Live volta ao Brasil depois de sete anos

Banda liderada por Ed Kowalczyk mostra em mini-turnê pelo País, que inclui BH, SP e Rio, músicas de V, novo álbum que deve ser lançado em setembro

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Por Agencia Estado
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Desembarca amanhã no Olympia, sete anos após sua mais recente apresentação no Brasil - em 1994 durante o Hollywood Rock, quando era então desconhecida -, a banda norte-americana Live, hoje com alguns milhões de discos vendidos no currículo. "Adorei aquele show e há sete anos fazemos planos para voltar", diz, por telefone, o vocalista Ed Kowalczyk, líder do grupo surgido em York, Pensilvânia. "Hoje em dia nós somos um pouco diferentes, mais abertos à experimentação, a experiências e ritmos novos", anuncia. Kowalczyk diz que vem agora com um sexteto (são dois instrumentistas convidados, além dele, do guitarrista Chad Taylor, do baterista Chad Gracey e do baixista Patrick Dahlheimer). "Devemos tocar três ou quatro músicas de nosso disco novo, V, que será lançado em setembro aqui nos Estados Unidos", afirmou o vocalista. O novo disco promete ser interessante, com participações do bardo inglês Tricky e de Adam Duritz, dos Counting Crows. Quer dizer que, com Tricky, se pode esperar algum trip hop de uma banda roqueira por excelência, como é o Live? "É uma viagem, mas não é trip hop", brinca Kowalczyk. "Tricky é um artista singular e não pode ser enquadrado dentro de um rótulo, tem muitas facetas musicais e nossa colaboração foi fácil e harmônica", diz. Em 1991, quando o Live surgiu, os Estados Unidos viviam o auge do grunge. A banda foi, obviamente, influenciada por grupos como Nirvana e Pearl Jam, mas ultrapassou a influência com seu rock espiritualizado, recheado de influências literárias e citações hindus e bíblicas. E também com muita referência a uma natureza agreste e básica de sua terra natal - a pedra, o rio, a água, o peixe. "York é uma cidade pequena e eu tenho toda minha família lá, mas hoje vivo na Califórnia", diz o cantor. "Na verdade, há uma mentalidade provinciana na região e tivemos de sair de lá para expandir nossas referências, mudar nosso jeito de ver a vida em lugares como Baltimore, Nova York, Washington" contou. O álbum V é o quinto do grupo. Inicialmente, deveria chamar-se Ecstatic Fanatic, mas o grupo resolveu simplificar. Tricky participa na faixa Simple Creed, como uma espécie de retribuição ao fato de Kowalczyk ter participado de seu álbum mais recente, Blowback. O primeiro disco do Live, Mental Jewelry, foi lançado em 1991. Com produção de Jerry Harrison (ex-Talking Heads), era baseado nos livros do filófoso indiano Jiddu Krishnamurti. As atitudes e declarações contemplativas de Kowalczyk criaram até a definição de hard rock budista para sua banda. Ele diz que não é budista. "Acredito que Deus está em todo lugar, e que todo mundo é Deus", diz o cantor. "Não tenho uma religião e um único credo, mas mantenho a mente aberta para aprender sobre espiritualidade", diz o cantor, que já andou cultivando um visual de guru pop, com careca reluzente e trancinha de monge ao pé da nuca. Em 1994, eles lançaram o platinado Throwing Copper, um dos seus grandes sucessos. Em 1997, lançaram Secret Samadhi. Em 1999, era a vez de The Distance to Here, um disco com 14 faixas que fixou de vez o estilo vigoroso, porém melódico do grupo, capitaneado pela voz adolescente de Kowalczyk. O novo disco foi gravado em Los Angeles durante intervalos da interminável turnê Distance Tour. Adam Duritz, dos Counting Crows (esta sim, uma banda que tem mais a ver com o Live) participa nos vocais da faixa Flow, escrita em parceria com Kowalczyk. Um dos grupos que participaram do festival de Woodstock, em 1994. Estradeiros, chegaram a fazer 252 shows em 18 meses, e estão de novo na estrada. Já foram capa das revistas Spin e Rolling Stone e eleitos Artistas do ano pelo Billboard Music Awards, em 1995. Participaram de programas como Saturday Night Live e MTV Unplugged. Ainda assim, mantém-se com a cabeça no lugar, sem ataques de estrelismo. Kowalczyk é boa-praça, de opiniões ponderadas e medidas. Escolher entre São Paulo e Rio? "Adorei os dois lugares, são legais e as pessoas na platéia são elétricas, animadas", diz. A nova turnê do grupo Live começou em Belo Horizonte, no dia 12. Amanhã estará em São Paulo e quarta, no Canecão, no Rio. Não há novas datas previstas no restante da América Latina. Live. Amanhã, às 21h30. De R$ 50,00 a R$ 90,00. Olympia. Rua Clélia, 93, tel. 3675-3999.

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