um serviço até o fim, a entrega da vida, como Santo Inácio fez até o martírio. Ele deseja se entregar até o fim no ministério que lhe foi confiado”, disse ela em entrevista à Rádio Eldorado.




