Sensor de tiro, cão-robô e mais: tecnologias na segurança vão além das câmeras 24 horas

Expansão de equipamentos ajuda no combate aos crimes, mas deve ser integrada a políticas de longo prazo, dizem especialistas

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Por Vanessa Fajardo

Smart Sampa espalha câmeras para combater crimes em SP

Programa da Prefeitura usa monitoramento com inteligência artificial para flagrar crimes e foragidos. Crédito: Ítalo Lo Re e Bruno Nogueirão/Estadão

Com inteligência artificial e acesso a dados em tempo real, não é apenas o monitoramento por câmeras 24 horas que tem sido usado para reforçar a segurança pública nas cidades. Os governos têm adotado dispositivos variados, que incluem sensores de disparos de armas de fogo, reconhecimento facial e até cão-robô para reforçar a patrulha em grandes eventos.

Segundo especialistas, a tecnologia é uma aliada no combate à violência urbana, mas precisa ser integrada a estratégias mais estruturais de análise das áreas de mais incidência criminal e reforço da capacidade investigativa.

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O sistema de sensores de disparos ShotSpotter, desenvolvido pela empresa americana SoundThinking, foi instalado em Niterói (RJ) em maio. A tecnologia diferencia ruídos de fogos de artifício, trovões ou armas de fogo, e quando detecta um tiroteio, emite alerta com a localização exata e armamento utilizado nos disparos ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) da cidade.

O sistema é composto por 95 dispositivos eletrônicos que atuam dentro de um perímetro de 10 quilômetros. Foi instalado como piloto em locais de grande circulação no Fonseca, zona norte de Niterói, área de vulnerabilidade com cerca de 45 mil moradores, mas a Prefeitura já tem planos para expandir até Icaraí, bairro maior do município.

Painel no centro de comando do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Niterói, que adotou sistema de detecção de tiros Foto: Pedro Kirilos/Estadão

“Nos lugares onde o ShotSpotter foi implementado (em cidades americanas como Chicago, Nova Iorque e Washington e em países como Uruguai), houve redução significativa dos tiroteios, da letalidade por causas violentas, especialmente de inocentes, porque permite ação em tempo real da polícia no socorro a eventuais vítimas”, diz o prefeito Rodrigo Neves (PDT).

O ShotSpotter funciona dentro do Cisp, que tem 120 câmeras de monitoramento em vários pontos, além de portais instalados nas entradas do município, incluindo a Ponte Rio-Niterói.

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A cidade tem cerca de 500 mil moradores, mas integra uma região metropolitana com 12 milhões de pessoas. Os portais identificam veículos irregulares por meio da leitura das placas. Segundo a prefeitura, o sistema contribuiu para reduzir a média de 220 carros roubados por mês para apenas oito.

Reconhecimento facial

No Vale do Paraíba, a cidade paulista de São José dos Campos apostou em tecnologia baseada em reconhecimento facial. Inicialmente, o sistema foi adotado em óculos utilizados pela Guarda Municipal, mas desde março, a mesma tecnologia passou a operar em 30 câmeras de monitoramento fixas em locais de grande circulação, como Unidades Básicas de Saúde e centros de atendimento da assistência social.

Em ambos os dispositivos, a tecnologia cruza as imagens captadas em tempo real com um banco de dados da polícia que reúne informações de pessoas procuradas. Quando há uma correspondência, o sistema emite alerta em tempo real.

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Óculos inteligentes foram criados para o compartilhamento de imagens registradas por guardas nas ruas com central de monitoramento Foto: Adenir Britto/PMSJC

Segundo Rafael Gustavo Batista da Silva, secretário de Proteção ao Cidadão de São José dos Campos, o uso do reconhecimento facial nas câmeras amplia a eficácia do sistema. “A principal diferença é que as câmeras têm visão 360 graus e conseguem identificar várias pessoas ao mesmo tempo, ao contrário dos óculos, que captavam apenas o que estava à frente do guarda que os usava”, explica.

Em países como Japão e China, as soluções estão ainda mais avançadas e o reconhecimento facial tem sido substituído por tecnologias que fazem a leitura de íris, dos padrões das veias das mãos e até dos batimentos cardíacos da pessoa.

“Ler a íris é uma das únicas formas de garantir a identidade de alguém, porque é impossível ser clonada. É um identificador único que está sendo muito utilizado e será um padrão para os próximos anos”, afirma Gustavo Torrente, professor de Novas Tecnologias da FIAP.

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As câmeras em São José dos Campos ainda têm a capacidade de analisar placas de veículos. Em caso de carro roubado ou furtado, o sistema identifica e envia aviso automático. Segundo o secretário, esse monitoramento ajudou a reduzir em 90% os crimes de roubo de veículos na cidade.

Captar e transmitir imagens em tempo real está entre as “habilidades” do cão-robô, equipado com quatro pernas articuladas, câmeras, microfones e sensores. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo utilizou o equipamento na virada do ano na Avenida Paulista, no jogo da National Football League (NFL) e no Grande Prêmio da Fórmula 1, no Autódromo de Interlagos.

Com capacidade para transmitir informações diretamente para a central do Smart Sampa, a rede da Prefeitura que tem mais de 30 mil câmeras, o robô consegue entrar em espaços confinados, pular, subir e descer escadas. Atualmente, o equipamento passa por ajustes antes de novas operações.

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Botão contra agressores de mulher

Em Curitiba, um dos destaques tecnológicos da segurança pública é o botão do pânico que integra as iniciativas da Patrulha Maria da Penha, composta por integrantes da Guarda Municipal especializados no atendimento a vítimas de violência doméstica. Mulheres que requisitaram medidas protetivas podem solicitar o equipamento à Defensoria Pública, Ministério Público ou Guarda Municipal.

Quando acionado, um alerta é emitido à polícia local e o dispositivo inicia a gravação em áudio dentro de um raio de cinco metros de distância. A ferramenta integra o sistema Muralha Digital, que possui mais de 2 mil câmeras que monitoram a cidade por 24 horas.