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Teatro Cultura Artística inaugura galeria de arte com mostra gratuita e horário alternativo; conheça

‘Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite’, mostra de Luísa Matsushita, ex-vocalista da banda Cansei de Ser Sexy, que inaugura também a Aberto Solo, mescla contemporaneidade e peso histórico do prédio, que passa a ser aberto para o público durante o dia

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Foto do autor Sabrina Legramandi
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Tanto Luísa Matsushita quanto o Teatro Cultura Artística têm uma relação de idas e vindas com as artes plásticas. Luísa – que você deve conhecer pelo nome artístico Lovefoxxx, ex-vocalista da banda Cansei de Ser Sexy – começou a carreira estagiando na área da moda. Depois, se tornou uma figura pop na banda brasileira que ficou conhecida internacionalmente. Em 2013, resolveu comunicar às colegas que deixaria o grupo para viver o que sempre sonhou: as artes visuais.

O projeto original do Cultura Artística, assinado por Rino Levi, já pensava na integração das artes plásticas com a arquitetura e os espetáculos do espaço – as salas do andar superior, mesmo as salas de reuniões, eram chamadas por Rino de “salas de exposições”.

Agora, a mais de setenta anos do projeto original e dois da reabertura do Cultura Artística depois do incêndio que arruinou o interior do prédio, o casamento entre o espaço e as artes plásticas é oficializado por Luísa. A partir do sábado, 15, a artista inaugura a mostra Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite, que também marca a fase de abertura do prédio para o público durante o dia.

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Exposição 'Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite' marca integração das artes plásticas ao Teatro Cultura Artística. Foto: Felipe Rau/Estadão

Em um evento para a imprensa na última quarta, 12, Luísa se emocionou ao falar do projeto. “Sinto que, ao ocupar o espaço na galeria com a exposição, parece que estamos ressuscitando um rio, como quando as pessoas tiram a rua e deixam o rio passar... É isso que sinto para essa instalação.”

Arte, arquitetura e cores

Quem passar pela frente envidraçada do Teatro já terá um primeiro contato com a mostra de Luísa. Logo no foyer, a artista integrou as cores que marcam as suas obras – o vermelho, o azul, o amarelo e o verde sem saturação – aos estofados do sofá anteriormente marrom. Duas cortinas que pendem acima do longo móvel, refletidas no chão, dizem “você veio”.

Luísa Matsushita integrou foyer do Teatro Cultura Artística à exposição. Foto: Felipe Rau/Estadão

Mas a interferência na arquitetura, tanto no primeiro quanto no segundo andar, foi mínima. “[Antes da abertura] vimos pessoas que deixaram passar batido, pois acharam que ficou muito bem integrado à arquitetura do teatro”, diz Filipe Assis, idealizador da plataforma Aberto, que produziu a mostra, ao Estadão. A Aberto realiza exposições itinerantes que mesclam arquitetura e artes plásticas e, com Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite, inaugura o projeto de mostras individuais, Aberto Solo.

No projeto original de Levi, o espaço chamado de “galeria de arte” é o hall do segundo andar, banhado pela luz natural das janelas de vidro. Filipe conta que foi um desafio integrar a exposição ao local. A solução veio de Claudia Moreira Salles, que assina a cenografia da mostra, com o que chamou de “barracudas” – ferramentas que deixaram as obras de Luísa suspensas.

Luísa Matsushita ao lado de uma das obras expostas em 'Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite'. Foto: Felipe Rau/Estadão

Uma das “salas de exposição” pensadas por Levi também foi integrada, mas também com uma nova cenografia. “Como as paredes são curvas, é bem desafiador expor arte ali. A cenografia pensada foi para trazer a teatralidade do espaço, a dramaticidade de um teatro para a exposição. Por isso vocês vão ver [a inclusão das] cortinas e a luz um pouco mais carregada”, comenta Filipe.

A cartela de cores de Luísa também conversa com o projeto original: o verde e o amarelo das paredes do espaço e do painel exterior de Di Cavalcanti, Alegoria das Artes, se mesclam aos tons sem saturação dos quadros. “O meu trabalho é cor e composição”, comenta a artista ao Estadão.

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Das noites ao dia

Pode soar irônico que uma exposição sobre as noites de São Paulo inaugure uma fase mais diurna do espaço. Mas tudo parece se associar para Luísa. “Acho que a noite entrega uma liberdade que, durante o dia, você normalmente não tem. Foi um lugar onde pude ensaiar um lado meu que não sentia ser permitido durante o dia. Ensaiei tanto que ele virou a minha vida. A noite é um lugar muito fértil, de muito carinho e mágica.”

A exposição foi inspirada por um momento pré-Cansei de Ser Sexy, em que Luísa morava nos arredores do Cultura Artística e frequentava as noites paulistanas. “Quando a banda começou, passei a trabalhar na noite e a relação mudou; era mais divertido quando eu apenas frequentava”, confessa.

'Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite' tem obras de Luísa Matsushita criadas especialmente para o Teatro Cultura Artística. Foto: Felipe Rau/Estadão

Já faz mais de 10 anos que a artista contou às colegas que deixaria o grupo para se dedicar às artes. Nesse meio tempo, segundo Luísa, ela conseguiu “realmente desenvolver a pintura”.

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“Eu estava pintando para mim mesma, mesmo vendendo as pinturas que fazia, mas não era algo que acontecia de forma planejada. Consegui me desenvolver nesses últimos 10 anos e chegar perto do que quero fazer, atendendo a esse desejo que é o mais importante no trabalho de quem procura fazer arte”, diz.

A artista associa visitar o prédio do Cultura Artística à sensação de “dar um mergulho e sair fresca”. “É um momento de respiro para quem mora em São Paulo, especialmente no centro. Como não temos muitos parques por perto, sinto que aqui é como se você viesse para um parque, com mais qualidade de tempo.”

Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite segue em exposição no Cultura Artística até o dia 27 de setembro. A entrada é gratuita.

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Serviço - ‘Aberto Solo - Tudo que Eu Sei, Eu Aprendi à Noite, de Luísa Matsushita’

  • Abertura: 15 de agosto, a partir das 13h
  • Período expositivo: até 27 de setembro
  • Onde: Cultura Artística. R. Nestor Pestana, 196, Consolação, São Paulo, SP.
  • Horários: quartas a sextas, das 12h às 20h; sábados, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 18h.
  • Quanto: Gratuito.
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