A tradicional moqueca de cação pode esconder um ingrediente indigesto, alerta Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil. “Cação é tubarão e raia. E há grande concentração de metais tóxicos, como mercúrio e chumbo”, diz.

Um estudo da USP com o Instituto Adolfo Lutz analisou amostras de cação em São Paulo: mais da metade apresentava contaminação por mercúrio acima do limite. Outra análise, conduzida pela Fiocruz e pela Sea Shepherd no ano passado, mostrou que o arsênio é o metal tóxico mais prevalente no cação.
“Somos grandes consumidores de tubarões sem sequer perceber. Muitas vezes de espécies ameaçadas de extinção, porque o País não exige a identificação da espécie vendida”, afirma Nathalie. O País é o principal importador de tubarão no mundo, segundo um relatório de 2021 da WWF. A Coluna questionou os Ministérios do Meio Ambiente e da Pesca sobre a falta de exigência da identificação da espécie e sobre medidas para fiscalizar ou para diminuir o consumo de cação no País, mas não houve resposta.

O próximo 3 de setembro será decisivo para o tema: data da audiência que discute a ação civil pública que veda o cação da merenda escolar e também da reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente sobre a moção para proibir a exportação de barbatanas. O FNDE, responsável pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar, permite a compra de cação para escolas públicas. Mas informou à Coluna que exige laudo técnico que comprove que os níveis de metais pesados estejam dentro dos limites.
A Sea Shepherd também luta para derrubar uma portaria desse ano que permite a pesca de tubarão-azul no País. “É uma decisão assustadora em pleno 2025. O governo brasileiro é obrigado, por tratados internacionais, a proteger o tubarão”, diz Nathalie.
Os Ministérios do Meio Ambiente e da Pesca, responsáveis pela portaria, informaram que a medida foi “resultado de ampla discussão entre órgãos governamentais, sociedade civil, academia e setor pesqueiro”. Após a liberação da pesca, no entanto, as pastas apontam que “receberam novas informações e manifestações de especialistas e ongs com atuação na conservação da fauna, avaliam cuidadosamente e, em breve, se pronunciarão acerca das medidas a serem tomadas”.





