O Dia do Livro Infantil, comemorado em todo o mundo neste 2 de abril, destaca o papel da literatura na formação do público infanto-juvenil. A data remete ao aniversário de nascimento do autor dinamarquês Hans Christian Andersen, responsável por contos de fadas que marcaram gerações.
O Estadão separou dicas para incentivar pequenos leitores e leitoras a pegar gosto pela leitura – um esforço ainda mais importante em tempos de superexposição às redes sociais. Confira:

Comece cedo
Ler para um bebê de poucos meses pode até parecer uma ideia inusitada, mas a contação de histórias para os pequeninos pode despertar o prazer pela leitura. A atividade contribui para que, aos poucos, eles associem ideias à linguagem e despertem para a fantasia.
“A leitura de livros de história pela família ou adulto, desde a primeira infância, possibilita compartilhar emoções. Ao ler ou contar histórias, a voz, a escuta, os gestos possibilitam associar o som das palavras à emoção que a história está transmitindo. Aprimora os sentidos e a atenção tão importantes na leitura”, explicou Zoara Failla, coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em entrevista concedida ao Estadão em 2022.
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Seja exemplo
A influência dos pais e dos professores são determinantes no desenvolvimento do gosto pela leitura. Segundo Zoara, há muito mais leitores entre aqueles que foram e são estimulados pela família a ler. “Quando ela lê para o filho, quando lê na frente das crianças, quando a presenteia com livro, isso faz toda a diferença”, afirma.
A pesquisa Retratos da Leitura, cuja edição mais recente foi divulgada em 2024, mostrou que a internet e as redes sociais estão roubando o tempo do livro, sobretudo no pós-pandemia. Isso motivou a queda no número de leitores no grupo correspondente à faixa etária de 5 a 10 anos. Crianças em idade escolar não estão tendo a chance de desenvolver o gosto pela leitura, já que são cada vez estimuladas a ficar no celular. “Em vez de os pais estarem apresentando livro para entretenimento, fica mais fácil oferecer o celular com jogos e vídeos”, diz ela.
Ou seja, se uma criança vê os pais ou outros adultos cuidadores recorrendo ao celular e telas em geral como lazer, é incentivada a fazer o mesmo. Em contrapartida, se o que observa é um livro aberto, a leitura como atividade prazerosa, a chance de se aproximar da atividade é muito maior.
Inclua a ‘hora da leitura’ na rotina
Definir um momento do dia ou da semana para a leitura em casa ajuda as crianças a cultivarem o hábito desde cedo. Ler é sinônimo de calma e silêncio, o que ainda estimula a concentração, a (muito bem-vinda) distância dos aparelhos eletrônicos e o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos.
Busque clubes de assinatura
Por mais que sejam antenados e conhecedores de literatura, os pais de pequenos leitores nem sempre consideram escolher livros para crianças uma tarefa fácil. Para ajudar nisso, existem clubes de leitura por assinatura voltados ao público infantil. São projetos com curadoria de especialistas, que garantem ainda a conveniência de receber um título novo em casa todo mês.
Há opções para todas as idades. Entre elas, estão A Taba, Quindim, Minha Pequena Feminista, Leiturinha, Ovelhinhas, Box Baby Club e Box Kids Club.
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Passeios literários
Outra maneira de diversificar as leituras dos pequenos e estimular o apreço pelos livros é incluir passeios literários na programação da família. Frequentar bibliotecas e livrarias, principalmente aquelas especializadas no público infantil, possibilita também que as crianças desenvolvam a autonomia, ao escolher o que querem ler. Em São Paulo, por exemplo, existem inúmeras livrarias voltadas a esse público. Clique aqui e conheça algumas.
Além disso, feiras literárias ao ar livre, eventos com contação de histórias, centros culturais, exposições e peças de teatro são mais formas de incentivar a conexão com a literatura e a cultura como um todo.
Livros para bebês
Embora a literatura infantil e juvenil feita no Brasil seja bastante rica, a edição de bons livros para bebês é algo relativamente novo – a maioria desses títulos prioriza a materialidade do objeto livro (se será feito de plástico, cartonado, pano) deixando a qualidade da história e da estética em segundo plano.
Veja obras que garantem uma experiência de leitura que inclua o bebê, indicadas por Denise Guilherme, idealizadora do clube de leitura A Taba, ao Estadão:
- Aperte Aqui (Ática), de Hervé Tullet;
- Um Abraço Passo a Passo (Panda Books), de Tino Freitas e Jana Glat;
- Bebês Brasileirinhos (Cia. das Letrinhas), de Lalau e Laurabeatriz;
- Bola Vermelha (Pulo do Gato), de Vanina Starkoff;
- Céumar Marcéu (Jujuba), de Renato Moriconi;
- Era Uma Vez Outra Vez (Barbatana), de Edith Chacon e Priscilla Ballarin;
- O Mundo de Isa (Peirópolis), de Maria Cristaldi;
- Tchim! (SM), de Virginie Morgand;
- Bem Lá no Alto (Cia. das Letrinhas), de Susanne Strasser;
- Bia e o Elefante (Jujuba), de Carolina Moreyra e Odilon Moraes
Dica extra: Conheça o livro brasileiro foi eleito o melhor do mundo para bebês
Livros para crianças
Nas listas abaixo, veja mais títulos indicados pelo Estadão para introduzir as crianças a diferentes temáticas:









