Com o fim de Vale Tudo na noite desta sexta-feira, 17, chegou o momento do balanço com o que deu certo e o que deu errado na trama escrita por Manuela Dias. Com Odete Roitman (Débora Bloch) como grande protagonista e Raquel (Taís Araujo) nitidamente escanteada, a novela conquistou o público e os anunciantes, mesmo tendo se afastado da versão original e, em muitos momentos, irritado o telespectador com tramas sem sentido.

O Estadão listou sete erros e sete acertos que ocorreram ao longo dos sete meses em que Vale Tudo esteve no ar.
O que deu certo
Odete Roitman - A vilã das vilãs caiu nas mãos certas: há tempo a TV devia uma grande papel a Débora Bloch. A atriz esteve ótima em muitos momentos e fez o que foi possível diante do texto de Manuela Dias. Criou um novo lastro com os telespectadores.
Tia Celina - A tia da família Roitman caiu no gosto do público. Manuela Dias havia prometido entregar uma Celina mais empoderada, mas não foi o que ocorreu ao longo da trama. Tia Celina seguiu contendo as crises de Heleninha, se preocupou com Afonso e dispensou o paciente Estéban. Mesmo assim, Malu Galli ganhou a simpatia da audiência.

César e Olavinho - Cauã Reymond, alvo de ataques no começou da novela por parte do elenco, tocou a bola para frente e fez uma grande dupla de atacante com Ricardo Teodoro, o Olavinho. A cena na qual Olavinho chama César de “chefe abusivo” é um exemplo de um dos grandes momentos dos dois personagens.
Solange - No visual, Alice Wegmann foi a que mais buscou referência na Solange da versão original, interpretada por Lídia Brondi. Poderia cair na caricatura, mas criou uma Solange contemporânea, charmosa e de alto astral. Não à toa, atraiu anunciantes.
Consuelo - O talento da atriz Belize Pombal permitiu que ela criasse uma personagem que foi ganhando cada vez mais espaço na trama. O fato de Manuela Dias perder o interesse na protagonista Raquel também favoreceu para que Cônsul assumisse o protagonismo na reta final. Como prêmio, desmascarou o corrupto Marco Aurélio.

Leozinho - O fato do filho de Odete Roitman estar vivo foi um bom trunfo da autora - e rendeu boas cenas, como a que Odete se rende e dá um abraço no filho para protegê-lo. Ainda revelou para a TV o ator Guilherme Magon. Ficou faltando apenas a água.
Os merchans - Se Vale Tudo fosse um programa vespertino, ele seria A Tarde é Sua, tamanha a quantidade de propagandas durante as cenas. Bom para a TV Globo, que faturou alto com a novela. Reflexo da chegada da TV 3.0, ou DTV+, onde o telespectador poderá comprar tudo com um clique, de amaciante de roupas ao figurino dos personagens.
O que deu errado
Raquel - Taís Araújo teve toda razão quando reclamou publicamente de sua personagem. Se na primeira versão Raquel foi uma mulher batalhadora e vencedora, agora, a cozinheira se perdeu em cenas vazias, que quase nunca implicavam em algo relevante para a trama. Manuela Dias ainda tirou dela o gostinho da vingança contra Odete. Uma pena.

Ivan - A interpretação de Renato Góes deixou tudo muito linear e o ator desperdiçou os poucos conflitos que foram oferecidos ao personagem. Deu saudade da energia de Antônio Fagundes. Ivan também foi prejudicado pela autora ter deixado Raquel de lado.
Tiago - Inexperiente, Pedro Waddington não deu conta de ser filho do casal Marco Aurélio e Heleninha e neto de Odete Roitman. Conclusão: na cena principal do clã, quando é revelado que Leozinho está vivo, Tiago não estava presente. A desculpa? Ele estava viajando.
Renato Filipelli - Na primeira versão, Renato era a voz de sensatez na família Roitman. O amigo que acalmava e aconselhava a insegura Tia Celina, além de ser capaz de bater de frente com Odete. Mais um personagem desperdiçado nesta atual versão. Nem o burnout foi capaz de imprimir alguma emoção a ele. João Vicente de Castro, por sua vez, também pouco colaborou.

O casal Cecília e Laís - A promessa era de ser um casal lésbico com um arco dramático interessante, mas o que se viu foi um desenrolar inconsistente para a história de amor entre elas. Tráfico de animais, atentado e tentativa de extorsão foram apenas tentativas em vão de inseri-las na trama. O afeto entre duas mulheres, mais uma vez, ficou em segundo plano.
O mordomo Eugênio - Nem para viver a aposentadoria com o amor de sua vida, o Freitas, Eugênio teve brio. Mesmo aposentado, não resistiu ao “Ah, Eugênio” de Tia Celina e ficou na mansão dos Roitman. Triste fim para mais um casal gay da novela.
Bebê Reborn - Ficará para sempre na galeria das cenas mais patéticas da dramaturgia brasileira o dia no qual Aldeíde entrou no prédio de Olavinho para comprar um bebê reborn disfarçada de óculos escuros e moletom. Manuela Dias quis surfar na onda daquele momento, mas conseguiu escrever apenas algo caricato e desinteressante.




