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Nova espécie de pterossauro é descoberta por cientistas brasileiros e chineses; saiba como ele era

Vestígios foram encontrados no noroeste da China durante pesquisa que envolvia cientistas dos dois países; animais viveram há mais de 100 milhões de anos e podem ter existido no Brasil também

Foto do author Giovanna Castro
Por Giovanna Castro
Atualização:

Um grupo de 14 cientistas chineses e brasileiros descobriu uma nova espécie de pterossauro (os primeiros répteis pré-históricos a desenvolverem a capacidade de voar) no noroeste da China. Batizada como Meilifeilong youhao, a espécie pertence ao grupo “raro” Chaoyangopteridade, viveu no período Cretáceo Interior, entre 100 e 145 milhões de anos atrás, e faz parte do ecossistema chinês Jehol Biota. De acordo com os pesquisadores, é possível que esses animais também tenham vivido no Brasil.

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Publicado nesta quinta-feira, 21, na revista Scientific Reports, da Nature, o estudo mostra que os animais desta recém-descoberta espécie, assim como todos os outros membros do grupo Chaoyangopteridade, não tinham dentes e ultrapassavam dois metros de envergadura. Eles são, no entanto, os “mais completos” do grupo.

“Ele apresenta uma crista craniana acima da enorme janela nasoantorbital (abertura no crânio que inclui as narinas externas) com uma extensão suave”, diz o professor Alexander Keller, paleontólogo e diretor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que coordenou a participação de pesquisadores brasileiros no estudo, em nota divulgada pela universidade. Muitos pteurossauros não têm crista ou, quando têm, geralmente são menores e não seguem todo o crânio.

Ilustração mostra como seria o pterossauro Meilifeilong Youhao, recém descoberto pelos cientistas chineses e brasileiros. Foto: Maurilio Oliveira

“Por meio desta pesquisa, conseguimos esclarecer o aumento da diversidade taxonômica deste grupo de pterossauros Jiufotang (uma das formações do Jehol Biota). É bastante surpreendente que os Chaoyanpterídeos sejam encontrados na China e provavelmente também no Brasil. É algo que precisamos investigar mais”, afirmou o pesquisador Shunxing Jiang, do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados (IVPP), em Pequim, na China, à UFRJ.

Já há evidências que pterossauros viveram onde hoje é o Brasil. No ano passado, um estudo que colheu material do nordeste brasileiro encontrou o que seria a pena de um desses animais.

Na introdução da nova pesquisa feita na China, essa ordem animal é definida como “um grupo importante e enigmático de répteis voadores mesozóicos”. “Foram os primeiros a desenvolver o voo ativo entre os vertebrados e preencheram todos os nichos ambientais aéreos por quase 160 milhões de anos”, afirmam os cientistas.

Nome escolhido em homenagem à parceria entre China e Brasil

O nome da nova espécie foi escolhido pelos chineses em homenagem ao aniversário de 20 anos de parceria científica entre a China e o Brasil. “Expressamos a nossa amizade a partir do nome desta nova espécie: Meilifeilong significa ‘lindo dragão voador’ e youhao significa ‘amizade’”, disse o pesquisador Xiaolin Wang, também do IVPP, à UFRJ.

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“Foram 20 anos de uma parceria muito frutífera e produtiva. Estamos muito felizes em trabalhar em colaboração, que muito contribuiu para o avanço da paleontologia, especialmente, dos pterossauros, os primeiros vertebrados a desenvolverem a capacidade de voar”, afirmou Wang.

“Trabalhar com colegas da China tem sido uma forma importante de promover a internacionalização da ciência”, disse o professor Diógenes de Almeida Campos, da UFRJ. Juntamente com o professor Alexander Kellner, ele iniciou a colaboração com o país asiático.

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