Estação reativada, app, palcos reposicionados: como vai funcionar o The Town 2025

Na primeira edição, em 2023, público relatou dificuldades com disposição dos palcos, filas e trens. Organização, Prefeitura e ViaMobilidade listam mudanças para este ano

PUBLICIDADE

Foto do autor Sabrina Legramandi

O The Town, já na primeira edição, se tornou um dos maiores festivais de São Paulo. Em 2023, o evento trouxe nomes de peso no line-up, como Bruno Mars, Maroon 5 e Foo Fighters, mas também alguns ‘perrengues’ para quem resolveu curtir o evento, como grandes filas e atrasos no transporte público.

A partir deste sábado, 6, o festival retorna ao Autódromo de Interlagos para sua segunda edição, com a promessa de entregar uma experiência ainda melhor para quem comprou ingressos para assistir a shows de nomes como Lauryn Hill, Green Day, Mariah Carey, Backstreet Boys e Katy Perry.

A cantora Mariah Carey é uma das atrações do The Town. Foto: Taba Benedicto/ Estadão

PUBLICIDADE

Ao Estadão, a Prefeitura informou que as projeções apontam para um público de 600 mil pessoas nos dias de festival e um impacto de R$ 2 bilhões na economia da cidade. “Não tenho dúvidas de que o The Town é um dos melhores eventos do mundo”, disse o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, em uma coletiva no evento teste do festival com Ricardo Medina e Luis Justo, CEO da Rock World, nesta quinta-feira, 4.

A reportagem acompanhou o evento teste e também contatou os responsáveis pelo festival, a Prefeitura e a ViaMobilidade - que opera a Linha 9–Esmeralda - para questionar sobre as melhorias previstas para este ano. Abaixo, listamos as maiores reclamações da primeira edição e as soluções propostas para a segunda.

Publicidade

Grandes filas na entrada

O público que foi ao festival em 2023 enfrentou longas filas para entrar no Autódromo de Interlagos – houve até denúncias de vendas de lugares na fila. À época, o The Town afirmou que as pessoas começaram a se acumular na entrada cerca de 4 horas antes da abertura dos portões, marcada para as 14h naquele ano.

Neste ano, os portões serão abertos a partir do meio-dia. “Com essa mudança, os acessos se tornam mais distribuídos ao longo do dia, reduzindo a concentração de pessoas em horários de pico e tornando a entrada no festival mais rápida e confortável”, comentou a organização, em nota.

Filas e atrasos no transporte público

Já na primeira edição, a organização criou transportes específicos para o evento – mais rápidos para quem os adquiriu, mas mais caros. Trens semi-expressos e expressos atenderam o público em todos os dias do festival, assim como os trens comuns. O horário da volta, no entanto, se tornou uma dor de cabeça para o público que optou por esses meios de transporte. Do lado de fora da Estação Autódromo, formou-se uma grande fila. Do lado de dentro, o público enfrentou atrasos dos trens, inclusive nas modalidades específicas do festival.

Em comunicado enviado ao Estadão sobre as melhorias para este ano, a ViaMobilidade afirmou que, desde 2022, investiu R$ 4 bilhões nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, adquiriu 36 novos trens, substituiu mais de 30 km de trilhos, revitalizou 120 km de via permanente e modernizou 15 estações.

Publicidade

Neste ano, a organização vai oferecer apenas o trem na modalidade expressa (R$ 35, ida e volta), aproveitando a estação Cidade Dutra, que está localizada a 500 metros do portão G do Autódromo e foi reativada temporariamente para o evento. Há duas rotas disponíveis:

  • Rota 1, com embarque na Estação Barueri, na Linha 8-Diamante, e uma única parada na Estação Pinheiros. Depois, o trem segue até a Estação Cidade Dutra;
  • Rota 2, com embarque na Estação Pinheiros, na plataforma da Linha 9–Esmeralda, e uma única parada na Estação Morumbi-Claro. Depois, o trem segue até a Estação Cidade Dutra.

Nas estações Barueri e Morumbi-Claro, os embarques vão ocorrer a cada 1 hora e, na Estação Pinheiros, a cada 30 minutos. Nos cinco dias do festival, o metrô e os trens funcionarão por 24h.

Segundo a ViaMobilidade, a operação regular da Linha 9-Esmeralda não sofrerá nenhuma alteração durante os dias de evento. A empresa também reforçou que as melhorias feitas na linha “estarão disponíveis para quem utilizar o Trem Expresso The Town 2025″.

Publicidade

PUBLICIDADE

Além do trem expresso, a organização do The Town vai oferecer um ônibus metropolitano expresso até o Autódromo de Interlagos (R$ 40, ida e volta) e um ônibus executivo, chamado de The Town Primeira Classe, com serviço de embarque e desembarque dentro do Autódromo (R$ 220, ida e volta, com embarque em estações de São Paulo, e R$ 300, ida e volta, com embarque em Campinas).

O ônibus executivo também vai atender nas rodoviárias de Santos (R$ 350, ida e volta), Franca (R$ 560, ida e volta), Sorocaba (R$ 300, ida e volta), Curitiba (R$ 560, ida e volta), Belo Horizonte (R$ 750, ida e volta) e Rio de Janeiro (R$ 600, ida e volta).

Trânsito nos arredores do Autódromo

Já é de praxe - não apenas durante o The Town, mas em grandes eventos que ocorrem no Autódromo - se deparar com um trânsito extremamente carregado nos arredores. A Prefeitura diz que prepara uma operação especial para facilitar a circulação durante o festival.

Conforme o órgão, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai monitorar o tráfego com 210 agentes e 230 pessoal de apoio, das 6h às 3h30. A Prefeitura também criou bolsões de táxi nas Avenidas Rio Bonito, Interlagos e Rubens Montanaro de Borba. Veículos de aplicativo também terão áreas de espera monitoradas nas Avenidas Antônio Barbosa da Silva Sandoval e Interlagos (após a Praça Moscou), e na Praça Piemonte.

Publicidade

Filas para comprar comida e bebidas dentro do festival

Na primeira edição, o público relatou grandes filas para tentar comprar comidas e bebidas no evento. Neste ano, a organização garante que o público não vai precisar enfrentá-las.

O The Town diz ter ampliado as funcionalidades do aplicativo oficial do evento, disponível para iOS e Android. Lá, o público poderá agendar a ida aos brinquedos e comprar bebidas antecipadamente.

Montagem do Palco Skyline no The Town. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Em relação aos banheiros, a organização afirmou que, na segunda edição, as unidades vão contar com uma “sinalização inteligente” para informar a capacidade de cada uma delas. Além disso, será possível ver a disponibilidade dos banheiros por meio do aplicativo oficial do festival, que funcionará por geolocalização.

Áreas alagadas pela chuva

A primeira edição enfrentou um aguaceiro no primeiro dia. A chuva intensa fez com que alguns pontos do Autódromo ficassem alagados.

Publicidade

Para este ano, a organização diz ter realizado um mapeamento completo de áreas sensíveis a chuvas, que receberão placas em caso de previsão de instabilidade climática. Além disso, o Palco Skyline, onde os headliners vão se apresentar, conta com piso asfaltado e 16 mil m² de grama sintética. As áreas de serviço, como bares, restaurantes e banheiros, foram posicionadas em pontos asfaltados para evitar lama.

Dificuldade de locomoção entre principais palcos

Uma das coisas que mais chamou a atenção em 2023 foi a espécie de “funil humano” que se formou entre os palcos The One e Skyline, que costumam receber as principais atrações. Naquele ano, um ficou posicionado de frente para o outro, com uma distância relativamente pequena entre ambos.

Segunda edição do The Town ocorre a partir deste sábado, 6. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Para esta segunda edição, a organização fez um desenho completamente novo para a Cidade da Música, nome dado à estrutura do evento. Agora, a distância entre o Skyline e o The One é grande. O The One fica “de costas” para o Skyline, ao lado da montanha-russa e do Palco Quebrada, uma das novidades da edição.

Publicidade

A organização também afirma ter ampliado o intervalo entre as apresentações para que o público aproveite todas elas. É uma forma de evitar o que aconteceu em 2023, quando muitas pessoas optaram por deixar o último show no Palco The One antes da apresentação principal no Skyline.

Problemas de acessibilidade para PCDs

Já na primeira edição, o festival disponibilizou plataformas e espaços exclusivos nos principais palcos para PCDs, rotas exclusivas de circulação e o empréstimo de cadeiras de rodas e do Kit Livre – um equipamento elétrico que torna as cadeiras de rodas motorizadas. Apesar disso, algumas pessoas relataram dificuldades para conseguir acessar às áreas específicas para PCDs.

Neste ano, o evento diz ter ampliado o número de plataformas elevadas de visibilidade, que serão posicionadas em todos os palcos. O festival também vai contar com duas ilhas de banheiros acessíveis, próximas à Central de Acessibilidade e à plataforma de visibilidade do Palco Skyline.

Dentre os recursos oferecidos pelo The Town na segunda edição, estão: Central de Acessibilidade, empréstimo de cadeiras de rodas manuais e motorizadas (Kit Livre), plataformas elevadas nos palcos para PCDs e grupos prioritários, brinquedos adaptados e com agendamento prioritário, sala sensorial, kits sensoriais, tradução em Libras e audiodescrição.

Publicidade

O festival ainda vai contar com uma equipe treinada para atendimentos em diversas situações, como crises de ansiedade e pânico.