30 anos de 'Caderno 2': Luis Fernando Verissimo relê sua primeira crônica publicada
Primeira edição do caderno saiu no dia 6 de abril de 1986. Crédito: TV Estadão | 05.04.2016
Luis Fernando Verissimo escreveu diversas crônicas e outros materiais ao Estadão durante mais de três décadas (clique aqui para conferir). Confira a seguir alguns destaques.
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Luis Fernando Verissimo e o Estadão
A história de Luis Fernando Verissimo com o Estadão teve início no fim da década de 1980. Em 6 de novembro de 1988, sua estreia com a crônica gráfica As Aventuras da Família Brasil. A tirinha continuaria sendo publicada no jornal até o ano de 2017, quando Verissimo anunciou o fim de sua regularidade.
Seu primeiro texto, de fato, assinado nas páginas do Estadão foi “O Senhor do Bonfim nos deu um castigo”, em 21 de fevereiro de 1989. Já a sua estreia como cronista fixo do Caderno 2 aconteceria meses depois, em 30 de julho de 1989, com o texto “Os Outros”.
Luis Fernando Verissimo continuou escrevendo para o jornal até janeiro de 2021, quando sofreu um AVC. Uma área do cérebro ligada a cognição e à ordenação de seus pensamentos foi afetada, e veio a dificuldade para escrever.
Em abril de 2022, diante das dificuldades enfrentadas por ele para produzir seus textos, veio o anúncio oficial de que Verissimo tinha parado com a coluna, dando fim a uma era em que, com poucas palavras, e bastante precisão, teve muito a dizer.
Os textos de Luis Fernando Verissimo no Estadão
Verissimo escrevia sobre tudo. Tarzan, Fidel Castro, o evangelho, o Apartheid. Nada era distante o suficiente para não figurar num de seus textos, se a criatividade ou o noticiário permitissem.
Fez, também, alguns títulos ‘sequenciais’, como a série de seis textos intitulados “Histórias de Verão”, com subtítulos como “O Tapir”, “O Parente” e “Bandeira Branca”, publicados entre janeiro e fevereiro de 1999. Talvez uma forma de fidelizar ainda mais seus ávidos leitores.
Confira a seguir um pouco mais sobre crônicas e colunas marcantes do autor no jornal.
As Aventuras da Família Brasil
As tirinhas retratavam, de forma crítica e satírica, uma família da classe média brasileira - sem se importar tanto com nomes ou profissões. Abrangeu a cobertura do noticiário de temas diversos e de variados governos entre 1988 e 2017.

Os Outros
Às vésperas das eleições de 1989, o primeiro texto de Luis Fernando Verissimo como colunista do Caderno 2 do Estadão trazia uma lista com os “outros candidatos” mais “obscuros” ao cargo de presidente - todos fictícios, é claro, mas com tons de crítica que poderiam ser verdadeiras.
Um era “Deputado federal pelo seu estado, que recusa a dizer qual é, com medo que a população se dê conta.” Outro, um fascista revoltado com o pai comunista, “preparava-se para tomar o governo quando todos foram chamados para dentro porque era hora de dormir”.
Um dos candidatos pretendia “instalar o governo federal em Paris e assim economizar o dinheiro das viagens”. “Conta com o apoio de todas as minorias do País, pois pertence à menor minoria de todas. É milionário”, consta em outro trecho da coluna. Verissimo encerrava: “Na verdade, nenhum desses candidatos existe mesmo. Foi só para você se sentir melhor a respeito dos que existem”.
Leia “Os Outros, de Luis Fernando Verissimo.

A Caixinha
Em janeiro de 2021, Verissimo abordava a invasão do Congresso dos Estados Unidos por apoiadores do então ex-presidente Donald Trump (o republicano voltaria ao cargo após vencer Kamala Harris em 2024), ocorrida naquela semana.
Na crônica, Trump estaria trancado em um quarto na Casa Branca, incomunicável, pedindo “mais quatro anos de governo”. Quando perguntado se precisava de algo, respondia: “Tenho tudo que eu preciso, obrigado. Inclusive a caixinha”. Nela, haviam dois botões: um disparava foguetes em direção à Rússia, outro ao Congresso dos EUA.
Leia “A Caixinha”, de Luis Fernando Verissimo.
Primeira coluna do novo milênio
No primeiro dia do ‘novo milênio’, foi um dos três colunistas do Estadão, ao lado de Ignácio de Loyola Brandão e João Ubaldo Ribeiro, convidados a escrever um texto se imaginando dali a mil anos no futuro. Na crônica de Verissimo, a China teria crescido e englobaria o território que vai da Sibéria até a Nova Zelândia. “Se espera que finalmente a ciência resolva, de uma vez por todas, essa questão dos zeros do computador, além de descobrir a cura do resfriado”, brincava, em referência ao chamado “bug do milênio”, receio de muitos à época. Também batia numa tecla matemática: “De uma vez por todas: 2999 não é o fim do milênio”.
Leia “Hoje é 1.º de Janeiro de 3000″ no Estadão.
Relembre textos, crônicas e colunas de Luis Fernando Verissimo no Estadão
Clique sobre o nome de cada uma das publicações abaixo para ler a íntegra.
- As Aventuras da Família Brasil (6/11/1988)
- O Senhor do Bonfim nos deu um castigo (21/02/1989)
- Os Outros (30/06/1989)
- “Hoje é 1.º de Janeiro de 3000” (01/01/2000)
- Recapitulando (31/12/2015)
- Na ponta da língua (14/08/2016)
- Primeirões (06/07/2017)
- A Mesa dos Adultos (14/06/2018)
- Obrigado, Joana (26/12/2019)
- Ausência presente (30/01/2020)
- A Caixinha (14 de janeiro de 2021)







