James Marsden fala sobre ‘Paradise’ e situações limite e avalia seus papéis: ‘Me desafiar ao máximo’

Ator, que já fez ‘X-Man’, ‘Sonic’ e ‘Westworld’, disse ao ‘Estadão’ que está sendo parado nas ruas de Nova York por conta do sucesso da série, exibida no Disney+; ele avalia a produção e comenta o 7º episódio

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Foto do autor Matheus Mans

Em exibição no Brasil pelo streaming Disney+, a série Paradise já é um dos grandes sucessos da TV nesse primeiro trimestre de 2025. Em um período geralmente mais fraco, que vive de ressaca pela temporada de premiações do cinema e da TV, a produção criada por Dan Fogelman (This is Us), e que chegou ao fim da primeira temporada na terça, 4, surpreendeu por misturar drama, thriller político e ficção científica em uma só história. E quem está rindo à toa com isso é o ator James Marsden.

Afinal, o galã é o grande motor da narrativa da trama ao interpretar Cal, presidente dos Estados Unidos que é encontrado morto em seu quarto já no primeiro episódio. O que houve? Quem matou o presidente? A investigação cai nas costas de seu segurança pessoal e amigo Xavier Collins (Sterling K. Brown), que precisa entender como o crime aconteceu.

James Marsden é um dos pilares da série 'Paradise' Foto: Disney/Divulgação

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Marsden, um coadjuvante de luxo em vários flashbacks que permeiam toda a série e que dá personalidade a esse presidente jovem e bonitão, disse ao Estadão que fazia tempo que não sentia um sucesso tão grande rondá-lo dessa forma. “Eu diria que estou surpreso, mas isso poderia soar como se eu não esperasse que a série fosse bem, e não é isso. Acho que sempre é uma surpresa quando algo atinge esse nível de sucesso. Parece um bônus”, diz.

Nas ruas, aliás, Marsden está sendo interpelado justamente por seu trabalho como Cal – e deixando outros, antes mais populares, de lado. “Estou em Nova York agora, caminhando pela rua, e as pessoas me reconhecem. Muitas vezes é por X-Men ou Sonic, mas agora é tudo sobre Paradise. Você sente isso”, conta. “Senti o mesmo. É uma sensação muito boa porque me deixa orgulhoso. As pessoas estão gostando da série e ela está funcionando”.

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Mistura de sucesso

É sempre complicado entender os caminhos do sucesso de uma série ou filme – é um mercado estranhamente imprevisível, difícil de decifrar. O bom desempenho de Paradise parece ser fruto de uma boa mistura de gêneros. Logo no primeiro episódio, surpreende com um final que muda completamente o contexto da coisa. Depois disso, tem momentos dramáticos, boas discussões existenciais e uma carga política interessante.

Ao longo de oito episódios, mantém bem o ritmo. E há o espetáculo audiovisual que é o episódio 7. Quase todo montado em flashback, faz um thriller político colado no apocalipse.

“Tratamos o episódio 7 quase como uma produção separada — ou melhor, um filme dentro da série. Ele parecia enorme. Foi desafiador. Foi o episódio com mais efeitos especiais, embora tenhamos tentado fazer o máximo possível de forma prática. Mas foi intenso”, diz o ator, evitando spoilers.

“É difícil não se colocar nessas situações e pensar se chegarmos a esse ponto. Não acho que a série esteja dizendo que isso vai acontecer tão cedo, mas é assustador imaginar. E estar cercado por atores incríveis só torna tudo ainda mais real.”

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Além disso, não dá para fechar os olhos de que se trata de uma produção assinada por Dan Fogelman. Por mais que seja taxado por muitos como excessivamente dramático ou até mesmo melodramático por conta do novelão de This is Us, o americano sabe criar ganchos e boas discussões nas séries que cria e escreve. Há proposta, há boas ideias e há tensão.

Tudo isso é perceptível em Paradise. “Nosso objetivo é provocar conversas e reflexões. Não há uma grande mensagem na série. Não acho que seja esse tipo de produção”, diz o ator.

A dupla brilhante de 'Paradise': Sterling K. Brown e James Marsden Foto: Disney/Divulgação

A série, que tem um pé no fim do mundo, quer entender como as pessoas agem em situações em que o estresse vai ao limite – seja com o planeta desabando ou com o presidente que é morto, fazendo com que todos questionem quais caminhos devem seguir.

“É sobre ver os personagens medindo suas vidas, questionando o que ainda tem valor. A série realmente destaca dinâmicas de poder, disparidades de classe e status. Mas não acho que se torne um discurso político. Acho que esse cenário serve como um espaço rico para drama, tanto para nós, atores, quanto para os personagens”, diz Marsden.

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“E também é um exercício interessante para o público, que pode se enxergar em algum personagem e se perguntar: ‘e se fosse comigo? Como eu reagiria? O que teria valor para mim?’”, completa.

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James Marsden na TV

Com James bem ali, falando livremente sobre seu trabalho na TV, é difícil não perguntar: e agora? Após sucessos sequenciais na telinha com Jury Duty, Dead to Me e Paradise, o ator confessa que agora avalia seus papéis de acordo com a qualidade da história.

“Primeiro, o papel. Nunca quero participar de algo que não me desafie ou não me inspire. Depois, a história. Tento buscar histórias que não pareçam recicladas. Hoje em dia, vemos muitos remakes de séries e filmes, e isso pode parecer seguro. Não gosto de me sentir seguro criativamente”, diz Marsden, questionado sobre como escolhe seu próximo trabalho.

“Gosto de fazer escolhas ousadas, desafiadoras, interessantes. Se algo me interessa, espero que também interesse ao público”, continua o ator. “Jury Duty foi um daqueles momentos mágicos, como um experimento único onde pude brincar com a ideia da fama e do privilégio em Hollywood. Westworld teve algumas das mesmas questões que exploramos em Paradise, essa ideia de um ‘e se…’. Dead to Me era uma comédia de humor macabro, com personagens complexos e arriscados. Isso mostra que gosto de me desafiar ao máximo. Eu gosto, de verdade, de chegar o mais perto possível do limite”.