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Johnny Depp era 'ciumento' e 'controlador', diz a atriz e ex-namorada Ellen Barkin

Em outro depoimento, ex-advogado disse que Depp gastava US$ 100 mil por mês com um médico e enfermeiras para garantir sua sobriedade

Por Chris Lefkow
Atualização:

Johnny Depp era ciumento, controlador e se embebedava com frequência, disse sua ex-namorada, a atriz Ellen Barkin, em um depoimento pré-gravado nesta quinta-feira, 19, exibido no julgamento da ação movida pelo ator por difamação contra sua ex-esposa, Amber Heard.

Johnny Depp volta ao tribunal depois de um intervalo nos depoimentos nesta quinta, 19 Foto: Shawn Thew/EFE

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Heard, de 36 anos, que em maio de 2016 pediu uma ordem restritiva contra Depp, de 58, alegando violência doméstica antes de pedir o divórcio, escreveu um artigo de opinião para o jornal The Washington Post em dezembro de 2018, no qual descreveu a si própria como uma "figura pública que representa o abuso doméstico", sem mencionar seu ex-marido.

O protagonista de Piratas do Caribe a processou por US$ 50 milhões em perdas e danos por insinuar que ele é um abusador.

A atriz, originária do estado do Texas  e protagonista de Aquaman, retrucou e o processou por US$ 100 milhões, alegando ter sofrido "violência física e abuso desenfreado" do ex-marido.

Nos quatro dias de seu depoimento, Depp negou ter agredido Heard e afirmou que era ela quem frequentemente se mostrava violenta.

Ciumento, controlador e bêbado

Barkin, de 68 anos, disse que teve uma breve "relação sexual" com o ator na década de 1990.

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Ela contou que durante os vários meses em que estiveram juntos, Depp "estava bêbado na maior parte do tempo".

"É um homem ciumento, controlador. 'Aonde vai? Com quem vai? O que fez ontem à noite?'", acrescentou.

A atriz Ellen Barkin, que foi namorada de Johnny Depp, gravou seu testemunho no caso Depp X Amber Heard Foto: Shawn Thew/EFE

"Uma vez ficou muito irritado porque tinha um arranhão nas costas e insistiu em que era porque tive relações sexuais com outra pessoa que não era ele", disse.

Barkin relatou, ainda, um incidente durante as filmagens em 1998 de Medo e loucura em Las Vegas, no qual Depp "jogou uma garrafa de vinho do outro lado do quarto do hotel (...) Não sei por que jogou a garrafa", embora tenha dito que pode ter tido uma discussão com amigos ou com seu assistente.

Pouco profissional

Tracey Jacobs, ex-agente de Depp que também deu um testemunho gravado, disse que a fama do ator começou a decair depois de 2010 devido a seu "comportamento pouco profissional".

Os advogados de Depp alegam que as acusações de abuso doméstico danificaram a reputação de seu cliente. Mas sua ex-agente garantiu que o ator já havia começado a decair antes disso.

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Jacobs afirmou que o "comportamento não profissional" de Depp incluía o uso de drogas e álcool, além de "chegar tarde no set consistentemente em praticamente todos os filmes".

"As equipes de produção não gostam de esperar horas e horas e horas para a estrela aparecer", explicou. "É uma comunidade pequena e isso deixou as pessoas relutantes em procurá-lo", disse.

Ela alegou que Depp estava em tanto "desespero financeiro" em janeiro de 2016 que procurou a agência para pedir 20 milhões de dólares.

"A proposta não foi formulada como um empréstimo", disse, acrescentando que seus sócios disseram a Depp que a empresa "não era um banco", embora o tenham ajudado a obter um empréstimo através do Bank of America.

Por sua vez, Josh Mandel, ex-empresário de Depp, disse que estava "extremadamente preocupado" com a situação financeira de Depp em 2015.

Houve conversas "constantes" com o ator para reduzir seus gastos, mas isso "nunca aconteceu", acrescentou.

"Com o tempo, se tornou evidente que tinha problemas com o álcool e as drogas" e "isso se traduzia em um comportamento mais errático", detalhou.

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A certa altura, Depp estava gastando US$ 300 mil por mês em funcionários em tempo integral e outros US$ 100 mil por mês em um médico e enfermeiras para garantir sua sobriedade, indicou.

Mandel estimou que Depp ganhou em torno de R$ 600 milhões durante as décadas que o representou.

Indicado três vezes ao Oscar, o ator demitiu Mandel em 2016, que o processou, embora ambos tenham chegado a um acordo em 2018.

Amber Heard, durante depoimentos no processo mútuo de difamação Foto: Shawn Thew/EFE

Depp também demitiu Jacobs em 2016. Questionada sobre o motivo, ela afirmou: "realmente não sei. Tudo o que sei é que rompeu com praticamente todos que estavam na sua vida".

Os advogados de Depp convocaram para depor especialistas que declararam que o ator perdeu milhões de dólares devido às acusações de abuso doméstico, incluindo US$ 22,5 milhões pelo sexto filme da franquia Piratas do Caribe.

O ator processou a ex-mulher nos Estados Unidos depois de perder um caso de difamação em Londres, quando atacou o tabloide britânico The Sun por chamá-lo de "espancador de esposas".

Heard e Depp se conheceram em 2009 no set de Diário de um Jornalista Bêbado e se casaram em fevereiro de 2015. O divórcio foi finalizado dois anos depois.

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A juíza Penney Azcarate marcou as alegações finais do caso para 27 de maio. Depois delas, o júri irá deliberar.

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